Histórias e contos escoteiros.

Histórias e contos escoteiros.
Feitas para você se divertir!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Lendas escoteiras. O repouso do Guerreiro.


Lendas escoteiras.
O repouso do Guerreiro.

           Ele não podia medir o tempo. Seus antepassados não lhe ensinaram. Mas ele sabia que muitas luas haviam se passado e seu fim estava próximo. Seus pais já tinham partido para as Terras Bravias do Sol Nascente. Breve seria sua vez. Não tinha herança, não trouxe ao mundo nenhum bravo da sua estirpe. Aplanã não deixou que Amanara lhe dessem filhos. Na tribo somente as lendas dos guerreiros passavam de pais para filho. Ele era uma lenda? Não era. Nunca foi. Era que era um simples índio que conhecia as histórias dos seus ancestrais. Conseguiu sobreviver de muitas guerras com os Tapuias, os Caraíbas e tantas outras tribos que sempre tentaram raptar suas mulheres e tirarem o que era deles. Foi o único que sabia conversar em Macro-Jê, Tupi e Arauak. Aprendeu nas guerras e nas inúmeras vezes que fora aprisionado. Gostava de sentar embaixo da Aroeira que dizem os espíritos foi plantada por Aplanã, um valente guerreiro, que correu pelos céus como um raio flamejante a mil luas atrás. Seus olhos miúdos percorriam as inúmeras Tabas de sua aldeia. Quanto tempo! Nada é mais como antes. O homem branco não trouxe nada de bom.

           O Grande Espirito o tinha avisado que sua morte seria breve. Não tinha medo nunca teve. Já a enfrentara inúmeras vezes. Ele era um guerreiro cujo nome se espalhou por toda a Floresta de Akanã. Amanara sua mulher o olhava com carinho. Porque nunca tiveram filhos? Ele daria tudo para ter um herdeiro que levasse seu nome através da história. Que pudesse narrar seus feitos. Sabia que quando fosse para as Terras Bravias nada sobraria de sua vida na terra. Seus pensamentos velejavam através das nuvens brancas espalhadas pelo céu. Viveu uma época que hoje seus descendentes não irão viver. O homem branco agora mandava. Eles não passavam de meninos a obedecer ordens o que fazer para comer. Muitos da sua tribo se tornaram homens sem valor. Bebiam, faziam arruaça, viajavam e diziam representar a tribo. Nunca seriam nossos representantes. Eram sim de si mesmo em busca de facilidades que um verdadeiro guerreiro desprezaria.  

           O viu chegando em uma jangada de piteira atravessando o Rio Morcego. Sempre fora assim desde a primeira vez. A cada dez ou vinte luas ele aparecia. Lembrou quando o viu jovem ainda, sempre com cabelos brancos soltos ao vento, olhos pequenos azuis, um chapéu esquisito, um lenço amarrado no pescoço, um calção da cor da camisa parecida com a folha de bananeira desbotada. Uma meia que ia até os joelhos e uma botina preta. Desceu de sua jangada e fez o sinal de paz. Não disse mais nada. Ele não falava muito. Aproximou-se e levou sua mão esquerda ao meu coração. Como ele sabia? Nos velhos tempos só os fortes entre os mais fortes se saudavam assim. Fiz o mesmo que ele e um sinal a Ibaretama um amigo aquele que veio do céu para que não o matasse com sua lança. Um homem branco nunca fora bem recebido na Aldeia. Uma época que os Bororós eram temidos. Cabelos da Neve sentou embaixo da Aroeira. Cruzou as pernas como se fosse um de nós, tirou de seu bornal um cachimbo pequeno e o fumou por horas. Não disse nada. Chegou calado e calado ficou. Lembro que Amanara levou-lhe uma cuia com cuscuz cozido e ele comeu com gosto.

           Otinga o Pajé logo que a noite chegou fez uma pajelança pela cura de Oititaba, um jovem que caiu da Pedra Solta depois da curva do rio Morcego. O viu bebendo o tafiá e mesmo evocando os espíritos de seus ancestrais e animais da floresta não houve cura de Oititaba. A tribo dançou com ele freneticamente e fez as mimicas do animal que estava incorporado a Otinga. Oititaba morreu pela manhã. Cabelos da Neve recusou dormir em alguma Taba ou mesmo na sua. Dormiu ali embaixo da Aroeira sob o calor de um pequeno fogo que fez. Não o viu pela manhã. Ao raiar do dia tinha partido. Sua jangada não estava apoitada na areia branca do rio Morcego. Passaram mais de doze luas quando ele voltou. Parecia mais velho. De novo nos cumprimentamos e pouca conversa. Seu silêncio me agradava. Apontou a Montanha dos Abutres. Pôs a mão em meu peito e me convidou sem falar a subir até o topo.

          Não podia ir. Minhas pernas recusavam a obedecer. A tribo aprendeu a admirá-lo. Com seu chapéu cuia colocou sua mochila, atravessou seu bornal e partiu rumo à montanha. Uma semana depois voltou. Descansou por algumas horas e em sua Jangada sumiu nas águas tranquilas do Rio Morcego. Mais uma vez fiquei só. Ou melhor, sempre estava só, mas quando Cabelos da Neve aparecia havia no ar um encantamento que toda tribo sentia. O passado não perdoa o presente. Éramos milhares e hoje? Um punhado que vinte ou trinta tabas acomodavam todos. As nações indígenas foram dizimadas. Caçar, plantar, pescar já não era a maneira correta de sobrevivência. Um posto da FUNAI nos dava o que Comer. Parecíamos mendigos sem nome, sem honra a depender do homem branco a nossa sobrevivência. A nossa terra não era mais nossa. Nossas crenças desapareceram. As forças da natureza que nos impeliam aos nossos antepassados não existiam mais. Os espíritos dos ventos riam de nos. Deuses e espíritos fugiram das nossas cerimonias, dos rituais e festas. O Pajé era uma figura que ninguém mais dava valor.

           Na vigésima lua desde que ele se foi fiquei doente. Muito. A pajelança não adiantou. Era questão de dias para me encontrar com os espíritos dos meus pais e dos meus ancestrais. Já tinha passado o meu poder de Cacique ao Conselho da Tribo. Cabia a eles agora escolher quem devia conduzir a aldeia, as mudanças e as guerras se elas tivessem que existir. A mim só restava à lembrança do que fui e do que sou. Preferia não olhar o mundo ao meu redor. Quanta injustiça, quanto sofrimento e dor. Eu sabia que todo mundo temia a morte, mas o índio ria dela. Um guerreiro tem de saber enfrentar tudo a qualquer hora. Para ele o amor, a indiferença e a ambição não seria uma lança cortando o ar procurando seu coração. Mesmo nos meus últimos dias eu ainda me considerava um guerreiro. Vieram me dizer que ele chegou. Cabelos de Neve com seu chapéu esquisito cumprimentou-me a moda índia e a mão no meu coração. Na taba em que eu agonizava ele sentou com as pernas cruzadas. Tirou seu cachimbo e rolos de fumaça encheram o recinto.

           Deixaram-me a sós com ele. Ele me olhava e eu a ele. Tirou o chapéu e fez uma espécie de saudação. Com as mãos no peito começou a cantar baixinho uma canção. Dizia que não era mais que um até logo, não era mais que um breve adeus. Eu não o ouvia mais. Meu espirito abandonava meu corpo e me vi junto aos meus ancestrais. Eram centenas de amigos que agora estavam ali nas Terras Bravias do Sol Nascente. Voltei um dia depois como espírito. Meu funeral não teve nada diferente. Envolvido na rede dentro da minha maloca, fiquei por dois dias. Nivelaram a superfície da minha sepultura com barro socado. Quando me retiraram a maloca foi queimada. Seria abandonada para sempre. Todos os meus pertences estavam comigo. Em cima da minha sepultura Cabelos de Neve colocou uma placa de metal em formato de uma flor de lis. Todos já tinham ido e ele permanecia sentado de pernas cruzadas, fumando seu cachimbo e olhando para o céu. Eu o ouvia cantar a mesma canção: - Não devemos perder as esperanças de um dia tornar a nos ver.


           Uma semana depois ele se levantou. Deu um leve sorriso, fez o gesto de amizade colocando a mão esquerda no meu coração invisível. Fiz o mesmo com ele. Parece que ele sabia que eu estava ali, pois disse baixinho que breve, muito em breve tornaríamos a nos ver. Entrou em sua jangada e partiu nas aguas calmas do Rio Morcego. Conta-se que muitas luas depois os dois guerreiros se encontraram nas Terras Bravias do sol Nascente. Dizem que até hoje ficam sentados e sorrido na sombra da Aroeira que um dia pertenceu à tribo dos Bororós e que hoje não pertence a mais ninguém.

Prefácio: - Um dos mais lindos contos indígenas que escrevi. Um escoteiro e um índio que se completaram em uma amizade que os levou ate as Terras Bravias depois que foram para o céu. "Procure conhecer-se, por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você." Vale a pena ler e meditar.  Anrê!

domingo, 30 de julho de 2017

Lendas Escoteiras. Uma cidade chamado Felicidade.


Lendas Escoteiras.
Uma cidade chamado Felicidade.

                  Era uma vez uma cidade chamada Felicidade. Uma cidade pequena quem sabe um arraial crescido com seus cinco mil habitantes. Ouve uma época que todos dariam tudo para mudar para lá, pois era o lugar onde existia o sorriso, a alegria, onde o sol tinha mais fulgor e a lua era incrivelmente linda nas noites de lua cheia. Não havia ricos e nem pobres, todas as casas eram iguais. Ninguém queria ser mais que o outro e onde a cadeia não tinha celas nem presos. Não havia carros buzinando, as pessoas não brigavam, as ruas eram limpas, pois cada cidadão fazia questão de limpar a área de sua morada. Dava gosto ver as crianças correndo pelas praças, indo para seu único colégio onde as professoras sempre tinham um sorriso em primeiro lugar. As casas não tinham grandes e as portas e janelas sempre abertas. À tardinha os casais namoram na mais completa felicidade de alguém que ama e sabe que é amado.

                Felicidade tinha algum muito importante que não sei se sim ou se não dava alma ao lugar. Não era o Cabo Damião que nunca prendeu ninguém e nem mesmo o Prefeito Nolasco que nunca deu golpe e nunca roubou nada que a prefeitura com seus parcos recursos recebiam. Não foi o Juiz Tião, que desistiu e foi embora do lugar por não ter ninguém para julgar. Dom Pedrito o vigário vinha sempre às quartas feiras rezar uma missa e a pequena capela quase não cabia seus fieis que ali nunca faltaram para dar graças a Deus. A população tinha alegria no coração, pois Toledo criou os escoteiros. Era belo vê-los passar. Com suas mochilas as costas, um chapelão escondendo a chumaça dos cabelos, um meião cortante até o joelho e a calça curta fazendo às vezes do sonho de seu criador do outro lado do oceano.

                   Era tudo perfeito. Escoteiros cantantes, sorridentes e a chumaça da patuleia sabia que seus jovens meninos tinham conquistado o que toda cidade sonhava: - A honra, a palavra, a ética e o respeito para ser respeitado. Quando pela primeira vez juraram a bandeira não faltou ninguém do lugar para assistir. Foi no Campo do Peroba Futebol Clube. Montaram um palanque e lá estava Dom Pedrito o vigário, o Cabo Damião, o Juiz Tião e o Prefeito Nolasco. Não faltou dona Cacilda a professora e claro Toledo o Chefe envergado no seu caqui descomunal como se fosse um exemplo para aquele povo feliz que tudo ia durar para sempre. Foi belo, foi lindo, meninos dando continência, levando a mão direita até o ombro de dizendo que iriam fazer um novo Brasil. Durante anos a cria escoteira cresceu. Mas tudo que é bom dura pouco. Uma doença mortal levou para a eternidade o Chefe Nolasco. Tristeza, choro, desânimo, melancolia e desalento por parte de todos.

                     Chefe Toledo cometeu um erro tremendo. Não preparou ninguém para um possivel afastamento seu. Era Chefe da Tropa, da Alcatéia e fazia às vezes da Diretoria. Poderia ter convidado, mas se sentiu possuído pela divindade e pensou que era um Deus Escoteiro. Morreu e ninguém para ficar no seu lugar. A cidade não sabia o que fazer. Reuniões aconteciam. O prefeito imperfeito nesta hora não tinha a menor ideia para que o grupo não acabasse no ostracismo. Seria fácil buscar ajuda, mas ninguém sabia que havia alguém em outra cidade que poderia ajudar. Ninguem entendia nada e sabiam que eles corriam para o campo, cantavam, brincavam de esconde, esconde onde sempre havia um pega de soldados contra índios. Alguns chegaram a ver patrulhas correndo nas matas, construindo pontes, casas, ninhos trinchados no alto das árvores.

                      Tudo escorregou entre os dedos. O último pingo do suor caiu e ninguém sabe onde, pois ninguém viu. Tudo acabou? Virou fumaça? A tristeza invadiu o lugar. Onde procurar ajuda? O tempo passou. A cidade triste acabrunhada. A meninada esqueceu seus folguedos na patrulha, esqueceu-se do sol da lua e das estrelas nas noites lindas de fogo de conselho onde eles cantavam e riam sem parar. Para-raios passou por Felicidade em uma noite de natal. Precisava descansar. Viajava há dias no seu Cavalo Trombone procurando uma fazenda para comprar. Ficou sabendo que dona Chiquitita pôs a venda sua casinha atrás do Armazém das flores. Lá tinha de tudo. Seu Pascoal alma sofrida ajudava no que podia a quem não podia pagar. Para-Raios ficou sócio de Seu Pascoal. Comprou um pequeno sitio na Nascente do Rio Florido. Pensou que agora tinha um lugar para morar e morrer. Seu passado se foi, importava só o presente.

                      Na porta do armazém via todos os sábados dois meninos escoteiros andando devagar, mochilas as costas, mas iam até a praça para sentar e chorar. – O que é isto meu Deus? – pensou. Foi até eles. Uma conversa amena, um sorriso breve, um aperto de mão e ele voltou para casa pensando em voltar. Ali precisam dele, e ele não podia faltar. Não seria como em São Domingos, onde a chefia do grupo não se entendia, onde só havia ódio em vez de amor. Tentou mudar, deu tudo que podia, mas nada conseguiu. Meninos iam e vinham nunca querendo ficar. Ele um antigo Escoteiro sabia que ali não era mais o seu lugar. Foi com os dois meninos escoteiros até a sede. Um abraço uma promessa. Os três hastearam a bandeira Nacional. Muitos curiosos aportaram para ver o acontecimento.

                       Ah! Ainda existe neste mundo um lugar chamado felicidade. A cidade voltou ao passado. Os sorrisos, os abraços e apertos de mão agora fazia parte da rotina do lugar. O Prefeito Nolasco sorria de orelha a orelha. Dom Pedrito rezou naquela tarde a missa mais linda que tinha rezado. O Cabo Damião suspirou e soltou Bate Boca o bêbado que prendeu na noite anterior. O Juiz Tião retornou e Dona Cacilda suspirou fundo, pois sabia que agora a meninada da escola tinha juízo, pois Escoteiro é assim, sabe obedecer, tem disciplina e sabe opinar. Ainda me lembro quando naquela final de sexta, Vinte e oito meninos escoteiros passaram marchando, envergando garbosamente seus uniformes com belos chapéus escoteiros rumo a Salamanca, um vale perto do Riacho das Flores onde iam acampar.


                  Era uma vez uma cidade chamada Felicidade. Um lugar lindo, desses que qualquer um de nós gostaria de morar. Não tinha rico remediado ou pobre. Não tinha mansão nem favela. Os burricos que pastavam na praça não faziam dela seu lugar especial. As pessoas não brigavam. Havia um sorriso em qualquer dos seus habitantes. As pequenas casas eram pintadas de branco, com portas e janelas azuis da cor do céu. Todas tinham lindas tulipas, rosas vermelhas, brancas, gardênias, Jasmim, Dama da Noite e tantas que até esqueço de contar. As janelas e portas estavam sempre abertas e o melhor de tudo, havia escoteiros que todas as tardes iam a praça para contar histórias e cantar. Duvida? Um dia levarei você até lá e vai admirar uma cidade chamada Felicidade!


sábado, 29 de julho de 2017

Chefe Falcão Maltês. Um perfeito cavalheiro.


Lendas escoteiras.
Chefe Falcão Maltês. Um perfeito cavalheiro.

             Porque o apelido eu nunca soube e nem perguntei. Nunca disse seu nome. Eu sei que foi um grande amigo enquanto estivemos juntos. Disse-me um dia que fora Chefe do Grupo Escoteiro Estrela Cadente. Nunca tinha ouvido falar. Mas acreditem ou não o Chefe Falcão Maltês era um perfeito cavalheiro. Como se diz hoje uma figura que merece um lugar entre os homens de honra deste país. Um digno Escoteiro. Nunca deixou alguém mais velho que ele em pé no ônibus. Ninguém sentava sem antes ele arrumar a cadeira e olhem, as chefes adoravam. Pagar despesas? Nem pensar. Se ele não pudesse pagar não iria. Dizia sempre que os homens devem ser boníssimos com as mulheres, pois são elas que carregam o fardo mais pesado.

             O que eu admirava mais no Chefe Falcão Maltês era seu modo de falar e dar exemplos aos escoteiros. Uma vez estávamos em marcha de estrada indo acampar no Vale da Tartaruga, e caiu um pequeno papel de bala na trilha onde percorríamos. Ele parou toda a tropa. Chamou a todos. Disse – Sabem que somos invasores? A escoteirada não entendeu nada. – Porque Chefe? Disse um deles. Porque a relva, as árvores, os pássaros, o rio e as montanhas estavam aqui antes de nós. Portanto eles são os donos. Vocês são intrusos. Vocês gostariam que alguém entrasse em suas casas, sem pedir e jogassem papeis de bala na sala? Ninguém disse nada. Um Escoteiro foi até lá e pegou o papel e guardou na mochila. E nos acampamentos? Sua inspeção era rigorosa. Não perdoava nada. Nem fossa mal tampada. – Escoteiros! – dizia ele, porque deixar que a abelha os beija flores, os pássaros do céu sintam o mau cheiro? Não é certo, não é mesmo?

           Um dia estávamos sentados na porta da barraca, um pequeno fogo crepitava e ele começou a cantar uma linda canção. Todos acorreram para perto dele. Ele parou e os escoteiros ficaram intrigados. – Vou continuar, aguardem. Só quero aproveitar a oportunidade para dizer a vocês, que as músicas, canções tudo que existe é belo. Sabendo cantar e sabendo ouvir. Se um dia vocês ouvirem uma musica clássica, ou mesmo uma ópera em um lugar qualquer sei que não irão gostar. Mas se assistirem a um conserto de uma Orquestra sinfônica ao vivo, ou mesmo a uma ópera em um teatro tenho certeza que irão adorar. A Musica para se gostar tem de ter sentimento. Existem músicas e músicas para cada momento da vida. As clássicas relaxam e fazem sonhar, musicas de trilhas sonoras são lindas. As românticas para quando se tem um grande amor. 

            Temos, continuou ele – Que aprender tudo que possamos absorver. As músicas de hoje cantadas ou não desde que não tenham segundas intenções em suas letras, são válidas. Mas existem outras e um Escoteiro deve estar preparado para descobrir, ouvir e sonhar com todas elas. Não é o barulho estridente da música que nos toca o coração. Ouvir boa música faz parte de nós escoteiros que vivemos nas montanhas vivenciando o vento o ar e os acampamentos.

          Era assim o Chefe Falcão Maltês. Repetia sempre que o Escoteiro é um cavalheiro, um fidalgo. – Lembram-se do que diziam da mulher de César? Assim somos nós, ele dizia. Não basta mostrar que somos, temos que se portar como tal. – Que tal dar a vez a um amigo? Abrir a porta para ele? Que tal dividir o doce, o farnel, seu cobertor, que tal dividir sua alegria, sua felicidade com quem não a tem? – Chefe Falcão Maltês deixou saudades. Sempre acreditei que todos nós chefes escoteiros devemos ser uma espécie de Chefe Falcão Maltês.

           Alguns dos nossos jovens precisam aprender boas maneiras ele dizia. Sei que é função dos pais. Mas não estamos ali para colaborar? – Um dia ele me disse – Chefe Vado hoje muitos se apegam a entender o jovem como ele é e a justificar. Concordo até certo isto. Mas existem normas, direitos e deveres que são sagrados. Um pai nunca vai dizer ao filho se ele quer ir escola, se ele quer sentar a mesa para as refeições ou se ele pode escolher a hora para dormir. Isto faz parte da família. É sagrado. Temos de ser assim.

             Entendi perfeitamente seu recado. Não é porque os tempos mudaram que as boas maneiras, a educação, o cavalheirismo deve deixar de existir. O respeito aos mais velhos, o respeito ao meio ambiente, o respeito com as pessoas, o direito de um e o de outro nunca devem ser olvidados. Seria bom, seria bom mesmo que existem muitos chefes Falcão Maltês por aí. Acho que tem muitos jovens que se chamam de escoteiros e escoteiras que poderiam ouvir suas palavras e aprender.



               Já faz anos que não vi mais o Chefe Falcão Maltês. Soube que ele mora em uma capital do nordeste. Nem sei se anda escoteirando por lá. Quando me lembro dele penso em um novo Cavaleiro da Távola Redonda. Um Sir Lancelot filho do rei Ban de Benwick e da rainha Elaine. Ele foi o primeiro cavaleiro promessado pelo rei Arthur e nunca falhou em gentileza, cortesia e coragem. O Chefe Falcão Maltês nunca teve uma armadura de aço, mas tinha um coração enorme. Ele repetia sempre sem se cansar que não existe hora e nem lugar para ser educado e ter honra. Que ele seja feliz. Ensinou-me muito. Tem chefes que são e tem outros que dizem ser. Eu até hoje ainda não me situei. Que Deus me ajude a cumprir minha missão, claro se eu tiver uma para cumprir.

Prefácio: - Desculpa se eu prezo o romantismo e o cavalheirismo, mas pra mim isso é fundamental. Afinal eu ainda sou um escoteiro a moda antiga e ser Cortez educado e amigo faz parte de uma época que ser cavalheiro era uma obrigação para todos nós escoteiros.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Lendas Escoteiras. Camélia.


Lendas Escoteiras.
Camélia.

                   Olhei para ela e não acreditei no que via. Era ela disto tinha certeza. Mas estava tão diferente, mais velha, magra com manchas no rosto e seu sorriso nem era sombras do passado. Pensei em abordá-la, cumprimentá-la e quem sabe abraçá-la para dizer que era eu, seu monitor. Quem sabe dar a ela um sorriso e dizer àquela palavra que ela amava e gostava de dizer: - Oi! Sou eu! Escoteira Camélia das campinas, não me reconheceu? – Ela nem me olhou passou direto com andar vacilante, como se estivesse perdida errante caminhando por uma trilha que nunca passou. Porque isto? Porque o destino desconhece o que pensamos ser? Pois é, me lembrei que um dia ela me disse: Mano Monitor, o que for teu desejo, assim será tua vontade. O que for tua vontade, assim serão meus atos. O que forem teus atos, assim será o teu e o meu destino...

                  Quando ela chegou na Patrulha não houve festa, mas todos a receberam com alegria, transformaram uma reunião comum em uma reunião especial. Ninguém tirava os olhos dela, sabia que era admirada e mesmo assim não se tornou pedante nem esnobe era a fina flor colhida em um dia de verão que chegou para nos fazer feliz. Aprendemos a tirar o chapéu em sua homenagem. Aprendemos a cantar “Amigos para Sempre”, pois ela irradiava seu interior de maneira inteligente e menos farsesca, pois era como chegar no fim de uma jornada, beber água da fonte e sentir o frescor de uma tarde, mormente enluarada. Nunca vi sua mãe seu pai e quer saber? Nem sabia onde morava. Torcia para chegar os sábados, para revê-la, ouvir sua voz suas palavras...

                  Enquanto ela esteve na patrulha não atrasava, todos querendo ser os primeiros a chegar. Ela com seu sorriso maroto nos acampamentos dizia: - Escoteirada, deixa que eu me sirva, deixe em fazer também. Não sou princesa nem rainha e mesmo sabendo que me querem bem, preciso caminhar para aprender a não cair. Não era um peso morto, mesmo com sua beleza e formosura. Ficávamos tristonhos por ver suas mãos macias em bolhas de sangue ao usar o facão e deixar marcas caludas e enormes. E ela? Sorrindo dizia para nós: Marcas de um trabalho honesto. Disse-me certa vez que queria ser Lis de Ouro e iria fazer tudo para conseguir. Destino incerto e não sabido. Eu sabia que da vida mesmo sonhando nem sempre se consegue o que quer. Ela teve tudo que almejou, mas seu Lis de Ouro ficou perdido em um sonho que não se realizou. Pensei que aquela conquista nunca a faria feliz.

                  Um dia não apareceu. Ficamos surpresos porque não dizer perplexos e eu atônito não sabia o que dizer ou fazer. Parecia que a patrulha tinha perdido seu rumo seu caminho, sua trilha e não sabia mais aonde ir ou chegar. Apoite teu barco monitor, se não vai ficar a deriva no mar traiçoeiro... E eu fiquei. Um mês dois três e ela nunca mais voltou. Aos poucos a patrulha foi voltando ao normal. Mesmo assim as lembranças eram doídas demais.

                  Patrulheiros mercantes a zumbir suas barracas nos montes errantes em acampamentos tristes que o cantar, o som de uma viola não existia mais. E eis que cinco anos depois, já Pioneiro, avante Escoteiro de outras eras a vejo sair de um ambulatório perdido em um bairro tristonho e ela passa por mim sem ao menos dizer olá! Quando me dei conta tomei a decisão de abordá-la, ela sumiu nas curvas da Rua dos Perdidos e não há vi nunca mais...


                  Menina escoteira onde escondeste tua formosura e personalidade? Eu quero morar na sua rua, me diga o número de sua morada, pois você deixou saudades... Mudei de rumo e segui o meu destino. Cada um tem o seu. Camélia era agora uma sombra do passado. Fui para casa tentando arrumar as lembranças para que ficassem somente às boas e as ruins deixei guardadas em um canto da mente. Eu aprendi que quando sentir saudades de alguém que já partiu e nunca mais voltará, não devemos nos revoltar. Apenas recordar os bons momentos que ficou preso no passado e fazer dele uma lembrança gostosa... Apenas para recordar...

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Lendas, histórias e estrelas no céu.


Apenas uma história.
Lendas, histórias e estrelas no céu.

             Existem histórias mais lindas que não seja aquelas contadas como uma lenda? Onde os acontecimentos são misteriosos, sobrenaturais e podemos misturar os fatos reais com os imaginários ou fantasiosos? Eu conto histórias, portanto também conto lendas. De um simples fato o transformo além do imaginário popular, além da imaginação. A linguagem da escrita vai se modificando e a gente deixar a mente voar pelo espaço procurando aqui e ali pontos que preencham a mente e satisfaçam aqueles que vão ler ou ouvir alguém contar... Era uma vez...

             Quantos adoram quando você começa uma história, estas três palavras são mágicas: - Era uma vez...  Lembro-me de uma história ou lenda, noite escura, três patrulhas de Escoteiros e duas de escoteiras. O fogo crepitava em um Fogo do Conselho inesquecível. Deixei o fogo ir diminuindo quando iniciei a história. O local era ideal, uma floresta densa e ali naquela clareira meninos e meninas esperavam ansiosos a história ou lenda que o Chefe iria contar.

           Levantei de um salto, olhei na mata e gritei: – Ouçam a floresta! Eu disse. Ela está lá, aguardando que alguém lhe mostre o caminho! Uma menina levantou assustada e perguntou – Quem Chefe? A Moça de Branco que um dia morreu ali naquela cabana e quem ninguém até hoje sabe por que seu marido a matou! Ela chora todas as noites ao andar sozinha pela floresta. A menina sentou de olhos arregalados, todos olhavam para a floresta. Eu corri até a entrada de uma trilha fechada e a chamei – Nina! Venha, não vamos lhe fazer mal! –

            Notei que todos procuraram ficar mais próximos uns dos outros. Ninguém falava, um silencio total!  - Não a chame você não tem este direito! Imitei uma voz cavernosa como se ele a voz estivesse ao meu lado. – Porque Lomanto? Por quê? Afinal você não a amava? Não disse que daria sua vida por ela? – Chorando com as lágrimas caindo sobre sua face ele me disse - Chefe, eu a matei com minhas mãos, mãos que gostavam de acariciar seu rosto. Eu me maldigo até hoje e sempre que posso saio do inferno que vivo para vê-la novamente aqui na floresta. Mas ela Chefe, ela não me quer mais. Diz aos gritos que me ama, mas não quer me ver. Ela não queria morrer Chefe! Ela amava a vida! E eu a matei!

           Voltei devagar de costas rumo ao pequeno fogo bruxuleante e falei baixinho e tão baixinho como se estivesse engasgado e com uma voz forte – Não vou apertar sua mão! Você é um fantasma assassino! Não venha aqui participar conosco, nenhum desses jovens meninos e meninas irá gostar de ver seu rosto cheio de cicatrizes, suas mãos apodrecendo, seus cabelos caindo, este cheiro de enxofre e seus braços cheio de bichos do inferno. Se afaste! –

             Um burburinho na tropa se ajuntaram mais, o fogo ia diminuindo, a floresta parecia invadir a pequena clareira que nos servia de abrigo para aquele Fogo de Conselho. – Um menino noviço ainda tremendo me pediu quase chorando: - Chefe mande-o embora. Ele matou sua mulher, não quero vê-lo, por favor, Chefe! Alguns soluçavam, outros me pediram para parar. – Não tenham medo, eu vou clamar as almas do outro mundo presas no inferno para levá-lo onde ele merece ficar. Queimando para sempre junto ao Demônio.

           Não sei se era minha história, se era minha lenda, mas o fogo que quase se apagava de supetão se elevou no ar, a clareira ficou como se fosse dia. Milhares de fagulhas subiam para o firmamento. Um trovão se ouviu no céu. Todos deram as mãos, ficaram em pé e gritavam – Chefe queremos voltar à barraca, por favor, Chefe! – Calma jovens Escoteiros, não precisam ter medo, Lomanto foi embora, Nina com seu vestido branco também. Não vamos vê-los nunca mais. Terminei a lenda cansado, ofegante, dei tudo de mim para que ele fosse verdade. A cadeia da fraternidade foi feita rapidamente.

           Na volta ninguém queria ir à frente e ninguém atrás. Os Escoteiros e escoteiras estavam juntinhos e havia um silencio sepulcral. Foram dormir, muitos rezaram, eu fui para minha barraca. Estava só. Sentei em um pequeno toco onde ainda jazia um pequeno fogo que fiz antes do anoitecer e pensei na história na lenda que contei e um arrepio correu pelo meu corpo, senti uma mão no meu ombro, tremi da cabeça aos pés! – Olhei era ela Nina, vestida de branco, linda, a mulher que morreu. – Obrigado Chefe, o senhor me ajudou. Ele agora vai me deixar em paz!

        Fui dormir tarde depois uma da manhã, sentia na pele o orvalho da madrugada caindo, dei a ultima volta nos campos de patrulha, todos dormiam, pensei comigo que história são histórias, lendas são lendas, mas existem algumas que podem se tornar realidade. Que Nina descanse em paz e que Lomanto se arrependa do que fez. Os anos se passaram. Minha mente voa pelo passado quando contava histórias e lendas e fazia a escoteirada sorrir e sonhar.


        Eu já contei centenas de histórias e lendas neste mundo de Deus. Em florestas, em montanhas, em vales enormes cheio de cachoeiras, em picos sem fim. Contei histórias nas campinas do meu estado e de tantos outros, contei histórias e lendas nas margens de um lago gelado história que ao contar gelei. Hoje passado muitos anos até hoje ainda encontro com alguns Escoteiros ou escoteiras que estiveram lá naquela clareira e sempre me dizem e juram que viram Nina chorar...

Nota: - Gosto de contar histórias e gosto de Lendas, porque as lendas são envoltas em Mistérios e Magias. São uma criação dos caminhos da mente, da vaga imaginação da liberação dos silêncios da alma... Fiquem com Deus!

terça-feira, 25 de julho de 2017

Lendas Escoteiras. Saber ouvir é uma arte.


Lendas Escoteiras.
Saber ouvir é uma arte.

             - Ele me procurou naquele sábado de 31 de dezembro. Preparava-me para partir, pois minha família já estava no interior em casa de parentes. Ia passar a virada de ano com eles – Olá Chefe. Atrapalho? – Joshua, sempre ele. – Entre meu amigo. Ele entrou de cabeça baixa como não querendo dizer nada. No meio da sala deu meia volta. – Outro dia volto Chefe. – Joshua se veio até aqui não vá sem dizer o que queria meu amigo. – Ele me olhou com aquela cara de magoado com o mundo. Quer ouvir? Perguntou-me. Fiquei calado. Aprendi com Sócrates que um Chefe Sênior deve ter quatro características para liderar uma Tropa Sênior e Guias: Escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente.

              Joshua era inconstante. Há meses me procurou dizendo que ia sair do escotismo. – Chefe ser Sênior para mim não dá. Até que ser Escoteiro foi bom. Quando tentei argumentar ele me olhou com aquele ar de enfado: - Chefe precisa aprender a ouvir! – Me lembrei de que voltou um mês depois como se nada tivesse acontecido. – Sentamos na poltrona da sala e fiquei ali calado. Ele também. Minutos depois disse: - Ela me trocou por outro Chefe. – Devia ser sua nova namorada. Não a conhecia. – O que devo fazer? – Quer respostas Joshua? – Ele balançou a cabeça negativamente. – Quero desabafar Chefe, só isto. O senhor já me disse que a vida pode nos derrubar, mas somos nós quem escolhemos a hora de se levantar. – Me levantei chegando perto dele: - Joshua, as montanhas da vida não existem apenas para que você chegue ao topo, mas para que você aprenda o valor da escalada. Dê tempo ao tempo. O mundo continuará girando queira você ou não. 

             Notei lágrimas em seus olhos. – Continuei – Na vida Joshua você irá encontrar três tipos de pessoas, aquelas que irão mudar a sua vida, aquelas que irão prejudicar a sua vida, aquelas que serão a sua vida. Levante a cabeça, não corra atrás de um alguém que demonstra viver bem sem você. Deus sabe quem colocar na sua vida, da mesma forma que sabe quem tirar. Não corra atrás de um alguém que demonstra viver bem sem você. – Ele se levantou, não chorava mais. – Boas festas Chefe! E saiu sem ao menos me dizer até logo ou me dar à mão esquerda o que fazíamos nos seniores questão de honra.

             Um ano depois ele foi estudar na capital. Voltou após oito anos homem feito e bateu na porta de minha casa: - Chefe passei só para lhe dar um aperto de mão. Junto a ele uma moça linda de cabelos negros encaracolados. – Minha Esposa Chefe. Prometo que seremos felizes para sempre como o Senhor e sua Esposa. Formei-me em psicologia. Estou indo para Pedra Azul onde vou abrir um Consultório. Vá me visitar! 


            Quem diria! A vida da muitas voltas e o mundo nos reserva surpresas mil. Gosto muito de falar, mas adoro ouvir. Eu sei que uma maneira de agradar é deixar que cada um fale por si. Pois é, como disse aquele sábio, a natureza deu-nos duas orelhas e uma só boca para nos advertir de que se impõe mais ouvir do que falar!

Nota: - Um Chefe Sênior deve ter quatro características para liderar uma Tropa Sênior e Guias: Escutar com cortesia, responder sabiamente, ponderar com prudência e decidir imparcialmente e ser exemplo nos seus atos e atitudes. Uma pequenina historia de um sênior e seu Chefe. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lendas escoteiras. Quando a vida imita a arte.


Lendas escoteiras.
Quando a vida imita a arte.

                              Boa noite Jonny Boy! – Boa noite papai! Ele sorria e fechava os olhos mesmo não estando com sono. Ele gostava quando seu pai lhe dava bom dia e boa noite. Um dia ele lhe contou sobre seu nome – Filho, sua mãe trabalhou em casa de gente rica e várias vezes assistiu um seriado na TV onde havia um jovem chamado Jonny Boy. Ele gostava quando seu pai lhe contava esta história. Ela lhe lembrava de sua mãe que fora morar com Deus. – Seus olhos brilhavam quando seu pai falava sobre ela. – Jonny Boy, sua mãe era linda, todos queriam casar com ela, mas eu fui o escolhido. Jonny Boy se Deus escolheu ela para ir primeiro não podemos nunca discutir os desígnios de Deus. Lembrou-se daquele dia que uns jagunços chegaram armados de espingardas obrigaram seu pai e ele a subir em um caminhão. Ele adorou a viagem, mas seu pai sempre com lágrimas nos olhos.

                              Seu pai lhe contou que o Coronel Saldanha não queria ninguém nas suas terras. Chegaram a São Paulo a noitinha. Não tinham onde dormir. Arrancharam-se embaixo de um viaduto. Seu pai sempre insistia com ele para sorrir. – Filho o sorriso encanta, trás paz, trás felicidade. Não existe dificuldade para quem sabe sorrir! – Ele amava seu pai. Tudo que ensinava aprendia. Seu pai tinha só um braço. Perdeu o direito quando manuseava uma máquina de moer cana. Não conseguia emprego. Ele se virava pelas ruas fazendo biscates. Limpando a praça, um jardim, lavando um carro e assim iam vivendo. Montaram uma cabaninha embaixo do Viaduto do Glicério. Quando ficou pronta Jonny Boy sorriu. Agora tinham uma casa para morar. Quando chovia o teto do viaduto deixava cair água suja e muitas vezes eles acordaram com barro no corpo todo. Mesmo assim eram felizes. – Seu pai dizia? - Quando mais difícil à vida Jonny Boy mais a vida tem valor. – Bom dia Jonny Boy! – Bom dia papai! Era assim todas as manhãs.

                               Naquele sábado pediu para ficar. – Seu pai disse que sim. – Claro Jonny Boy. Confio em você principalmente agora que vai fazer sete anos, você já é quase um homem feito. Que Deus o tenha! – Jonny Boy sorria. Todos os sábados ele gostava de ver os meninos de azuis no pátio do Colégio Sant Clement a brincar de lobinhos. Subia em uma aroeira enorme e lá do alto via tudo. Batia palmas, adorava ver eles gritarem lobo, correrem, cantarem e fazerem tantas coisas. Porque não posso ser um deles? Pensou. – Jonny Boy, disse seu pai, lá só para quem estuda no Colégio. – Pai! E eu não posso estudar? – O que responder? Seu pai ficou calado. Ele na noite anterior só tinha conseguido um pão que uma moça lhe deu quando olhava pelo vidro as guloseimas da padaria. Metade dele e a outra metade de Jonny Boy. Seria seu almoço do dia. Seu filho nunca reclamou. Quando a fome apertava ele sorria. Fazia parte dos ensinamentos que ele lhe deu.

                              Quando desceu da árvore ouviu alguém lhe chamando. Viu uma menina dos lobinhos fazendo sinais para ele. Pensou bem antes de aproximar. Sabia que sempre lhe batiam quando chegava perto de meninos e meninas ricas. – Venha! Quero lhe dar um abraço, ela disse! Ele correu para o viaduto. Se o vissem com ela o abraçando apanharia na certa. No outro sábado ela chegou sorriu para ele e deixou encostado uma sacola com muitas guloseimas, frutas, bolos e uma nota de vinte reais. Sorriu para ela agradecendo. Correu quando viu o segurança no carro que ia buscá-la. Seu pai sempre lhe dizia para tomar cuidado. – Você sabe Jonny Boy, os ricos ainda não aprenderam a amar e sorrir!

                                Ela se chamava Carmela. Família rica e tradicional. Quando ele disse que se chamava Jonny Boy ela riu. Ele riu com ela. Conversavam quando sentiu que alguém lhe dera um tapa na nuca. Caiu ao chão e quebrou um dente. Uma dor incrível. Olhou e viu que era o motorista de Carmela. – Pivete! Se vir você de novo junto dela vai acordar no rio Tietê! – Ela gritou com ele – Não adiantou. Pegou na sua mão e a levou para o carro. Ele pensou que ser rico não era bom. Ele sabia que ela nunca poderia ver a lua e a chuva caindo no rosto e a fome chegar. Todas as dificuldades seu pai lhe ensinou a amar. No sábado seguinte ao lado da arvore ele esperava ela chegar. Sabia que iria apanhar se o segurança visse. Ele estava com fome e ele sempre lhe dava alguma coisa para comer. Gostava dos escoteiros, eles eram bons e fraternos, mas seus pais e motoristas não. Voltou para sua casa embaixo do viaduto e naquela noite seu pai não apareceu.

                              Isto nunca aconteceu. Queria chorar, mas seu pai sempre dizia para sorrir principalmente nas horas mais difíceis. Custou para dormir. Durante cinco dias ele procurou seu pai por toda cidade. Não encontrou. Na Praça da Sé viu Carmela saindo da igreja. Ela o viu. Sua Alcateia fora fazer uma visita na Catedral. Ela correu em sua direção. Ele correu também. Um chute nas costas o jogou ao chão. Caiu desfalecido. Carmela gritava chamado o motorista de assassino. Ele de cara fechada a pegou pela mão e a levou arrastando até o carro. Ele ficou ali estirado por horas. Ouviu alguém dizer que estava morto. Ouviu vozes, diziam que era só um menino drogado. - Tentou assaltar uma menininha linda, disseram. Outros diziam que era um pivete que assaltava ali na praça. Começou a chover, ele sentiu a chuva em seu corpo. Tentou sorrir, estava difícil. A dor era muita. Dormiu!

                        Acordou com o sol a pino. Era lindo o sol. Ele amava quando seu pai o chamava para ver o nascer e o por do sol do alto do viaduto. Era bonito demais. Sentiu o corpo leve, não doía mais. – Jonny Boy! Bom dia! Jonny Boy olhou e viu seu pai. Ao lado uma senhora linda. – Jonny é sua mãe! Jonny sentiu a garganta seca. Queria rir não conseguiu. Queria chorar de alegria e não conseguia. Seu pai o abraçou. Sua mãe também. Você agora está em casa meu filho. Sabe o que vou lhe contar? Aqui tem lindas alcateias de lobinhos, você vai adorar! Jonny Boy estava encantado. Era bom demais. Subiu em nuvens brancas até o infinito. Papai! Aqui é o céu? - É sim meu filho, aqui seu sorriso vale o dobro da terra. Tudo é lindo, Deus está conosco e Jesus sempre aparece para dizer Boa noite!


                          Papai! Aqui tem pão com manteiga? – Tem sim filho. – Tem café com leite? – Tem sim filho. – Tem bife gostoso? Tem sim filho. Aqui tem muito mais. Ele viu uma meninada de azul correndo em sua direção – Bem vindo Jonny Boy, agora você vai ser um Lobinho da matilha Amarela! 

Nota - Apenas uma historia. Será mesmo uma historia? Quantos Jonny Boy existem por aí? Será assim tão fácil aprender nas dificuldades sorrir? Vivemos em um mundo onde não enxergamos que existem tantas pessoas carentes que às vezes esquecemos. Leiam a história. Já publiquei uma vez e se não leu sei que vai gostar Sempre Alerta!

sábado, 22 de julho de 2017

Jesus de Nazareth O Contador de Histórias.


Jesus de Nazareth
O Contador de Histórias.

                        Um asilo simples, paredes descascadas, sem jardins, sem flores, quartos com três ou quatro camas, um refeitório espremido, uma sala com uma TV colorida pequena e cadeiras simples e sem conforto. Localizado na periferia sem luxo não muito limpo onde o lixo acumulava nas ruas próximas. Convidaram-me para ir conhecer Jesus de Nazaré um Velho negro contador de histórias. Disseram-me ser o melhor de todos. Deslocado naquele ambiente pensei que os velhos não tinham bom tratamento no fim da vida. A recepcionista com cara de poucos amigos relutou em me deixar entrar. Vendo-me de uniforme Escoteiro abriu um precedente e me levou até um quarto onde mais dois idosos dormiam. Jesus de Nazaré estava acordado. Olhava para o teto e incrivelmente feliz, pois tinha um sorriso nos lábios.

                          Quando cheguei a sua cabeceira da cama ele virou a cabeça e me olhou. Um olhar marcante que me comoveu. Não era de piedade ou de sentimento mesmo sabendo do quanto eram os maus tratos que recebia ali. Jesus de Nazaré parecia feliz. Balançou a cabeça e notei seus cabelos brancos e crespos sujos e mal cortados. Em compensação tinha um sorriso contagiante. – Olá eu disse! – Ele sussurrou um Sempre Alerta com um tom de voz que me tocou demais. – Escoteiro? Dizem que são amantes da natureza disse. Contaram-me que gostam da lua, das estrelas e dos ventos que sopram nos baixios de um vale verdejante entre montanhas enormes. – Olhei para ele enigmático. Como sabia tanto sobre nós? Ele piscou o olho e disse: - Não fui escoteiro, meu senhor da Fazenda onde morava nunca deixou. Ele foi quem me contou muito sobre vocês.

                           Reconheci suas qualidades de Contador de Histórias. Em poucas palavras já prendia minha atenção. Um Contador de Histórias teria que ter a sensibilidade e empolgação, saber esticar sonhos em forma de ponte para juntar o mundo da fantasia e da imaginação. - Ele sorriu. Parecia ler minha mente. Sabia que iria fazer 103 anos um dos homens mais velhos do Brasil. Um biógrafo escreveu sobre ele muitas das suas histórias, até um livro foi editado, mas pouco difundido. Eu li o livro, tinha imperfeições por culpa do biógrafo. Resolvi conhecê-lo, ouvir sua voz, quem sabe me contaria um conto qualquer. Afinal se eu me considerava um Contador de Histórias ainda tinha muito que aprender. Ainda me faltava à sensibilidade de ter o poder de encantamento.

                     Sentei em um banquinho de madeira e me apresentei. Ele mantendo aquele sorriso maravilhoso começou a me contar pedaços da sua vida, mas só as alegres, pois me disse que as tristes não valiam a pena. Lembrei-me de um famoso contador de histórias que dizia que o importante era ter o conhecimento antecipado do texto, dos elementos e das emoções escritas familiarizada com suas personagens. Seria isto mesmo? E aqueles que contavam a história de sua imaginação? Não sabia o meio e o fim que o desenrolar da narração e como iria terminar. – Ele me olhava com olhar sutil que me transportei para o que ele narrava: - Nunca fui Escoteiro, nunca pude pegar a lua e guardar nos pertences do coração. As estrelas que vocês contam eu nunca poderia contar, não sei ler nem escrever. Respirei sim o ar da floresta, senti no rosto a brisa da manhã. Como peão ajudei a construir cidades, fui amigo de cobras e animais que deram a felicidade de me mostrar que são mais verdadeiros que os homens.

                      - Soube que vocês tem uma lei. Bom isto. Tudo começou com Moisés e as tabuas da lei. Até hoje são comentadas e muitos não levam a sério. Mas a de vocês é simples e direta. Ela não diz faça ela diz veja e tente compreender. Afinal não é desejo de muitos ter palavra? E saber ser leal? São dez artigos não? Ele continuou desfiando até que parou na promessa. Sabe o que mais gosto de vocês? A promessa. Não diz que é obrigado diz que fazer fazendo o melhor possível é melhor que prometer e não cumprir. Estava maravilhado. Como aquele Velho negro analfabeto e Contador de Histórias sabia tanto sobre nós? Verdade é que muitas palavras bonitas emocionam. Sorrisos sinceros também. E mais ainda reconhecer um homem honesto como aquele na minha frente.

                      Ele me olhou e disse: - Vejo que você se assustou com o ambiente que estou. Não se preocupe. As palavras ásperas não me magoam mais. As agressões não me ferem e muitas maldades não mais me assustam. Eu me pergunto: - O que aconteceu? Tornei-me mais forte? Ou será que agora sou muito insensível? - Sinceramente minhas emoções estavam acima de minhas forças. Aquele Velho Contador de História marcava uma existência que desconhecia. Eu não conhecia sorrisos espontâneos e a adversidade com um sorriso no rosto. Ele se tornou especial como homem exemplar. Aceitar ficar ali, em um local não condizente era para mim difícil de entender.

                    Eu agora via o Asilo como se fosse à redenção de um Edem. Vi que ele respirava tranquilidade de um ar que já respirei nas montanhas por onde eu acampei. Quantos pensamentos e lembranças ele deixou em mim. Estava calado já não me sentia o Contador de Histórias que tantos me apregoavam com o melhor. Nunca poderia me comparar a Jesus de Nazareth Olhando para ele me sentia rejuvenescido Quando a enfermeira disse que o tempo acabou eu emocionado lhe dei um abraço. Um forte abraço e grande abraço que nunca mais esqueci.


                         Na porta do Asilo a enfermeira me disse: - Tem pouco tempo de vida, vai partir em breve. Seu coração não vai aguentar outras luas que irão nascer. – Chorei. Fui para casa rezando e pedindo a Deus que no fim da minha vida me desse à força daquele Velho Contador de Historias. Anos e anos escrevendo e pensando que eu era o melhor. Ainda tinha uma longa estrada para percorrer. Aprendi se que para contar histórias tem que ter um belo sorriso. Aceitar as adversidades com encantamento. Naquele momento entendi que estava renascendo como Contador de Histórias Até hoje nunca esqueci seu semblante de felicidade quando sai do seu quarto e ouvi sua voz calma a dizer: - Entrou por uma perna de pato, saiu por uma perna de pinto, quem quiser que conte cinco!

Nota: - Seu nome era Jesus de Nazareth. Não sei como era o mestre na sua época, mas ali eu conheci um homem simples, amigo sincero com um sorriso magistral. Dizia-se iletrado, mas conversava como um doutor. Estava prostrado em uma cama de colchão de capim, em um asilo, e a enfermeira me disse que ele esperava a morte chegar com resignação e compreensão. Uma história simples de um contador de histórias que eu tive a honra de conhecer.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Poliana, saudades...


Lendas Escoteiras.
Poliana, saudades...

                 Um poeta escreveu que o tempo é muito lento para os que esperam muito rápido para os que tem medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam, mas, para os que amam, o tempo é eterno. Para mim ele é eterno. Eu nunca esqueci Poliana. Nunca. Sei que o tempo foi longo, que ele não volta, ele passa rápido demais e você acaba envelhecendo com a culpa de que não viveu. Acaba mergulhando nas poucas lembranças que tua mente gravou, relembrando ... Ri e chora. Você não tem mais a flexibilidade, disposição e idade para fazer o que gostaria. A vida, passa e o tempo é curto. O passado? Já passou, esqueça-o, esqueça as mágoas, os conflitos, as desavenças ... Perdoe pelo menos a quem deixou apenas saudades.

                 Zé Ricardo sorriu para mim e disse: - Encontrei Poliana. Está internada na Casa de Repouso Joventino Beato. Levantei de um salto na cadeira onde estava. A procurei por mais de sessenta anos. Rodei estados, cidades, fui aonde nunca pensei em ir. Sempre uma pista aqui outra ali e Poliana sumia como o vento forte de uma tempestade de verão. Porque não a esqueci? Porque não tentei encontrar outra cara metade e dedicar a ela a minha vida, pois Poliana não acreditou que eu a faria feliz?

                  A pé fui manquejando rumo à Casa de Repouso Joventino Beato. Sabia que quem se interna lá não tem volta. Doenças do pulmão, do coração, de câncer ou mesmo doenças que a gente nem sequer imagina e pede a Deus para não acontecer com você. Era uma casa de Repouso solitária. Poucas visitas. Muitos a viam como uma necrópole ou um santo repouso, que nada mais era um Cemitério onde a morte será o lugar de cada um de nós quando a hora chegar. Não era longe e eu não tinha escolhas. Perdi tudo que tinha, vendi os parcos pertences para custear a busca que não me deu nada em troca.

                  As lembranças batiam forte. Não tanto como minhas passadas curtas, trôpegas, um coxo que perdeu tudo na vida até sua vontade de viver. Parecia um quadro em exposição, um trailer de um filme que nunca teve fim. Lá estava eu, sorrindo, mochila nos costados, meus companheiros amados, indo para a aventura de acampar em lugares desconhecidos. Quando a vi na janela colorida, azul e branco de uma casinha no subúrbio não sei por que meu coração quase explodiu. – Eu a conheço! De onde? Não sabia. Ela era meu desencontro de menino que quase esqueceu a aventura que ia acontecer. Pensei em dizer que não ia, tinha de ficar e desvendar o mistério da Menina Loira, olhos azuis sorriso pendente nos lábios cor de mel...

                  Foi a primeira vez que fizemos um acampamento de duas semanas. Planejado, costurado aqui e ali com planos impossíveis para sete escoteiros que nada tinham a não ser o sonho de costurar estradas sem fim, encontrar serras alcantiladas, arvorar uma bandeira onde ninguém nunca arvorou. É... O tempo passa rápido demais, não há tempo para ser perdido com escolhas em podemos nos arrepender... O relógio não é responsável pelas horas, ele só revela o tempo que vai passando rápido demais...

                  Quando no alto da serra do Escarlate, quando na subida do Pico do Coqueiro, quando atravessamos as corredeiras do Rio Largo, meu pensamento era só para ela. Quando a tempestade nos pegou de pronto na curva do Boiadeiro, um lamaceiro formado, caindo pelas tabelas e todos sorrindo meu pensamento era só para ela. Voltamos. Chegamos. Corri na Rua dos Açores até a casa da janela azul e branco e não a vi. Bati na porta, uma matrona de cara amarrada gruiu para mim. – Custei para saber que seu nome era Poliana, morava na cidade de Águas Calientes, passou por ali de carona se foi e nem disse adeus quando partiu.

                Quinze anos. Idade dos sonhos, da vontade de crescer e correr atrás de um amor que nunca aconteceu. Dois anos depois, levado por um amigo até Teremim, um pequeno arraial onde havia um casamento, lá estava eu de caqui e chapelão nos meus dezessete anos contados, e no salão de baile lá estava ela, linda com seu vestido de chita, cabelos soltos ao vento, dançando como uma bailadeira, parecendo uma escoteira correndo em um jogo qualquer. Quase fui ao chão. Aproximei-me, sorriu, um abraço, um chiado nos pés do rolado a dançar um sonho que nunca pensei existir.

                 Sem perceber me disse que ia sair, mas ia voltar. Como a Gata Borralheira nas doze badaladas da meia noite se foi... E nunca mais voltou. Meu coração em frangalhos a procurou. Ninguém sabia quem era de onde veio e para onde foi.  Santana, Pedro Cruz, Monlevade, Pratilongas, Barra Longa e Silvério dos Reis. Corri mundo, rodei estradas, mochileiro não mais sabia o que fazer. Agora ia eu ver alguém depois de tanto tempo que nem sabia calcular mais. Na curva de Santana, a casa de repouso surgia entre matos fechados como se ninguém cuidasse da entrada.


                - Minhas passadas diminuíram, a bengala caiu na terra seca. Meu ar sumiu. Minha cabeça rodou. As forças que mantinham em pé desapareceram. Cai de bruços no chão. Eu sabia que há um tempo para partir, mesmo quando não há um lugar certo para ir. Não havia volta. Poliana ficou nos sonhos que não se concretizou. O Velho Escoteiro que amou partiu sem poder dizer adeus. Em uma estrela distante ele sabia que iria encontrar seu grande amor. Que de novo ia voltar e sabia que muitas vidas iriam passar até que pudessem os dois ter o direito de viver para sempre uma história de amor...

Nota - - Essa coisa chamada "história de amor" requer um certo tempo para ser construída, e as que dão certo são aquelas vividas com paciência, com o espírito aberto, e geralmente com qualquer um que consiga romper nossas defesas e nos fazer feliz. Um conto uma historia cujo amor nunca floresceu.