Histórias e contos escoteiros.

Histórias e contos escoteiros.
Feitas para você se divertir!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A lenda da amizade.


A lenda da amizade.

                            Contava-se uma lenda nos acampamentos de outrora, que um dia, numa bela manhã de sol... Um Chefe Escoteiro muito sábio é procurado por um dos seus escoteiros que pergunta: - Chefe, qual o significado da amizade? - O Chefe lhe aponta três árvores visíveis de onde se encontravam e, responde: - Observe estas três árvores. São diferentes. Numa há flores bonitas e perfumadas. Noutra notamos frutos que chegam a dobrar seus galhos e na última há somente folhas misturadas numa variedade de cores.

                         - Subiram então em um penhasco de onde podiam ter uma visão panorâmica e, o chefe perguntou ao seu escoteiro: O que você vê aqui de cima? – Chefe eu vejo apenas que essas árvores cresceram próximas e independentes, porém suas copas se fundem, produzindo uma única sombra. - Respondeu o escoteiro. – O chefe concluiu então: - Esse é o verdadeiro significado da amizade. Diferenças que crescem juntas, mas que quanto maiores mais próximas ficam, produzindo na força da união uma única “sombra”. Um único abrigo, um pomar de refazimento de forças e um refrigério para os olhos, para a alma e para o coração.

                         - Portanto meu caro Escoteiro saiba que os amigos são como árvores diferentes, mas que crescem próximas; refletindo uma única força, uma nova descoberta a cada encontro; é como a sombra que se dilata quando as copas das árvores se aproximam.

                       - E me afirmaram há muito tempo que BP ao ler esta lenda fez questão de mostrar que no escotismo somos uma grande floresta cheia de árvores copadas e que assim seremos sempre uma grande fraternidade de amigos. Faça você também desta lenda uma verdade, afinal somos todos irmãos.

Sempre Alerta 

domingo, 20 de novembro de 2016

Essa nossa vida é tão curta...


Essa nossa vida é tão curta...

              Pois é Otília, eu entendo sua tristeza por não ter conseguido tudo que pensou um dia em sua lide escoteira. O tempo em que ficamos neste mundo é tão breve... Existem tantas coisas boas, úteis, concretas e que, principalmente, estão ao nosso alcance e as deixamos de lado. Não lhe culpo, pode ser que não lhes damos a atenção necessária. Talvez por não acreditar que os momentos e os detalhes são únicos. Ou talvez por esquecermos que as oportunidades podem ser descartadas, mas dificilmente repetidas. Quem sabe esqueceram de você por ser quem é? Afinal você não correu atrás dos que podiam lhe dar o que mereces e seu sorriso não é de uma atriz daquelas que conquista corações.

             - Otília com seus olhos negros me fitava como se estivesse chorando por dentro. – Eu sei que sofres, continuei, mas lembre-se que vivemos nos queixando pelas grandes obras que não podemos realizar e deixamos de lado àquelas pequenas que nos são possíveis. Vivemos desejando asas, enquanto nossos pés nos convidam à pisar firmes no chão. Acreditamos que a nossa felicidade está naquilo que queremos e deixamos de amar o que possuímos.
Veja quantos como você passou por isto e não desistiram. Pelo menos você nesta parte venceu. Está aqui até hoje apesar de tantas contradições daqueles que confiou.

            Nossa vida é breve e temos muita coisa útil à realizar. De modo algum se justifica nossa busca por satisfações efêmeras, enquanto nossa realização está justamente naquilo que já é nosso. Devemos nos lembrar que passaremos por este caminho, este mundo, uma só vez.
Precisamos, portanto, aproveitar esta oportunidade única, breve... E olhe, mesmo que não acredite, sorria, pois a vida é bela demais para chorar!

Boa noite!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

E Leo Marcondes recebeu seu Cruzeiro do Sul


Lendas Escoteiras
E Leo Marcondes recebeu seu Cruzeiro do Sul

                  Leo Marcondes tinha o sorriso de um vencedor. Os lobos de Seeonee sorriam com ele. Lilian, a Bagheera lhe deu um forte abraço. – Leo estou orgulhosa de você! Eu sabia que você ia conseguir. Lembra-se do que lhe disse? Valeu o seu esforço. Rosaldo o Baloo, também foi lhe dar um abraço. – Parabéns, Leo Marcondes! Seu desafio foi vencido. Ainda terão outros na vida, mas este você lutou e conseguiu.  Aquele foi um dia de festa na alcateia. Lembravam-se quando, há três anos, Leo Marcondes chegou para ser lobinho. Ninguém acreditava que ia dar certo. Alguns foram contra e acharam que o grupo escoteiro não estava preparado. Foi assunto para o Conselho de Chefes e a discussão entrou noite adentro. Finalmente aprovaram a entrada de Leo Marcondes. Ufa! Ainda bem. Para os chefes da Alcatéia foi uma experiência fantástica.

                O que Leo Marcondes tinha de especial? Ele era portador da Síndrome de Down. Dona Etelvina, sua mãe, uma pobre faxineira nada entendia assustou-se quando os médicos lhe disseram quando ele nasceu. Nunca soube o que era a tal síndrome de Down. Dona Etelvina ficou grávida do seu antigo patrão que não assumiu. Ela nunca casou. Seu patrão mandou-a embora e ela não se intimidou. Conseguiu uma creche para Leo enquanto trabalhava. A creche nem sabia o que Leo tinha. Uma Assistente Social achou um absurdo Leo ficar misturado com outras crianças. Dona Etelvina moveu céus e terra para ele continuar. E assim o tempo passou.

                Quando fez sete anos, não havia escola para matriculá-lo. Sempre a mesma desculpa. - Não estamos preparados. Arlete ficou sabendo através de uma amiga em cuja casa dona Etelvina fazia limpeza uma vez por semana. Arlete era a Akelá de uma alcateia de lobinhos e lobinhas. Ela tinha uma vaga ideia do que era a Síndrome de Down. Não era um bicho de sete cabeças. Fora a aparência facial, o portador podia desenvolver quase todas as atividades normais de um menino comum. Seria até possivel em alguns casos haver um retardo mental leve ou moderado. Arlete se informou com médicos que conhecia. Disseram a ela que as crianças portadoras encontravam-se em desvantagem em níveis variáveis face às crianças sem a síndrome. Ela não sabia se Leo Marcondes tinha alguma anomalia que poderia afetar seu sistema corporal.

             Estudou diversas características e chegou à conclusão que Leo Marcondes poderia ser um Lobinho. Arlete não era fantasiosa. Nunca foi. Leu muito sobre grupos escoteiros que se dedicavam a pessoas portadoras de deficiências especiais. Sempre achou um trabalho formidável. Porque não tentar? Muitos acharam uma ideia absurda. O que vão achar os outros lobinhos? Como ele fará para acompanhar o crescimento de todos na alcateia? Eram somente senões. Ninguém para dizer: – Ótima idéia! Quando o conheceu ela sentiu uma enorme amizade e admiração por ele.  Tinha lido sobre o preconceito e o senso de justiça com relação aos portadores da Síndrome de Down no passado. Aprendeu que muitos deles se desenvolveram muito bem na escola e deixá-los fora do convívio social era um verdadeiro absurdo. Nunca tinha visto Grupos Escoteiros com jovens portadores de deficiência física. Por quê? A pergunta ficou sem resposta.

              Porque não serem os primeiros? Iria fazer tudo para que Leo Marcondes se desenvolvesse como os outros suas tarefas e habilidades. Entendia perfeitamente que crianças com Síndrome de Down devem ser reconhecidas como são e não como gostaríamos que fossem. As diferenças deveriam ser vistas como ponto de partida e não de chegada na educação escoteira. Se necessário, seriam desenvolvidas estratégias e processos cognitivos adequados. Não teve mais dúvida. Convenceu a dona Etelvina a matriculá-lo no Escotismo. Estranhou quando viu as dificuldades entre os chefes do Grupo. Muitos tinham dúvidas e não queriam assumir.

             Ela sabia que o apoio de um estabelecimento de ensino fosse público ou privado com programas de intervenção não existia na cidade. Sabia que a educação e experiência escolar ajudariam e muito a desenvolver em Leo Marcondes sua própria identidade, para além dos limites do lar. Conhecia uma professora muito amiga que a ajudou. Leo foi matriculado em uma escola. A amiga de Arlete prometeu lugar lutar para que os resultados fossem demonstrados aos professores e ele não fosse somente um caso especial. Ela conversou por muito tempo com Rosaldo e Lilian seus assistentes na alcateia. O apoio deles seria importante. Sabia que o cuidado que deveriam ter com ele seria diferente como os demais lobos. Não foi preciso mudar o programa. Ele deveria se sentir um igual. Não foi fácil. Leo Marcondes no primeiro dia ficou com medo de todos. Emburrado em um canto, não queria se enturmar. Fechou em si mesmo nas cinco primeiras reuniões. Quase chegaram a desistir. Foi Mirtes uma Lobinha a salvação. Alegre, espevitada, gritava, cantava e sabia fazer amigos. Ela foi até Leo Marcondes e logo se tornaram amigos.

               Dai para frente tudo fluiu para alegria de todos. Agora achavam que o caminho estava aberto graças a Mirtes. Quem diria! Na oitava reunião ele ficou o tempo integral. Até procurou o Baloo Rosaldo, dizendo que queria o uniforme. Rosaldo disse que o grupo escoteiro iria adquirir, mas ele teria que se esforçar mais nas etapas. Só assim poderia fazer a promessa e vestir o uniforme. Leo Marcondes não entendeu. – Quero o meu uniforme! Gritou. De novo Mirtes para explicar. Dizem que a suprema felicidade da vida é ter a convicção de que somos amados. Cinco meses e chegou o dia de sua promessa. Mirtes fez questão de ensinar frase por frase.

              Foi uma festa. Todo o grupo escoteiro presente. Os chefes da alcateia ficaram com medo de que, na hora, Leo Marcondes mudasse de ideia. Dona Etelvina não cabia em si de contente. Leo Marcondes foi convidado para dirigir o Cerimonial de Bandeira e proferir a oração. Ele de cabeça baixa disse em voz quase inaudível – “Senhor, senhor, senhor, ajuda todo mundo!” Olhou para Mirtes e sorriu. Mirtes foi correndo abraçá-lo. Todos muitos emocionados. Para surpresa Leo Marcondes não quis repetir A Akelá e disse tudo sozinho. Foi o início da virada para Leo Marcondes. Sua mudança foi da água para o vinho. Daí para o Cruzeiro do Sul foi um pulo. Sempre Mirtes mostrando o caminho a seguir.


                  Leo Marcondes conseguiu. Leo Marcondes venceu. Claro, muitos o ajudaram, mas Leo Marcondes provou que podia ser um e mostrou ser um grande Escoteiro quando passou para a Tropa.  Leo Marcondes cresceu, estudou virou um homem de bem. Soube que ele estava fazendo carreira política. Candidatou-se a vereador e foi eleito com boa margem de votos. Sua luta era em prol daqueles que diferente dele, não puderam ter a oportunidade que lhe deram. Soube também que ele comprou uma boa casinha para sua mãe. Dona Etelvina não precisava trabalhar mais. Nada faltava para ela. Leo Marcondes agora era o chefe da família. E assim Leo Marcondes virou herói.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Nicola.


Nicola.

                         - A vida passou e ele nem notou que ela tinha passado. Não tinha mais sonhos, perdeu a esperança e não acreditava em ninguém. Lembrou-se daquela tarde sombria no retorno do acampamento, uma fina garoa caia e sempre pensando em chegar a sua casa tomar um banho e ir dormir. E o amanhã? O mesmo de sempre? Nem um sábado para mudar o seu destino? – Ele se sentia sozinho. Ela já não estava mais ao seu lado mesmo morando na mesma casa e seu filho desapareceu nas asas da imaginação. Será que o homem que se esquece das suas próprias origens não esquece seu próprio nome? Tentava raciocinar olhar onde tinha perdido o seu passado e suas origens. Porque pensava assim? O que faz de um homem ser realmente um homem? Suas origens? O modo como veio ao mundo? Não adianta pensar que é como as coisas começam, mas como decidir em terminá-las. Sabia que tempestades não duram para sempre. Sabia que precisava ter esperanças, pois só elas eram mais forte que o próprio medo.

                        - Ela já nem sorria mais para ele. Eramos dois estranhos vivendo na mesma casa. E o passado? E as suas origens? Será que não valeu a pena? Será que esqueceu que um dia foram felizes? Quando olhava para ela pensava tantas coisas que hoje não pensa mais. Ele sabia que se quisesse que sua vida tivesse um novo sentido, um novo sabor, teria que ter fé, esperança e amor. Sabia que precisava disto, queria ter asas para sonhar, esperança para acreditar e fé para continuar. Lembrou-se dela sorrindo de azul com aquele chapéu encantado em sua promessa. Todos em volta aplaudindo. Ao receber o lenço ela lhe deu um abraço tão forte que nunca mais esqueceu. Tudo isto se foi? E ele quantas ações e reações enfrentou? Pensava que o maior presente que podemos dar a quem amamos é o conhecimento e valorização das nossas origens e tradições. Só sabemos para onde vamos se nos lembrar de onde viemos. Quem esquece suas origens está arriscando a se perder no caminho que escolheu.

                            - Vamos voltar no tempo? Ele perguntou. Sentiu que ela disse sim. Achou que ela queria mudar, queria sentir o passado presente de novo. Viu que ela dizia baixinho que não devia deixar o passado esquecido para sempre. Afinal não foram exemplos para aquela juventude que acreditou? Sorriu para ela. Se pensava que tudo estava perdido, devia haver uma nova trilha para recomeçar. Afinal se o sonho acabou foi porque se esqueceu de olhar para frente. Sentia-se sozinho e mesmo assim nunca deixou de acreditar. E porque desistiu? Será que estava cansado? Lembrou-se do Velho Chefe e seus conselhos: - Calma para tudo na vida haverá uma solução e se não houver Nicola... Crie-a. Olhou para ela novamente. – Vamos recomeçar? Ela o abraçou chorando e disse: - O dia passa muito rápido para perder tempo com sentimentos ruins. Afinal devemos amar as pessoas que nos tratam bem. O Rio que esquece sua fonte, seca. O homem que nega suas origens não existe.


                           - Voltaram. Os escoteiros os receberam de braços abertos. Como era bom ver os meninos e meninas sorrirem. Pensava silenciosamente: - E que venham novas histórias, novos sorrisos novas pessoas. Ela contente conversa com todos com aquele seu jeito que sempre amou. Foi à sede e viu na parede o mesmo comentário escrito em um papelão que não devia nunca ter esquecido: - “Do jeito que está ficando difícil viver hoje em dia, é melhor recorrermos aos poucos índios que ainda restam e pedir-lhes para nos ensinar a viver com simplicidade, pois não é a toa que eles vivem tanto, quem sabe por que não têm com o que se preocuparem”. Pois é... Desde que o homem descobriu a riqueza e o poder o mundo nunca mais foi o mesmo. Felizes são os índios em suas aldeias, pois ainda desconhecem este mundo conturbado. Jurou que agora seria Escoteiro para sempre!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

As névoas brancas do Rio Formoso.


Lendas Escoteiras.
 As névoas brancas do Rio Formoso.

O nada é a profecia da minha partida
o tudo é sopro que busca aquiescer
sou uma cor do arco-íris... Perdida
o lume solar na gota de chuva a correr
para beijar a névoa que deita escondida
a deleitar-se nos braços do amanhecer
Cellina

                      Fazia tempo, muito tempo quando a Patrulha Sênior descobriu as lindas e espetaculares cachoeiras do Rio Formoso. Eram incrivelmente belas. Ainda sem rastros humanos. Nonato disse para todos que precisava acampar ali. Três quedas simultâneas, um som imperdível das cataratas caindo sobre as pedras e dando outro salto no espaço. Em volta uma floresta ainda inóspita. A névoa se formava a qualquer hora do dia. Uma visão fantástica. Quando ele viu pela primeira vez estava com seus quinze quase entrando nos dezesseis anos. Descobriram por acaso. Uma jornada até o Serrado do Gavião onde existiam milhares de Folhas Secas. Um terreno vazio, sem árvores e muitas folhas. Era um mistério saber de onde vinham. Souberam da história. Vamos lá disse o Romildo Monitor. Patrulha Sênior, cheia de ardor, procurando aventuras, vontade de enfrentar desafios e nada como descobrir. Isto Está no sangue dos seniores.

                    O caminho iniciava na Mata do Tenente, famosa porque uma tropa do exército ficou vinte dias perdidos nela. Saíram com dificuldade, fracos e quase morreram. Bem, eles não eram escoteiros como nós. Risos. A mata não era um obstáculo e o rio também não. Dava para andar bem nas suas margens. Com quatro horas de viagem, viram uma bruma cinza que se espraiava no ar. A mata parecia que estava em chamas. Que seria? O ribombar da cachoeira os fez estremecer. Um espetáculo magnifico. Incrivelmente fantástico! A cachoeira formava redemoinhos no ar. Uma nuvem de vapor cobria certas partes da queda d’água. Os pássaros se deleitavam. Voavam de supimpa naqueles redemoinhos e saiam do outro lado molhados como se estivessem sorrindo. Não entenderam o porquê da névoa. O Rio Formoso era todo formado por quedas de diversos tamanhos e na falta delas as corredeiras davam outro brilho magnífico rio. Quem o batizou deveria ter sonhado muito com coisas belas, pois o Rio era formoso e um grande espetáculo.

                    Pretendiam chegar ao Serrado do Gavião ainda naquela tarde e se não parassem muito para descansar. Foi o espetáculo da cachoeira que os hipnotizaram. Sentaram numa pedra próxima e o barulho das quedas d’água eram tão intensos que mal dava para conversarem. O ribombar das águas batendo nas pedras eram imensos.  Romildo levantou e fez o sinal. Mochilas as costas. Foram em frente. Com tristeza, pois sabiam que na volta o caminho não seria o mesmo. Voltariam pela Mata do Peixoto já conhecida. Subiram nas pedras, olharam novamente, pois iam embrenhar na mata longe do Rio Formoso. Impossível prosseguir. Aquela cachoeira os hipnotizou. Parecia dizer para eles que não podiam deixá-la sozinha na noite que estava por vir. Pararam. Um círculo de seis seniores se formou. Ir ou parar? Seis votos a favor, nenhum contra. Todos escolheram e Romildo aceitou. Escolheram um local próximo à primeira queda para pernoitar. Não armaram barracas. Iriam dormir sob as estrelas em pedras lisas que as enchentes do Rio Formoso construíram. Sem sinal de chuva. “Vermelho ao sol por, delicia do pastor”. A noite chegou um jantarzinho gostoso foi servido pelo cozinheiro. Comeram ali mesmo olhando para as quedas no lusco fusco da tarde. Um espetáculo maravilhoso. Era uma visão dos Deuses.

                   Ficaram horas e horas sem conversar. O barulho era imenso. Cada um de meditava as maravilhas que são reservadas pelo Mestre. A noite chegou de mansinho, o espetáculo maior ainda estava por vir. Uma bruma em forma de nevoa branca foi tomando conta onde estavam e penetrando na mata calmamente. Ainda mudos. Cada um olhando. Aqui e ali um canto de um gavião procurando seu ninho. Israel acendeu um fogo. Pequeno. As chamas se misturavam com a névoa branca. Raios vermelhos das chamas ultrapassaram a nevoa. Que espetáculo! Um céu colorido como se fossem milhares de arco íris noturnos. Ninguém queria falar. Ninguém falou em dormir. Não sei quanto tempo ficaram ali. Estavam encantados com aquela névoa e esqueciam-se de quem eram e o que estavam fazendo ali.

                   Acordaram de madrugada. Amanhecendo. O rosto molhado com o orvalho que caia da bruma branca que fez companhia toda a noite. Cada um foi levantando. Arrumaram a tralha. Comeram biscoitos de polvilho. Olharam pela última vez aquelas quedas que os levou sem saber a um paraíso perdido daquele rio que chamavam de Formoso. Calados e mochilas as costas se puseram em marcha. Alguém olhou para trás, a névoa branca se dissipava. Deu para ver centenas de pássaros molhando nos respingos da cascata imensa. Durante horas ninguém falou. Sempre olhando para trás. Somente o pequeno trovejar ainda se ouvia das quedas que já haviam desaparecido no horizonte. Nunca mais voltaram lá. Ninguém voltou. Passaram uma cerca de “arame farpado” em tudo. O homem só o homem resolvia quem entra e quem sai. Já não havia mais a natureza, pois foi substituída pelos desmandos do ser humano. Aquele que mesmo chegando depois dela, diz arrogantemente: “sou o dono da terra, dono da natureza”.


Quanto ao Serrado do Gavião é outra historia. Não deixou tantas saudades como a Névoa branca do Rio Formoso. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A dor de uma saudade.


Lendas Escoteiras.
A dor de uma saudade.

                     Nunca tive preferencias. Era um Chefe que dificilmente dizia: Este é meu Escoteiro, este é meu monitor. Se todos fossem iguais a Pedro quem sabe João seria melhor. Mano Velho um negro de idade indefinida que conheci próximo de Crenaque tinha tal sabedoria que sempre que podia pegava o trem e ia até a casa dele, uma tapera de folha de bananeira e paredes de barro sobre bambus chineses. Sentado em um banquinho na porta de sua casinha e sempre pitando um cigarrinho de palha sorria mostrando que a maioria dos seus dentes já tinham partido desta para melhor. Foi ele quem um dia me disse: Vado Escoteiro quem mais precisa de ajuda não é o bom o disciplinado o feliz, é aquele que ainda não recebeu amor, não sabe ajudar o próximo e nem sabe fazer o bem. Este precisa de sua ajuda independente de quem seja. Um dia quem pode precisar da ajuda dele é você. Eu amava aquele Velho que nunca foi Escoteiro, mas tinha o escotismo no coração.

                    Mas não era só eu. Todo Grupo Escoteiro tinha um carinho especial por Maria Julia. Meninota dos seus treze anos apareceu um dia com uma velhinha de cabelos brancos andando com dificuldade amparada por uma bengala feita a mão de pau de aroeira. - Chefe eu vim aqui para ser uma escoteira, trouxe minha Avó Doinha, pois minha mãe já foi para o céu. Falou com tanta simplicidade que mesmo não tendo vagas no momento aceitei sem pestanejar. Ela aos poucos conquistou o coração de todos. Nunca há vi franzir o cenho, reclamar, pedir ajuda ou até mesmo falar rispidamente. A Patrulha Javali tinha sete Escoteiras. Sorriram quando ela chegou. Confesso que minha experiência não é pouca e sabia que poucos escoteiros poderiam me surpreender na sede ou em acampamentos. Já tinha visto de tudo o bastante para resolver qualquer problema que surgisse. Acreditei que era forte e um super Chefe até que tudo aconteceu.

                  Josélia Leal, monitora veio correndo me chamar. – Chefe o Senhor não vai acreditar, venha comigo. Ela pegou na minha mão e me levou próximo ao riacho onde Maria Julia sentada acariciava um Lobo Guará que lambia sua mão. Quando sentiu nossa presença o lobo fugiu embrenhando-se na mata. Era comum no cerimonial de bandeira passarinhos voarem sobre ela ou mesmo pousar em seus ombros. Ele me olhava com tanta meiguice como a pedir desculpas por eles. Não ficou muito tempo na Tropa e logo passou para as Guias que tinham por ela um ressentimento por seu estilo religioso e agindo como se fosse diferente das demais. Não era verdade. Ela nunca foi assim. Eu sabia que era dar tempo ao tempo e logo todas tornariam suas amigas. É aquele Velho ditado que não devemos julgar ninguém pelas aparências, mas sim pelo seu coração.

                 Foram quase três anos de convivência. Em dezembro quando íamos fazer a festa de encerramento, pois iriamos entrar em férias ela me procurou: - Chefe não sabe a falta que o escotismo me faz nestes meses de ausência. Sei que é necessário, mas eu queria aproveitar mais, não sei quanto tempo terei para ser feliz nesta fraternidade que amo. – Tentei dizer algumas palavras de entusiasmo, esperança, mas não sei por que não consegui. Há vi se despedindo de um por um. Deste o mais simples lobo ao Pai que na sede ajudava nas lides de escritório. Ela se aproximou de mim e me deu um abraço que senti o corpo tremer. Ela transmitia o amor sincero tão grande que me passava seu eu espiritual e eu nem sabia o que pensar.

              Dois meses depois voltamos às reuniões Escoteiras e naquele dia de retorno onde os cumprimentos e abraços eram parte não vi Maria Julia. Procurei a Chefe Renata perguntando. – Chefe o senhor não soube? Ela foi visitar uma tia em Verdes Mares sua Avó e ela pegaram uma carona com Zezito que bêbado caiu em uma ribanceira. Morreram todos! – Impossível! Eu não queria acreditar. – Chefe porque não me contaram? – Ela respondeu que não sabia. O acidente foi próximo à cidade de Verdes Mares e o veiculo acidentado só foi descoberto semana retrasada, quase um mês depois! Fui para casa sem saber o que fazer. Meu coração batia e eu pensava em maldizer os santos a Deus e a humanidade. Uma jovem como ela não podia ter este final trágico. Fui até onde ela faleceu e sentado em um barranco olhava o carro todo carcomido e amassado. Comecei a chorar.

               De olhos abertos eu vi uma nuvem no céu parecendo uma estrada cheia de flores e pássaros das mais diversas cores. Ela apareceu do nada e olhando para mim sorria dizendo baixinho como se só eu pudesse escutar: - Chefe não fique triste, o senhor deve viver sabendo que vai morrer um dia, e antes que isto aconteça não se esqueça de suas boas ações, ajude a quem precisa. Não despeça da vida como quem não soube viver direito. Tudo tem seu apogeu e seu declínio... É natural que seja assim, todavia, quando tudo parece convergir para o que supomos o nada, eis que a vida ressurge triunfante e bela!... Novas folhas, novas flores, na infinita benção do recomeço! Eu chorava e soluçava. Um homem crescido, vivido e agora me portava como alguém que revoltado não sabia compreender. Senti sua mão em minha fronte. Rezei. Pedi a Deus por ela e pedi perdão. Eu agora entendia que a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor!


                    Isto aconteceu há muito tempo. Aprendi muito com a filosofia escoteira. Agora eu sei que a árvore aceitou os desígnios da vida que lhe pediam serviço. Mas, quando se acreditou definitivamente despojada, notou que a divina providência a revestiu de folhas e flores novas, ao toque da primavera.

domingo, 13 de novembro de 2016

A Lenda da Piripirioca.


Lendas Escoteiras.
A Lenda da Piripirioca.

                     Foi em uma noite de lua cheia, acampado na Foz do Rio Tibiriçá que conheci Kaiowa, um índio da família dos Botocudos. Eu era meninote e ele troncudo não tinha mais que dezesseis anos. Não era a primeira vez que atravessei o Rio Doce entre Conselheiro Pena e Aimorés para acampar nas margens deste rio que sempre me seduziu pela sua beleza selvagem e misteriosa. Foi o meu primeiro acampamento que fiz sozinho, um desafio a mim mesmo se podia ou não sobreviver em uma floresta desconhecida. Kaiowa chegou sem pedir e sentou em volta do fogo. Nem levantou os olhos para me olhar. Era como se ali ele fosse o senhor daquela floresta e não tinha nenhuma satisfação a me dar. Fingi de morto e nada disse. Havia uma pequena chaleira com café quente nas brasas da pequena fogueira e ele com firmeza levantou o bico da chaleira e bebeu o café quente  sem reclamar.

                     Ficamos ali eu e ele calados e sem olhar um para o outro. Confesso que não tive medo. Sentia nele uma áurea de índio bom e isto trazia uma grande paz entre nós. Deste acampamento a “escoteira” (aquele que anda só) surgiu uma amizade que através dos tempos durou enquanto ele morou na Aldeia da Tribo “Manau”. Sempre que podia lá estava eu na curva da onça do rio Tibiriçá para ver de novo o meu amigo índio Kaiowa. Só uma vez me convidou a visitar sua tribo. Uma vez e nunca mais. Pediu-me segredo de tudo que visse e eu como bom Escoteiro disse a ele que tinha uma só palavra e  minha honra estava acima de tudo. Não perguntei por que, pois se ele queria assim devia ter um motivo muito forte para manter o segredo na tribo. Foi uma amizade de dois meninos homens que se manteve por muito tempo. Sempre ficávamos as noites até de madrugada em volta do fogo ouvindo o silêncio da noite ou mesmo suas histórias que contava quando lhe apetecia. Esquecia até mesmo o frio cortante do vento norte que subia o rio.

                  Kaiowa me ensinou muitas técnicas mateiras. Como pescar sem vara, Subir em árvores com timbiras em volta, o melhor cipó para amarras e até fez questão de me mostrar as melhores frutas da selva assim como plantas medicinais. Eu gostava das histórias que  ele contava de sua tribo. Foram dezenas delas nas noites com lua ou sem lua. Para um índio que pouco falava, ele adorava contar histórias.  A lenda da Piripirioca foi a ultima que me contou. Tivemos que dar adeus um ao outro depois que me casei e vida me levou para outros lugares nunca imaginados. Ele se serviu de mais alguns goles do meu café na chaleira e me contou em  forma de lenda a história da Piripirioca.

                 No seu estilo habitual cruzou as pernas, respirou o ar puro e fresco  da floresta. - Vado Escoteiro a tribo Manau vivia num lugar muito bonito desta floresta. Esta tribo era conhecida pela beleza das mulheres indígenas. Um dia um índio estranho estava pescando no lago próximo. Era Piripari que pescava pirás. Quando o bando de cunhãs (mulheres) da tribo Manau o avistou, elas se aproximaram para tentar conhecê-lo melhor. Uma delas falou: - “De que terra vens, ó moço bonito? Tu és lindo feito o amanhã.” - Piripari não as olhou, mas uma das índias botou a mão no ombro dele. Mal a mão tocou o moço, ficou toda perfumada. As cunhãs ficaram maravilhadas.

                   - “Moço, conta para nós qual é o teu segredo. Se não contares, o levaremos preso para nossa taba.” Mas, ele apenas gritou: “Meu nome é Piripari!” Ao gritar, ele pulou rapidamente no rio, e na linha de pescar levava três cunhãs. As outras moças pediam para ele não ir embora. “Piripari, não vás, somos amigas e te queremos bem.” Elas esperaram por muito tempo que ele voltasse. Sentaram-se na praia e esperaram longamente pelo moço. No entanto, Piripari não voltou. Apenas o seu cheiro ficou no vento, um cheiro embriagador que envolvia toda a floresta. Lá longe, Piripari libertou as moças presas à linha de pesca. Ele disse a elas: “Não queiram pensar no meu amor. Ainda não é meu tempo de amar, não me esperem mais, cunhãs.”.

                  - Apaixonadas, porém, as cunhãs permaneceram inconsoláveis na espera.
Depois de muito tempo, vendo a tristeza das cunhãs, apareceu na tribo um jovem feiticeiro chamado Supi. Querendo ajudar as moças, ele disse: - “Se o cabelo de vocês tocarem Piripari, ele ficará preso”. Quando a lua cheia vier, vão até a praia onde ele costuma ficar e cada uma leve na mão um fio de cabelo para amarrá-lo. ’ - No dia marcado, as cunhãs foram para o rio. Ela viram Supi que estava pescando. Supi puxava a linha e tirou um peixe. Ele enterrou o peixe na areia. A lua subia bem alto. Elas viram que o peixe virava Piripiri. As cunhãs, devagarinho, com os fios de seus cabelos amarraram Piripari. Elas vibravam de contentes.

                  - Enquanto elas o amarravam ele olhava para o céu e cantava uma linda cantiga, mas ele não se mexia. Elas então se queixaram a Supi: “Nós o prendemos, mas ele nem se deu conta.”- O feiticeiro tratou de tranquilizá-las: - “Enquanto ele está cantando a alma dele passeia pelo céu, entre as estrelas. Não toquem no corpo dele, do contrário ele desperta e a alma ficará no céu. Logo que ele despertar, podem levá-lo para casa.” - No entanto, Piripari demorava a acordar. As cunhãs começaram a perder a paciência e diziam: - “Acorda Piripari”. ’ - Puraê, uma das cunhãs, chegou a tocar no ombro num gesto muito impaciente.

                  - Neste momento, Piripari se calou e a lua tornou-se escura. Soprou um vento frio e as cunhãs caíram em sono profundo. Quando elas acordaram, no mesmo local onde haviam deixado o corpo de Piripari estava uma pequena planta, uma plantinha apenas, mas de um perfume encantador. Neste instante, Supi se aproximou: - “Me escutem, cunhãs Manaus. Quem quiser cheiro de encanto, use no banho esta planta que desde hoje passará a se chamar Piripirioca, a planta que nasceu de piripiri.” E Puraê, a cunhã mais desobediente, de castigo, caiu nos braços de um sapo cururu gigante. - As outras cunhãs, entristecidas, voltaram para a taba. Nunca mais Piripari foi visto à beira do rio ou cantando uma cantiga. Até hoje as caboclas da Amazônia usam a planta cheirosa para conquistar outros moços.


                   Nunca mais voltei às terras de Kaiowa. Nunca mais pesquei e acampei no rio Tibiriçá. O tempo se encarrega às vezes nos afastar daqueles que amamos. Não sei se Kaiowa ainda vive, sei que ele mora para sempre em meu coração e suas histórias ficaram marcadas em minha mente por toda a vida. 

sábado, 12 de novembro de 2016

Amargo Pesadelo.


Lendas Escoteiras.
Amargo Pesadelo.

                Dei a volta por trás do Morro do Cachimbo. Uma volta enorme, mas não queria ser visto. Não deixaria Zé Tadeu partir no trem rápido do meio dia sozinho. Não importa o que pensariam de mim, mas até hoje eu nunca acreditei na Policia que disse ser ele o culpado do roubo na casa do Senhor Pedrão gerente da Caixa Econômica. Dona Norma a vizinha jurou por todos os santos que o viu entrar pela porta da cozinha antes do meio dia. – Capitão Cirilo o Delegado comentou com o Chefe João Soldado que as provas eram muitas. Não havia como não enquadrar Zé Tadeu. Dizia ele que ouve outros casos, mas ele não tinha provas. Que casos? Eu nunca ouvi falar de nenhum. A Corte de Honra não acreditava e não queria condenar o Escoteiro mais querido da patrulha Quati.

                 Nunca eu vi tão baixo astral na Tropa Escoteira. Todos tinham Zé Tadeu como um dos melhores escoteiros que passaram pela Tropa e tinham por ele uma enorme admiração, não só pela sua maneira simples de tratar a todos, mas também porque ninguém ficava triste quando ele estava por perto. Zé Tadeu foi criado pela sua Avó Dona Anastácia, uma senhora de um coração de ouro. Quando a patrulha ou mesmo outros escoteiros da Tropa iam lá, ela não deixava de oferecer biscoitos de polvilho, brevidade e sempre a fritar deliciosos bolinhos de chuva. Ela vivia de uma pensão do marido falecido e nunca deixou faltar nada para Zé Tadeu. Diziam a boca pequena que ele era o melhor engraxate da cidade. Eu sei que com o fruto de seu trabalho ajudou Tonho Morato a comprar seu uniforme. Doou um cantil usado para o Pascoal Lacerda. Se fosse anotar um caderno não daria para escrever todo bem que ele praticava na tropa.

                 Perdi a conta de quantas vezes ele levou biscoito, banana, laranja e chegou ao ponto de comprar uma maçã para ao Cirilo só porque ele disse que gostava e não podia comprar. Cirilo desde que nasceu só tinha uma perna, a outra encurtada não o ajudava para andar.  E nos acampamentos? Era de uma bondade tremenda. Era um especialista em arrumar a tralha na carretinha quando íamos acampar ou excursionar. Oferecia-se para ficar na ponta do cabeçote de madeira onde o peso era maior. Quando menos se esperava ele fazia não só para sua patrulha, mas para outras também fossas de líquidos e detritos que só ele sabia fazer. Tomaz o cozinheiro tinha por ele enorme estima. Não deixava faltar água, lenha e sempre quando entrava na mata lá vinha ele com um mamão papaia do mato, ovos de codorna, taioba da beira da lagoa e frutas que ninguém conhecia.

                Ele não esperou o julgamento da Corte de Honra. Agradeceu a todos pela confiança logo depois que foi solto por insistência do Chefe João Soldado. A dúvida grassava em todos os escoteiros. Pelo sim pelo não sua Avó resolveu voltar para as terras que tinha no Piauí. Uma dor doida em muito de nós com esta partida. Ninguem combinou nada, até mesmo demonstraram que se ele quisesse partir que fosse, mas ninguém iria na estação dar adeus. Cheguei lá ressabiado. Fui de uniforme. Seria minha homenagem a ele para dizer que seriamos amigos para sempre não importa onde ele estivesse. – Vado Escoteiro, só entre nós sem comentar com ninguém. Fique de olho no Messias. – Por quê? Perguntei. – Por nada. Mas ele na Tropa pode aprontar para vocês um dia.

                 Em cada canto da estação a plataforma recebia um Escoteiro. Em pouco tempo a Tropa toda estava lá. Até o Chefe João Soldado compareceu. – Todos nós demos um grande abraço em Zé Tadeu e ele partiu choroso dando adeus através da janela do vagão de segunda classe. Fiquei matutando porque só agora ele me falou do Messias. Aos poucos fui ajuntando fio por fio da meada. Era um sumiço aqui outro ali e muitos quando Zé Tadeu foi acusado acharam que era ele. Não deu outra. Outro roubo aconteceu na casa do seu Modesto, vereador e dono da loja de roupas sem esquecer que era presidente do Rotary Club. De novo dona norma acusou Zé Tadeu. – Mas como? Eu disse se ele já tinha partido há dois meses?


               Ela levou o delegado ao grupo e apontou o Messias. – Mas a Senhora não disse que era o Zé Tadeu? – Seu delegado, este é o Zé Tadeu! – Messias saiu do grupo, a Tropa se reuniu para escrever uma carta em nome de todos ao Zé Tadeu contando a verdade acontecida. Nunca mais ouvi falar no Zé Tadeu. Ele fazia falta e como. Enfim a vida continua. Culpados e inocentes quem sou eu para julgar? De uma coisa eu tenho certeza, é preciso que a justiça aconteça no momento certo, porque de nada adianta ela se fazer depois que o tempo estancou a dor e fechou a ferida. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Histórias que a gente gosta de contar. A parábola da rosa.


Histórias que a gente gosta de contar.
A parábola da rosa.

                     O Chefe Conrado naquela noite em frente sua barraca nos recebeu com um delicioso cafezinho. Deixou-nos a vontade, pois à noite estava linda e o céu estrelado. Sorrindo falou em voz baixa: - Vocês sabiam que as pessoas desabrocham assim como as rosas? Ficamos olhando para ele espantados. – Saibam que precisamos aprender a ver a essência das pessoas, a beleza interior e não a beleza externa de cada um. Vou contar para vocês uma parábola que um dia ouvi de um mestre Escoteiro, quando sem querer em um vale florido ele começou a narrar uma historia que nunca tínhamos ouvido.

                    - Meus queridos escoteiros, um certo homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente e, antes que ela desabrochasse, ele a examinou: - Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinho sobre o talo e pensou: - Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados? – Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa, e, antes que estivesse pronta para desabrochar, ela morreu. – Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa. As qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos de nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos. Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior. Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e, consequentemente, isso morre. Nós nunca percebemos o nosso potencial. Algumas pessoas não veem a rosa dentro delas mesma; Alguém mais deve mostrá-la a elas.

                   Olhando na face de cada um de nós ele terminou: - Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Esta é a característica do amor — olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajuda-a a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições. Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, Elas superarão seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.”.

                  O Chefe Conrado piscou o olho e como um bom poeta que era finalizou: - Eu queria ser uma rosa branca, mas do que me adianta ser branca se ao ser branca deixa de ser rosa, por tanto permaneço em mim transparente e habitante do planeta amor, firme na idéia caule só pra ver aonde broto flor.


Sempre Alerta!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Uma cidade chamada Felicidade.


Lendas escoteiras.
Uma cidade chamada Felicidade. 

                 O Barão Franz Sebastian Denutz Nasceu em Regensburg no leste da Baviera. Seus pais quando conheceram Hitler se assustaram. Sua maneira de agir ao assumir o poder sentiu que tudo podia dar errado para sua família. O Barão estava com vinte e seis anos e sofria uma atrofia na perna o que doía horrivelmente. Médicos consultados não resolveram. Disseram ser uma doença incurável. Católicos e judeus tinham receio que quando Hitler mostrasse a que veio eles iriam perder tudo. Afinal ele e sua família eram judeus. Ele doente e Hitler falando em raça pura muita coisa ia mudar. Chamou toda a sua família para uma reunião. Explicou tudo. Falou sobre o Brasil. Poderiam comprar umas terras, plantar cana de açúcar e viver a paz que aquele país oferecia. Corria o ano de 1937. Em agosto daquele ano embarcaram para o Brasil a bordo do navio Chalupas.

                Chegaram a Santa Rita do Passa Quatro em uma tarde de setembro. O Barão Franz comprou no Rio de Janeiro um Ford 29, muito querido na época. O povo todo na rua para conhecer os novos visitantes. No dia seguinte foram conhecer as terras.  Eram 25.000 hectares adquiridos do Coronel Laviola. O Barão era incansável. Construiu um império. Não sabia como explicar, mas sua perna não doía mais. Ainda estropiada, mas sem dor. Em dez anos construiu uma grande Usina de Açúcar, plantou 150.000 pés de café e fundou uma cidade. Isto mesmo. “Felicidade” foi seu nome de batismo. Nos estatutos pouca coisa – 1ª’ – Nesta cidade todos serão felizes – 2ª’ – Todos serão bem vindos melhor ainda os jovens possuidores de necessidades especiais. Eram quatro ruas, calçadas com pedras de granito em formato de mosaico. As casas não tinham muros. Eram separadas por canteiros de flores. Naquela região o Barão Franz fundou o primeiro Grupo Escoteiro. O chamou de Grupo Escoteiro Estrelas Cintilantes. Disse que todos os participantes teriam direito a uma estrela e ser feliz. Todos os meninos e meninas portadores de necessidades especiais seriam bem vindos.

                   Dois anos mais tarde mandou construir em uma área arborizada diversos chalés que eram destinados a famílias com filhos portadores de necessidades especiais. Contratou na Europa diversos professores, médicos, pedagogos, para que desse toda a assistência que fossem necessárias aos jovens que ali agora residiam. Foi nesta época que nasceu Tim Tim Soneca. Ficou famoso em toda a região. Mudou todo a historia Escoteira que viria depois. O Barão tinha por ele um amor especial. Não o demonstrava, mas sabia que em pouco tempo iria ir desta para melhor ou pior, só Deus sabia. A família de Tim Tim Soneca morava em Santa Rita do passa Quatro. Quando ele nasceu foi uma surpresa. A parteira Dona Matilde nunca acreditou no que vira. Ele nasceu dormindo. Todos acharam que estava morto. Mas seu corpinho respirava. Não havia médicos na época. Só em Ribeirão Preto. Sem posses deixaram de lado.

                Vinte dias depois Tim Tim Soneca acordou. Deu um belo de um sorriso e disse – Bom dia! Que susto! Vinte dias de nascido e falando? Muitos que estavam na morada da Família Souza saíram correndo. A cidade toda veio para ver. Tim Tim Soneca estava conversando naturalmente com todos na casa. Disse que precisava dormir treze horas por dia. Ninguém devia acordá-lo. Dito e feito. Às seis da tarde ele dormiu e só acordou dia seguinte às sete da manhã. Quando o Barão Franz soube de Tim Tim Soneca ofereceu uma bela casa bem no centro de Felicidade. Não deu outra. Lá foram eles para uma nova história em suas vidas. O Barão queria Tim Tim Soneca ao lado dele. Queria educá-lo. Uma grande amizade surgiu ali. Aos sete anos Tim Tim Soneca entrou para os lobinhos, aos onze foi para os escoteiros. Na sede ele tinha um quarto. Quando dava a hora ele ia para lá e dormia suas treze horas. Nos acampamentos ele tinha sua barraca e os chefes sabiam que na hora ele tinha licença para ir dormir. Assim ordenou o Barão e assim era feito.

                      Tim Tim Soneca passou para os sêniores e depois os pioneiros. Em 1951 com vinte anos assumiu a direção do grupo. Sempre dormindo suas treze horas. Tudo aconteceu quando a cidade foi invadida por um bando de bandoleiros que há tempos saqueava cidades na região. O Barão estava velho. Não tinha mais aquela força do passado. A cidade foi subjugada pelos bandidos. Quando eles dominaram todos Tim Tim Soneca dormia. O Chefe do bando um tal de Periquito Dedo Duro achou estranho aquele marmanjo dormir assim. Tentou acordá-lo e não conseguiu. Mandou seus capangas o jogarem no Rio Mogi Guaçu. Tim Tim Soneca levou um baque. Acordou afundando na água turva do rio. Subiu a tona e viu uma turba de homens atirando nele. Nadou para a outra margem. Sentiu seu corpo encorpar. Sua pele ficou vermelha. Correu rio abaixo até a ponte da Laguna. Voltou a Felicidade. Uma luta sem trégua começou entre Tim Tim Soneca e o bando de Periquito Dedo Duro. A cada bandido um soco e ele caia para não levantar nunca mais. Periquito Dedo Duro soube que Tim Tim Soneca estava liquidando com seu bando. – Como pode um homem como ele vencer mais de oitenta bandidos?

                     O Grupo Escoteiro foi chamado pelo Barão. Meninos e meninas em cadeiras de rodas, muletas, mancando, uns pulando se reuniram na praça. Declararam guerra para os bandidos. Tim Tim Soneca já tinha mandado por terra mais de quarenta bandidos. Infelizmente o sono chegou de novo. Bem na Praça Tim Tim Soneca deitou na rua e dormiu. Periquito Dedo Duro sorriu. Correu até onde estava Tim Tim Soneca. Sabia que se desse nele um tiro toda a cidade iria ficar sem reação. Quando ele chegou em frente à Tim Tim Soneca que deitado na rua dormia, apontou a arma e ao puxar o gatilho recebeu uma paulada na cabeça. Toda a cidade saiu às ruas e armados com faca, enxadas, facões e paus atacaram a bandidada que saiu correndo de Felicidade. No dia seguinte um batalhão de soldados de Ribeirão da Ponte chegou à cidade. Prenderam todo o bando de Periquito Dedo Duro.

                   Nunca em tempo algum um Grupo Escoteiro formado só por excepcionais mostraram tanta coragem. O próprio Barão trouxe do Rio de Janeiro toda a cúpula do escotismo brasileiro. Foram medalhas de valor para todos. Tim Tim Soneca foi considerado o herói Escoteiro da cidade. Felicidade seguiu seu caminho. Mostrou ao mundo que quando se quer se faz só que nem todo mundo tem em suas fileiras um Tim Tim Soneca que quando acordado virou um herói, um forte e alguém que sabe fazer o que deve ser feito. Tim Tim Soneca até hoje tira sua soneca de treze horas. Agora investido no cargo do Barão que se aposentou, criou um corpo de oito homens, que carrega junto a ele dois colchonetes, pois se der sono, Tim Tim Soneca dorme onde estiver.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Enzo, o Monitor da Tropa Caapora.


Lendas Escoteiras.
Enzo, o Monitor da Tropa Caapora.

                   Enzo estava pensativo. Passaram duas semanas e na patrulha não se falava outra coisa. O Arthur ia passar para os sêniores no mês que vem. Arthur era Monitor. Todos acreditavam que o Murilo seu Submonitor seria seu substituto mesmo sendo norma a eleição na patrulha. A eleição sempre foi uma norma desde que a tropa fora fundada. Enzo sonhava ser um Monitor. Não foi primo e nem segundo na Alcatéia e acreditava que na Tropa seria um monitor ou Submonitor. Sabia que tinha de esperar sua vez e para isto sempre foi participativo no trabalho e nas ideias da patrulha. Eram grandes amigos, mas havia Julia uma escoteira. Ela também sonhava. Um dia ela disse para ele. – Enzo, eu também sonho em ser uma monitora. Os demais não tinham essa preocupação. Para eles tanto fazia ser como não ser. Enzo não entendia porque, afinal seu pai um dia disse para ele que quem fica parado é poste. – Siga seu próprio nariz se quer ser alguma coisa na vida, dizia o Chefe Tomaz. Era seu direito em sonhar e a Julia era páreo duro. Primeiro tinha um sorriso cativante e ele sabia que seria difícil alguém dizer não. Ela sabia conquistar e fazer amizades.

                 Arthur o Monitor achou por bem fazer um Conselho de Patrulha. Explicar sua saída para os seniores e combinar a data da eleição do novo Monitor. Arthur tinha suas vantagens e defeitos. Muitos o achavam mandão demais. Era sim um bom comandante, mas exigia demais. Quando na inspeção se a patrulha falhasse todos sabiam que ia haver sermão. Arthur não era participativo. Dificilmente comentava o que discutiram na Corte de Honra. Nas outras patrulhas havia comentários, mas na Tamanduá não. Robertinho da Patrulha Arara seu vizinho eram grandes amigos. Para eles não havia segredo e sempre comentavam tudo que ouviam na Tropa Caapora. Enzo nunca escondeu sua decepção com a patrulha no último acampamento. Não se classificaram tudo porque o Arthur dormiu mais do que devia e era sempre ele que acordava a patrulha. Resultado não deu tempo para preparar o campo e na hora da inspeção a tampa da fossa de líquidos estava quebrada, no fogão suspenso havia muita cinza, uma das barracas tinha a forquilha solta e isto bastou para que a patrulha ficasse em terceiro lugar. Enzo se sentiu arrasado. Contava com a classificação em primeiro.

                - Sabe Robertinho, disse Enzo – Eu queria ser Monitor, queria mostrar a todos como ser um Monitor eficiente. Ele leu um dia o que Baden-Powell escreveu sobre os monitores: - Quero que vocês, monitores, entrem em ação e adestrem suas patrulhas inteiramente sozinhos e à sua moda, porque para vocês é perfeitamente possível pegar cada rapaz da Patrulha e fazer dele um bom camarada, um verdadeiro homem. De nada vale ter um ou dois rapazes admiráveis e o resto não prestando nada. Vocês devem procurar fazê-lo todos positivamente bons. – Robertinho comentou que não era fácil conduzir uma patrulha. Cada Monitor tem um estilo. Veja o Joel nosso Monitor. Todos o acham paradão e se não fosse o Cassio o Sub a patrulha já tinha ido para o brejo há muito tempo. Enzo lembrou quando entrou para a tropa e o antigo Chefe Josias com sua barriga e suas pernas curtas nunca acompanhou como devia a tropa. Só sabia gritar e quando ia fazer algum comentário deixava todos de pé por vinte ou trinta minutos.

              - Ainda bem que ele foi embora e entrou o Chefe Marcelo. Ele é bom demais. Amigo, compreensivo, educado e só chama a atenção de alguém em particular. Na semana seguinte o Conselho de Patrulha votou que a eleição seria na próxima semana. Qualquer um poderia ser candidato. Arthur perguntou a cada um se queria ser candidato e só Enzo e Julia se apresentaram. Claro que ele aproveitou para fazer uma preleção sobre como devia ser o Monitor, mas não disse que deviam ser diferente dele. Ninguém reconhece seus erros só os acertos. Tudo ia bem quando na quinta o mundo de Enzo desabou. – Não era possivel! Ele pediu tanto a Deus e agora? Seu pai naquele dia entrou em casa sério, chamou Enzo, Norma sua irmã e sua mãe dizendo que tinha um importante comunicado da fazer – Entrou logo no assunto: - Fui transferido para Monte Azul. Meu salário terá um aumento considerável e lá serei o Diretor da Secretaria Fazendária. Enzo foi para seu quarto e chorou a noite toda.

          Nunca na vida Enzo chorou tanto. Queria tentar entender, mas sua mente só tinha uma preocupação: - Seu amor pelo escotismo e o sonho de ser Monitor. Sonho que estava tão perto! Naquele sábado as suas pernas não ajudavam. Enzo foi para a reunião com uma enorme magoa no peito. Mesmo com a mudança da família ser em janeiro ele não podia se contentar em ser monitor por tão pouco tempo. Seu pai iria antes. Quando chegou a sede viu a alegria tão conhecida, as patrulhas reunidas, muitos de pé lhe dando o Sempre Alerta, os lobinhos em uma correria sem fim. – Será que vou aguentar? Ainda faltam quatro meses para a mudança, mas eu conseguirei continuar aqui? Meu coração pesa, minha mente está em pedaços, meu Deus não sei o que fazer! A reunião começou. Enzo sabia que o Conselho de Patrulha para a eleição seria feita no final da reunião. Quando Arthur chamou a patrulha para se reunirem na sede, Enzo fechou os olhos e rezou pedido a Jesus que lhe desse força.

          Aberta a reunião do Conselho Enzo pediu a palavra. Contou tudo. Seus olhos estavam marejados de lágrimas. Não haveria volta ele ia partir. Durante segundos e minutos ninguém disse nada. Todos sabiam que Julia agora seria a nova monitora. Ela pediu a palavra – Patrulheiros, pela primeira vez eu senti que não seria digna de ser monitora, não neste momento. Se todos concordarem Enzo será nosso Monitor até janeiro quando vai embora. Acho que ele merece isto. Uma tremenda salva de palmas aconteceu. Até Arthur no alto de sua pose de Monitor, levantou da cadeira e deu um grande abraço em Enzo. Este não sabia o que dizer. Não sabia se chorava ou se ria. Monitor por um dia? Por meses? Porque não? Todos correram a abraçá-lo e jogá-lo para o ar. Se em todos os monitores do mundo existe uma força que o faria ser por tão pouco tempo um grande Monitor, Enzo não decepcionou.


           No dia da partida foi uma festa. Uma festa que ficou marcada na vida de Enzo para sempre. Partiu sorrindo e chorando. Deixar para trás a tantos que sempre amou não era fácil, mas eles foram dignos com ele. Mereciam que ficassem presos em seu coração para sempre. Se lá em Monte Azul não houver um Grupo de Escoteiros, Enzo faria tudo para que exista um. Coração de Escoteiro é assim, não desiste nunca. Não importa onde, não importa o lugar, Escoteiro é Sempre Escoteiro. Enzo foi um dos maiores monitores da história do escotismo. Esteja onde estiver eu sei Baden-Powell estaria orgulhoso dele!