Histórias e contos escoteiros.

Histórias e contos escoteiros.
Feitas para você se divertir!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Minha última conversa ao pé do fogo... Em 2014 é claro!


Minha última conversa ao pé do fogo... Em 2014 é claro!

                  Ontem sentei na minha varanda e esperava que quando viesse o entardecer caísse uma pequena garoa. Sempre acontece isto quando me sinto nostálgico. Mas não aconteceu. Quem sabe hoje na virada do ano? Bem aproveitei para repassar o meu 2014. Sempre nestas horas me pergunto: - Senhor até quando? Sei que ele sorri não diz nada, mas eu complemento: - Até quando o Senhor quiser! Foram centenas de dias, horas e minutos. Fazendo minhas caminhadas, vendo um ou outro programa de TV, ouvindo minhas músicas prediletas, sempre a correr para falar com os homens de branco, ouvir as mesmas coisas, afinal velhos também tem esperanças e sonhos. Mas me perguntam: - Sonhos? Esperanças? Claro que sim amigos, mesmo sabendo que amanhã ou hoje poderia ser meu último dia meus sonhos e esperanças existem e irão me acompanhar para sempre. Queira ou não foi um ano bom. Como sempre sem dinheiro pouca saúde, mas e daí? Eu precisava? Nunca precisei.

                 E porque foi um ano bom? Olhei para o céu não vi estrelas, mas reafirmei a mim mesmo que foi ótimo. Como diz o mineiro “mais maió de bão, tamanhusso e biteleza!” Consegui sobreviver. Conseguir escrever, consegui sonhar e o melhor de tudo fiz muitos amigos virtuais e pessoais. Cumprimentei pessoas que nunca tinha visto, voei nas minhas asas da imaginação a locais lindos, me encantei com tantos sorrisos dados por novos amigos. Aqui mesmo alguns me deram boa noite, bom dia, Sempre Alerta e até aqueles mais sabidos que me disseram SAPS! Não fiz inimigos, se fiz foi sem querer. Muitos opinaram nas minhas escritas, alguns gostando outros discordando. Tentei ser autêntico. Não sei se fui. Não tentei conduzir opiniões, mas deixar que outros conduzissem ao seu modo. Não entrei em outra seara que não o escotismo, pois ele faz parte da minha vida. Votei secretamente. Não me revoltei com políticos e empresários que aproveitaram da bondade de outros para enriquecer.

                 Ouve sim, crimes horrendos em todos os países, mas nunca pedi justiça para ninguém. Eu sei que ela vai existir um dia e Deus sim é o único que pode perdoar e ele vai perdoar não importa o grau dos culpados. Sei como funciona o poder entre os homens. Alguns dizem ser um poder do nada, do outro lado este poder é relativo. Lá nossos valores e importância serão o bem que fizemos aqui na terra. Revoltei? Um dia sim e outro não e quando aconteceu preferi orar em vez de criticar. Fechei os olhos para pensar que sem o mal o bem não tem condições de sobreviver. Pensei mais em coisas boas. Em minha linda esposa, nos meus filhos, na maçã vermelha que me deu o gosto da cereja em flor. Minhas noites foram ótimas apesar de acordar quase toda as horas. São coisas de velhos. Mas não dizem que ser Velho é lindo? É mesmo, desde que aceite suas condições de saúde e de vida. Ainda bem que Deus me deu condições de pensar, de criar histórias, de vivenciá-las como no meu passado.

                   Quem teve como eu a felicidade de ser Escoteiro, em uma época como a que vivi, sem obstáculos, sem marginalidade, sem empecilhos onde bastava um Escoteiro chegar correndo e dizer: - A tropa vai acampar! Era bom demais. Com a carrocinha ou não, com a mochila nas costas, cantil cheio, faca na direita e machadinha na esquerda, Chapelão na cabeça e olhar para o Monitor esperando ordens: - Para onde vamos Monitor? Podia ser para o Córrego do Onça, para as colinas do Morcego, para o Vale do Lago Feliz. Não importava. O bom era por o pé na estrada e viver! Sim viver ao ar livre, com uma bandeira ao vento, sem imposições, mas sempre digno da lei e promessa. Não posso reclamar. Fui feliz Escoteiro menino, fui feliz Escoteiro adulto. Ainda sou feliz como Velho Escoteiro.

                  Agora vamos entrar em 2015. Espero coisas boas, se vier ruins que venham. Faz parte da vida e não vou reclamar. Sei que meu anjo estará ao meu lado. Célia com seu sorriso faz parte de tudo que sou. Continuarei a escrever histórias, umas boas outras não, umas que a gente deixa rolar uma lágrima e outras não. Umas que faz a gente pensar e outras não. Cada dia será vivido como único. Em todos eles terei um sorriso nos lábios, e na mente sempre cantarei uma canção Escoteira. A de despedida não. Ela será minha última canção. Irei cantar a canção de amigos, de colocar as mágoas no bornal, de sorrir sempre, de saudar meu amigo BP, aquela que amo ao dizer que embaixo da árvore da montanha acampei. Vou cantar para minha patrulha e gritar a eles para avançar ao infinito. Cantarei o Rataplã marchando na trilha da felicidade, serei feliz em cantar todos juntos estaremos reunidos outra vez. Não terei mais uma fogueira para lembrar-me do Stoldola, ela é impossível hoje para mim. Mas não esquecerei jamais que tenho de voltar a Gilwell, preciso aprender mais e um curso assim que possa eu vou tomar. E antes de dormir, cantarei o Cucu o silencio da noite, pensando que no amanhã vou cantar a alvorada.

               2015 estão aí. Sempre agradecendo a Deus pelos amigos que já vivem em meu coração os que ainda irão viver. Sempre que possivel vou tentar levar a felicidade a todos e lembrar que um Escoteiro vive para amar e ser amado, que o amor não tem horas para existir. Nunca deixarei de postar meus sonhos, de um escotismo leal, amigo, fraterno, respeitoso, onde não existe o melhor e o pior. Sempre direi que somos todos irmãos fraternos, e que o escotismo faz parte daqueles que acreditam e que o gostoso de tudo é ser um Escoteiro irmão, fazendo tudo muito simples, onde não vai haver fronteiras para apertar uma mão esquerda. Nos meus sonhos não haverá imposições e ninguém vai ter receio da autoridade Escoteira. Não teremos burocracia para ir às montanhas, descobrir nascentes de águas cristalinas, e sempre com um sorriso nos lábios. Uma vez eu disse que gostaria de ter sido um mágico, quem sabe ser um Merlin da Corte do Rei Arthur, dos cavaleiros da távola redonda. Eu seria um semeador de felicidades, ou melhor, um mágico para levantar meu bastão e deixar que ele solte raios de felicidade, de amor, de bondade e jogar no coração de cada um que ser Escoteiro é muito mais, é ser feliz e fazer a todos  felizes.

QUE VENHA 2015! Estarei pronto a viver com ele até os seus últimos dias!

Beijos e abraços fraternos a todos vocês!   

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Uma mensagem para meus amigos e amigas. Fim de ano, a jornada continua.


Uma mensagem para meus amigos e amigas.
Fim de ano, a jornada continua.

                        Fim do ano. Não sei se deu resultados as mensagens que enviei através dos meus blogs, de meus contos e artigos Escoteiros nas redes sociais, mas tentei com todas as minhas forças, e a pequena experiência de 65 anos de escotismo transmitir aos meus amigos e amigas de tudo que participo o que seria o escotismo de BP. Um escotismo que muitos chamam de ultrapassado, mas é o que acredito. Talvez por ter vivido tudo isto e por não me adaptar ao moderno que muitos hoje fazem questão de postar como uma verdade absoluta. Gosto de escotismo de resultados não de escotismo de ficção. Se o moderno tem resultados merece meus respeitos. Resultados são homens e mulheres que passaram pelas fileiras Escoteiras pelo menos por dois anos e que trazem dentro de sí o orgulho de ter um caráter ilibado, uma visão social na sua comunidade, uma lealdade e respeito para com o próximo, uma palavra honesta que todos acreditam e vive em paz com todos principalmente com seu coração.

                    Lutei em muitas frentes sem temer adversidades. Considero-me amigo de todos não importa o grau que ele ache que tenha no escotismo. Isto para mim nunca fez diferença, pois acredito que somos todos iguais. Muitos acreditaram nas minhas palavras e a estes agradeço. Outros não acreditam e claro a eles também agradeço por ser uma critica feliz. Sem uma oposição a democracia nunca vai prevalecer. Respeito e respeitei a todos os membros do escotismo. Muitos atacaram minhas ideias e minhas histórias e eu lhes sou grato por isto. Mostrou-me que não sou unanimidade. Quando agradamos a todos muitas vezes perdemos a humildade de reconhecer que somos simples seres humanos e mortais. Minhas histórias contam lendas, mas lendas que poderiam muitas delas ter sido verdade. Mostrei meninos de todas as idades, pioneiros, chefes e dirigentes fazendo um escotismo leal sincero e profundo.

                  Meus blogs onde posto meus contos e artigos escoteiros atingiram no seu total mais de 170.000 visitas. Pouco é claro comparado com grandes blogs que atingem facilmente a marca de um milhão. Mas eu falo sobre escotismo, sobre como é gostoso ser Escoteiro, como é bom ter uma bandeira do Brasil solta ao vento em uma montanha, em florestas encantadas, em um vale feliz, em campinas verdejantes deste nosso enorme país. Não sou de deixar de escrever o que penso, respeito aos dirigentes Escoteiros Brasileiros até onde eles merecem ser respeitados. Nunca deixarei de comentar o que penso do que fazem no escotismo e mesmo não concordando com muitas de suas ações eu rezo todas as noites para que o escotismo no nosso país atinja todas as camadas sociais, que ele seja levado de norte a sul por igual, que não haja privilégios para ricos ou pobres, pois todos nós somos irmãos e iguais perante as leis.

                    Que o ano de 2015 seja a continuação da luta por um escotismo grande e forte. Espero que eu ainda esteja presente neste ano fazendo o que sempre fiz. Sei que não posso mais andar e correr com a juventude em um Grupo Escoteiro. Mas uso minhas palavras e minhas ideias que não são minhas, mas de Baden-Powell para levar a todos a boa nova que o movimento Escoteiro oferece. Que Deus me dê forças para continuar escrevendo.

               A todos vocês meus amigos e amigas de todas as idades e nações, meu abraço fraterno. Faço questão de juntar meus calcanhares num gesto simbólico e dizer meu Sempre Alerta alto e feliz a todos vocês. Amigos ou não. Que meu aperto de mão esquerda seja útil nesta jornada que caminhamos juntos. Cada um com seu trabalho cada um acreditando que o escotismo pode fazer de nossos jovens um orgulho para o futuro desta nação.

SEMPRE ALERTA!    
Chefe Osvaldo Ferraz. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A bravura de um herói

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A bravura de um herói

Um conto baseado na historia de Caio Vianna Martins

Teço pensamentos abstratos,
de heróis que não conheci.
Heróis que moram na memória esquecida,
mas que inundam de orgulho
a biografia de uma nação.
Entre batalhas furiosas
e mortes anunciadas,
erguem-se ilustres destemidos
vitoriosos.
No seu sangue,

Heróis que moram na memória esquecida,
mas que inundam de orgulho
a biografia de uma nação.
Entre batalhas furiosas
e mortes anunciadas,
erguem-se ilustres destemidos
vitoriosos.
No seu sangue,
a história sofrida de quem ousou
ser escudo da raiva esforçada
por vencê-los!
E contrariando prévias derrotas,
saíram vencedores, de forma distinta
em todas as conquistas.

                 Volto meu pensamento para o passado. A um hiato entre a história e a realidade. Não faz tanto tempo assim, mas existem lacunas que tento completar e não é fácil. Muitos heróis alcançaram a fama, o estrelato mostrando seus pontos fortes e levando uma palavra de esperança de um futuro melhor. Temos aqueles heróis do passado, das grandes pelejas, e eles em tempo algum se compararam aos feitos como Aquiles, o maior defensor de sua cidade. (as Ilíadas). Tróia sobreviveu. Foi um fato da história assim como também sobreviveu na mente de todos nós o que se passou com o bravo e valente monitor que nunca será esquecido e sempre lembrado na memória dos escoteiros.

              Dizem que os heróis surgem em tempos difíceis quando as oportunidades aparecem, outros dizem que os heróis não se fazem, já nascem assim. Não sei se Caio Vianna Martins mudou a história escoteira com suas palavras. Quem o conheceu nunca diria que um dia ele seria um Herói. Poderia ver na história da humanidade, heróis que se fizeram. Dandara no Brasil, quem já ouviu falar? Esposa do Zumbi dos Palmares foi uma guerreira feroz e brava defensora de um quilombo. Maria Quitéria disfarçou-se de homem para lutar na guerra da independência brasileira. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, única brasileira homenageada no Museu do Holocausto.

            Quem por acaso já ouviu falar delas? Ou de Heitor Villa-Lobos, maestro e compositor famoso, ou Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes? E finalmente Alberto Santos Dumont. Claro todos já leram sobre ele e seus feitos. Esse introito foi para lembrar-se do nosso herói. Brasileiro e Escoteiro. Não é uma historia cheia de surpresas e sim cheia de valores. Eu aprendi que nós controlamos nossa atitude ou será que é ela quem nos controla? Heróis são as pessoas que fazem o que tem de ser feito, quando tem de ser feito, independente das consequências. Encontrei tudo isto em Caio Vianna Martins. Poderia contar outra, mas Caio percorreu com sua fama os anais da glória, desde os tempos outros até o limiar do nosso século.

         Falar de Caio Vianna Martins é voltar ao passado. Um passado de glória, de um valente Escoteiro que nunca será olvidado porque está presente em todos os corações escoteiros, todos que um dia fizeram sua promessa. Muitos até hoje discutem sua frase, tão bela, dita em hora tão difícil em sua vida. Nem todo os escoteiros conhecem sua história. Ele se tornou um marco para nós. Não foi um mito e nem uma fantasia como muitos dizem, mas sim um fato, uma realidade e que o transformou em nosso herói!

Quando o conheci pela primeira vez, não passava de um jovenzinho magro, raquítico, de um olhar profundo, sem se importar muito com sua aparência. Não diferia dos demais jovens. Brincava, ria e como estudante não era o melhor, mas também não era o pior. Lembro quando entrou em minha sala e pomposamente me chamou de senhor professor. Claro, era uma obrigação na época, mas nos seus olhos vi um brilho que somente aqueles que se sobressaem têm.

            Eu lecionava no Grupo Escolar Visconde do Rio das Velhas. Lá o conheci em meados de 1930. Para dizer a verdade, quem o visse não diria o que ele seria um dia. Com seis anos completados, ainda não tinha ideia dos escoteiros. Na cidade de Matozinhos em Minas Gerais não havia Grupos Escoteiros. E ele é claro nunca pensou que um dia fosse entrar e viver sua maior aventura, que terminou com sua celebre frase e que ficou para sempre gravada na historia escoteira. Ficou poucos anos na escola que lecionava e seus pais mudaram para a capital do estado. Caio se matriculou na escola Barão do Rio Branco e não sei por que ficou ali pouco tempo. Logo se transferiu para o colégio Arnaldo e mais tarde no Afonso Arinos. Dizem que a lenda é feita de mitos e fatos. Na vida juvenil de Caio não existem tantos fatos assim que justifiquem a lenda. Num sábado, Caio resolveu assistir a uma partida de futebol em seu colégio. Viu pela primeira vez e ficou fascinado com a reunião de uma tropa de escoteiros. Nunca tinha visto nada igual.

            Ficou toda a reunião ali, com os olhos pregados nos jovens escoteiros. Na sua mente só pensava que precisava ser um deles. Tinham belos chapéus, belos uniformes, um lenço no pescoço seguro por um anel de couro, e cada um portava um bastão de madeira. Fizeram jogos, correram, gritaram e o que mais agradou a Caio, o sorriso estampado nos lábios dos escoteiros o tempo todo. Foi para casa e sabia que agora ser escoteiro para ele era ponto de honra. Caio era um obstinado. Tanto falou que seu pai o levou numa tarde de maio e o matriculou. Caio simpatizou logo com seu chefe Clairmont Orlando Gomes. Assim como também com o chefe Rubens Amador. Em casa sempre comentava com seus pais como eles eram. Amigos, prontos a ajudar, pareciam irmãos mais velhos do que chefes escoteiros. Gerson Issa Satuf era de outra patrulha. Caio sempre na Patrulha Lobo. Ele gostava de todos os membros da tropa, mas tinha um carinho especial com sua patrulha.

            A alcateia quase não dava as caras, pois suas reuniões eram em horários diferentes. E quem sabe seja por isso ele nunca soube que ali havia outro lobinho que seria lembrando por muitos e muitos anos por tudo o que aconteceu naquele dia fatídico. Mas vamos falar um pouco de Hélio Marcus. Ou melhor, Hélio Marcus de Oliveira Santos. Um lobinho recém-admitido amava com todas as forças sua matilha amarela, e um tagarela tanto na escola com os amigos, na alcateia e em casa com os pais. Hélio tinha nove anos. Fazia mais de um que entrara para os lobinhos. Sorria pouco, mas como falava. Era um entusiasta e sempre era o primeiro a chegar e o ultimo a sair. Um dia durante um jogo do Kim (onde se colocavam na mesa diversos objetos, os lobinhos observavam por minutos e tinha de lembrar pelo menos da metade). Ele se lembrou de todos os vinte e quatro objetos. Todos. Ficaram perplexos. Como perguntou a Akelá. Ninguém soube responder. Nem o próprio Hélio.

          Em setembro fizeram um acampamento, próximo onde hoje é cidade de Contagem, que faz parte da grande Belo Horizonte. Era um sítio de outro amigo e chefe do grupo. Era também um alto dirigente do escotismo mineiro, um grande escoteiro chamado Francisco Floriano de Paula. Mestre, Reitor e doutor, fez do escotismo mineiro um grande marco na historia da União dos Escoteiros do Brasil. Foi um dos que colaborou na formação da UEB na época dividida em varias federações. Escreveu grandes obras, mas destacamos o Para ser Escoteiro. Uma marco introdutório para os jovens escoteiros iniciantes.

        O acampamento teve a duração de quatro dias. Os lobinhos ficaram acantonados na casa sede. Os escoteiros a uns 500 metros, próximo a uma pequena mata e um riacho de águas claras e límpidas e que hoje é conhecido por Rio Arruda. Nada a ver com o hoje com o de ontem. À noite fizeram um grande jogo noturno. Duas turmas, cada uma com duas patrulhas. Uma turma ficava na defesa e outra no ataque. (eram 24 escoteiros). Os atacantes tinham de se camuflar de maneira tal que pudessem passar sem ser percebidos em uma área de 100 metros, por uma passagem de mais ou menos 30 metros. Os defensores estavam armados com bolinhas de barro mole e se acertassem os atacantes estes eram considerados mortos. 

        Caio tirou toda roupa, ficou só com um calção preto. Pintou-se todo de negro. Rastejando, como uma cobra, passou fácil pelos defensores que guardavam a passagem. Ninguém o viu. Foi o único que conseguiu. Os demais foram todos descobertos e mortos. No dia seguinte, ele não conseguiu tirar a pintura do rosto quando da inspeção e ficou marcado no acampamento como “cara guaxinim”. À noite, após o fogo do conselho, o chefe Clairmont convidou todos para deitarem na relva e observarem a movimentação das estrelas e constelações. Um espetáculo inesquecível. O chefe Clairmont mostrava onde ficava cada uma das constelações e como deveria ser observada nos meses subsequentes. Isto facilitaria muito numa provável tomada de rumo, quase que perfeita se um dia viessem a se perder. Estava tão entretido na explanação do chefe que nem notou ao seu lado o Escoteiro Gerson Satuf. Cochilava parecendo estar com um sono enorme. Eram mais de onze da noite.

         Isto me foi contado pelo chefe Clairmot, quando nos encontramos seis meses após o desastre. Foi na Praça Raul Soares em um encontro regional de professores do Estado. Não tínhamos uma grande amizade e nem sei por que o assunto veio à baila. Mas o desastre foi de proporção nacional e todos inclusive eu gostaria de saber de detalhes. Muito me foi narrado. Até mesmo a promoção de Caio a monitor. Ele não esperava. Era novo na patrulha e quem sabe por ser o mais alto e mais velho (já estava com 14 anos), foi escolhido. Naquela época BP comentava em seu livro Escotismo para Rapazes que os mais velhos sempre são mais respeitados pelos mais novos.

        No mês de novembro de 1938, a Comissão Executiva do Grupo Escoteiro Afonso Arinos, programou uma excursão técnica-cultural até São Paulo. Nem todos participaram. Somente seis lobinhos, doze escoteiros, três pioneiros, o chefe Clairmont o chefe Rubens e mais dois da Comissão Executiva. Uma delegação de vinte e cinco membros. Caio convenceu seus pais a ir. Era um só sorriso e sua mente vibrava em conhecer São Paulo. Caio sonhava com a viagem. Passou noites e noites pensando como seria São Paulo, já considerada a maior cidade brasileira. Embarcaram à tarde na estação de Minas, um imponente prédio em estilo neoclássico. O primeiro relógio público de Belo Horizonte ali foi instalado no alto da torre da estação. Em frente está uma bela praça, a Rui Barbosa, onde se encontra o “Monumento da Terra Mineira” uma linda estátua de bronze que representa a conquista do território mineiro pelos entradistas e bandeirantes e os mártires mineiros.

        Quem um dia for visitar este imponente local, não deve deixar de ver os dois leões, que foram encomendados ao artista belga Foline. É um belíssimo trabalho esculpido em mármore. Durante o embarque aquela alegria contagiante que todos os escoteiros têm. Muitas canções, muitos “Anrê”, muitos gritos de patrulha. Alguém já me disse que são “coisas” de escoteiros esta cantoria quando viajam. Conseguiram um vagão especial de primeira classe, que ficava no meio da composição de onze vagões no seu total. Na partida, uma grande palma escoteira ecoou quando o Condutor, o velho Gabriel, com seus bigodes imensos, seu uniforme impecável, e seu boné bem colocado na cabeça, começou o seu périplo em todos os vagões. Uma rotina de anos, seu inconfundível apito para anunciar a partida do trem, e agora ali depois de percorrer os vagões da frente pedia educadamente – Bilhetes! Bilhetes! E todos estavam sorridentes, com ele a mão para ver como ele picotava e perfurava numa manobra de deixar todos os passageiros embasbacados.

       A viagem era longa. Era uma volta enorme. Iriam até Volta Redonda e lá pegariam o rumo de São Paulo. Volta Redonda era uma bifurcação. Em frente à estrada de ferro seguia para o Rio de Janeiro. Retornando São Paulo. Quase 20 horas em um trem sacolejante, mas que seria motivo de alegria e felicidade se tudo corresse conforme os planos. Caio dormitava em uma poltrona e sempre acordava olhando pela janela a fumaça e ouvindo o matraquear das rodas que seguia o trem apitando aqui e ali ia cortando montanhas. Quando me contaram de Caio, seus olhos abrindo e fechando de sono, naquela viagem que seria sua última, penso como seria bom estar junto a ele. A Maria Fumaça sempre foi um dos meus amores quando jovem. Margeando um rio, com seus apitos estridentes, uma parada em uma pequena estação, alguns saltam outros sobem. O cheiro do trem ninguém esquece. As fagulhas lançadas no ar, as paradas nas caixas d’água para matar a sede da locomotiva. E os guarda-pós? Usei muitos. Não sei por que, todos brancos.

     Muitas vezes alguns funcionários da ferrovia passam despercebidos. Se pudessem observar a estratégia do manobreiro, da simplicidade do guarda-chaves alterando o percurso do trem, da destreza do maquinista, do esforço do foguista alimentando a fornalha sempre faminta, do trabalho do pessoal da soca, a fazer os reparos necessários e o do fiscal de linha garantindo a segurança da viagem. E ali naquele vagão de primeira classe, dormia vinte e cinco escoteiros. Vinte e cinco almas cujos destinos estavam traçados. O relógio não parava. Onze da noite, meia noite, uma hora. Clairmont fez sua ultima inspeção no vagão. Todos os escoteiros e lobinhos dormiam a sono solto. O destino estava escrito. E como disse alguém, do destino ninguém foge. Não poderia ser mudado. Nada em tempo algum poderia fazer com que a história fosse outra. Em sentido contrário, descendo a serra da Mantiqueira, u cargueiro seguia a todo vapor como a desconhecer o que iria encontrar a sua frente. Não se sabe até hoje porque o chefe da estação João Aires não parou o trem, ou se esqueceu do noturno, que sofregamente começava a subir a serra.

       Qual seria o sonho de Gerson Issa Satuf? Ou de Hélio Marcos de Oliveira Santos? Ou do próprio Caio Vianna Martins? Difícil saber. Poderiam estar sonhando com seus irmãos, seus pais, ou mesmo sendo preparados lá no alto por anjos protetores do desastre que iria acontecer em seguida. Em uma curva Jonas o maquinista do noturno, que era conhecido como o Coruja, pois nunca dormia a noite, viu o cargueiro que se aproximava em sentido contrário a toda velocidade. Mario Duarte também viu o noturno, Mario era o maquinista do cargueiro. Mais de vinte anos fazendo aquele caminho. Nada poderia impedir o desastre. Nada. A velocidade do cargueiro era grande e ambos os maquinistas sabiam o que ia acontecer. Os freios rangeram, os apitos soaram e a batida veio forte. Estrondos se fizeram ouvir. Vagões foram expulsos da linha, jogados em uma ribanceira. Eram duas horas e cinco minutos da madrugada. Uma madrugada que entrou para a história. Um engavetamento monstro se formou. Alguns vagões ficaram irreconhecíveis. 19 de dezembro. A cinco dias do natal. Ano de 1938.

           O carro dos escoteiros saltou dos trilhos e atravessou para a direita. Outro carro colidiu com ele engavetando e o partindo ao meio. O vagão prensado deitou-se em um barranco sendo comprimido por muitos outros. Gritos. Pedidos de socorro, tudo escuro, não se via nada. Noite sem lua. O chefe Clairmont e o chefe Rubens acordaram e sentiram tudo. Estavam apenas com alguns arranhões. Atônitos viram o desespero dos passageiros. Gritos de socorro, gemidos, o barulho da colisão agora se fazia em menor escala. Clairmont e Rubens se puseram na ativa. Ali começou seu trabalho de escotistas na hora do perigo. Os chefes Escoteiros sabem que um dia terão de agir e esta hora chegou para Clairmont e Rubens. A seu modo eles também foram heróis. Poucos se lembram deles. Seus nomes foram esquecidos. Reuniram todos os jovens em um ponto da estrada. Deram falta de Hélio Marcos e Gérson Issa Satuf. Procuraram e os encontraram mortos embaixo de escombros.

          Impossível descrever tudo nos seus detalhes mais íntimos. Era uma carnificina. Feridos gritavam e a escuridão não ajudava na localização. As duas patrulhas e os pioneiros fizeram uma grande fogueira. Usaram madeiras destroçadas dos vagões. A única luz que ali poderia ajudar naquela hora fatídica. O pânico reinava.  Clairmont e Rubens batalhavam. Com os pioneiros e escoteiros que nada sofreram socorriam os feridos, fizeram macas para os casos mais graves e o resgate prosseguia, mas agora mais devagar. Caio cambaleante ajudava em tipoias, estancando sangue de feridos, e até ajudou na remoção de cinco até o um vagão dormitório que permaneceu intacto e serviu de pronto socorro. Caio havia recebido uma forte pancada na região lombar. Quase não comentava a dor intensa que sentia. Só às sete da manhã chegou o socorro com médicos e enfermeiros da cidade de Barbacena.

         Fora uma madrugada terrível. Os passageiros que nada sofreram trabalharam incansavelmente. Clairmont e Rubens estavam esgotados. Não pararam um só instante. Dois heróis. Dois homens que tinham a carisma dos grandes heróis anônimos que surgem e nunca são lembrados. Quando a maioria dos feridos tinha sido removida, viram Caio claudicando, sentindo dores terríveis. Tentaram levá-lo. Ele não aceitou. Disse e apontava para as vitimas que pareciam em estado mais grave e dizia, há muitos feridos. Eu não estou tão ferido como eles. Recusou a maca.

       A história como disse é cheia de fatos heroicos. Eles surgem assim do nada. Caio Vianna Martins é um deles. Nunca pensou que ficaria como o grande herói do escotismo nacional. Não disse suas belas palavras por dizer. Saiu naturalmente. Viram que ele estava cambaleante, e seus olhos piscavam. Seus lábios tremiam uma golfada de sangue saiu de sua boca e mesmo assim não deixou em tempo algum que o carregassem. Disse para todos o que ficaria como a mais bela frase já dita por uma legião de heróis – “Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Ajudem os outros, eu sou um Escoteiro e o Escoteiro caminha com suas próprias pernas”!

         Saiu caminhando e desfaleceu quando chegou à cidade de Barbacena. Morreu horas mais tarde em consequência dos rompimentos das vísceras e de uma intensa hemorragia interna. Poucos o ouviram pronunciar essas palavras. Alguns escoteiros e alguns enfermeiros. Elas foram comunicadas a nação e ao mundo graças a dois homens públicos que lá estavam na hora. Eles foram testemunhas da história. Alcides Lins e Otacílio Negrão de Lima. Este último ficou conhecido como um grande político mineiro. Eles ficaram impressionados com o que viram. Não só pelas palavras de Caio como a ação dos escoteiros na ajuda aos feridos. Levaram aos jornais o que tinham assistido. O mundo inteiro ficou sabendo que o Brasil também forja homens e jovens com a desenvoltura de Caio Vianna Martins e seus amigos escoteiros. As manchetes dos jornais e rádios correram por toda a parte. Reconheciam no gesto de Caio Martins um fato marcante na mente dos jovens que fazem parte desta nossa bela fraternidade. Caio foi escolhido e eleito como o símbolo Escoteiro no Brasil.

            Seu nome ficou gravado na história. Praças, monumentos, e até um estádio de futebol tem seu nome. Estádio Caio Martins. Sua fama faz parte do nosso orgulho Escoteiro. Ficamos ali sentados na praça eu o chefe Clairmont por horas. Vi em seus olhos lagrimas furtiva, que correram em sua face quando me narrou toda a epopeia. Completou dizendo que Caio Vianna Martins, Gerson Issa Satuf e Hélio Marcos de Oliveira Santos, foram sepultados em uma tarde de dezembro, véspera de natal, no cemitério Bom Fim, na zona norte de Belo Horizonte.   
     
           Hoje seu Grupo no Colégio Afonso Arinos não existe mais. Mas ali um placa de bronze é vista por todos do herói e seus amigos
Escoteiros pelos alunos que por anos e anos cursaram suas salas. Esta é uma historia contada aqui e ali em pedaços imaginários e reais. Caio e seu gesto foram uma realidade. Ninguém pode duvidar. Escoteiros pelos alunos que por anos e anos cursaram suas salas. Esta é uma historia contada aqui e ali em pedaços imaginários e reais. Caio e seu gesto foram uma realidade. Ninguém pode duvidar. Suas palavras nunca serão esquecidas e servirão sempre como uma diretriz para todos nós escoteiros. O Escoteiro é alegre e sorri nas suas dificuldades.

                      Em memória a Caio Vianna Martins, Gerson Issa Satuf e Hélio Marcos de Oliveira Santos, saudemos no panteão da glória e dos heróis nacionais com o nosso:
SEMPRE ALERTA! E tiramos o chapéu com o Grito de guerra da União dos escoteiros do Brasil – Anrê – Anrê – Anrê! – Pró Brasil? Maracatu! 

“Há muitos feridos aí. Deixe-me que irei só. Ajudem os outros, Eu sou um Escoteiro e o Escoteiro caminha com suas próprias pernas”!

Estoicismo
(Noticia publicada em jornais em todo Brasil)

Passou provavelmente despercebida, nas notícias pormenorizadas sobre a última catástrofe da Central, a serena coragem daquele pequeno Escoteiro, uma criança de quinze anos, que estando gravemente ferida, os que o queriam levar em maca para o hospital, dizendo com um sorriso de homem forte: "Um Escoteiro caminha com suas próprias pernas". E caminhou. E foi, mas foi para morrer, poucas horas depois, no leito em que o colocaram para uma tentativa de salvação. Este menino de quinze anos honrou o nome e deu um exemplo a todos os Escoteiros do País. E mostrou a muita gente grande que um Escoteiro sabe sorrir para morte que o acompanha de perto.
Se um dia for erguido qualquer monumento ao "Escoteiro Desconhecido", a lembrança do estoicismo desta criança resumirá a bravura de uma geração de Escoteiros do Brasil.
                                                                                                   
                 Descrição: Grupo Escoteiro Tabapuan


Nota do autor
Em julho de 1973, na cidade de Matozinhos, comemorando o cinquentenário de nascimento de Caio Vianna Martins, fizemos a entrega da medalha de Valor ouro, post-mortem a Caio Viana Martins através de seu irmão ali presente. Foi uma cerimônia simples, com altas autoridades executivas, educacionais e políticas. Presentes mais de 600 escoteiros mineiros e uns poucos convidados de outros estados que ali fizeram o primeiro acampamento da fraternidade. Abaixo uma foto da solenidade.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Contos de Natal O natal do fantasma Simão o Caolho!


Contos de Natal
O natal do fantasma Simão o Caolho!

“Se você errou Se você errou, peça desculpas...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?”

              Manezinho estava de olhos arregalados. Nunca sentiu tanto medo na vida. Ele nunca deveria ter concordado com Zózimo seu amigo deste que nasceu. Afinal poderiam ter esperado o dia seguinte e não após as dez da noite encontrar sua patrulha que acampava no Riacho da Lontra. Eles amavam acampamentos e sempre querendo aproveitar o máximo. Liberato o Monitor saiu as duas de sexta um dia após o natal. Eles não puderam ir, precisavam participar de uma cerimônia na igreja. Combinaram de chegar lá por volta da meia noite. O acampamento duraria até segunda, pois era feriado municipal emendando com  natal.  Ambos vieram ao mundo no mesmo dia e na mesma hora. Eram vizinhos de parede e meia. Sua mãe amicíssima da mãe dele. Ambas lutavam para sobreviver, ambas perderam o marido para a capital. Disseram que lá iriam melhorar de vida e mandar uma carta para elas encontrarem com eles. Carta que nunca chegou. Passavam a maior parte do tempo juntos enquanto suas mães saiam para trabalhar. Eles se divertiam, faziam brincadeiras e quando entraram na pré-escola foi como se nova vida se formasse.

                 Um belo dia viram uns lobinhos brincando na praça, ficaram lá por horas e um deles contou como eles deveriam fazer para entrar também. As mães sempre bondosas foram com eles ao Grupo Escoteiro. O tempo foi passando e Manezinho e Zózimo amando aquela nova vida Escoteira. Faziam tudo juntos tanto nos lobos como quando passaram para a tropa. Só aceitaram a passagem se ficassem na mesma patrulha. Já com seus treze e quase quatorze anos fizeram juntos a Jornada. Receberam a primeira classe no mesmo dia. Para eles era escotismo na terra e Deus no céu. Suas mães tanto insistiram que eles fizeram o catecismo juntos e ambos agora eram coroinhas ajudando nas missas salvo quando iam fazer atividade Escoteira. Deixaram isto bem claro para o Padre Nonô. Agora estavam ali, só os dois na Estrada dos Afonsos. Uma pequena estrada de terra com cercas de arame farpado dos dois lados. Já haviam percorrido três quilômetros. Faltavam outros quatro. Lembraram-se da curva do Demônio. Deus meu! Eles iriam passar lá por volta da meia noite!

“Se você sente algo diga... É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar”?

                 Zózimo olhou para Manezinho. Seus olhos esbugalhados nada diferiam do seu amigo. Ele se lembrava de como morreu na curva do Demônio o Simão, que todos chamavam de caolho. Não fazia muito tempo quem sabe uns dois anos. Simão era um pobre coitado sempre a sorrir e a fazer continência para os Escoteiros. Nunca falou palavrões conforme os loucos de algumas cidades falam. Só vivia sorrindo e isto enfureceu Norberto, Tonico e Malaquias. Norberto tinha 19 anos um vagabundo, mas filho do prefeito Ladislau. Tonico era filho de Dona Iracema advogada de todos os grandões da cidade. Malaquias era um coitado. Não era nada apenas um puxa-saco dos dois amigos. Um dia se enfezaram com Simão o Caolho. Disseram que ele se fez de bonito com Dolores convidando-a para um passeio. Não deu outra. Jogaram ele na picape e o levaram até a curva do Demônio onde o mataram a pauladas. Lá já havia uma cruz de outro que morreu do mesmo jeito. Ninguém sabe quem foi, mas os três amanheceram em suas camas mortos com as mãos e as línguas cortadas.

                   Todo mundo conhecia a lenda da curva do Demônio. Nas noites de lua nova ninguém passava por lá. Se fosse era para encontrar com a figura fantasmagórica de Simão o Caolho. Eles olharam para o céu. – Diacho disse Manezinho, a lua era nova!  Deram as mãos pedindo a Deus que os protegessem naquele dia de natal. Não deu outra, lá na frente Simão o Caolho, parecendo um espantalho jogava pedras em três figuras horrendas presas no arame farpado da cerca divisória. Simão quando os viu parou. Eles tremiam feito varas verdes. – Deus do céu, protegei aos seus filhos deste demônio! Disse Tonico. Simão olhou para eles – Chorava – Não entendem meu infortúnio? Eles me tiraram a vida! Não devem pagar pelo que fizeram? Os presos no arame eram horrendos. Todos eles sangrando, gritando para parar, pedindo perdão. Simão não parecia gostar do que fazia. Era uma alma atormentada e mesmo não querendo só fazia por vingar.

“Se alguém reclama de você, ouça... É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você”?

                  Não se apiedem deles! – Disse Simão. Eles tiraram minha vida! Eles tiraram tudo que eu tinha e o que eu poderia ter um dia. Não devem pagar? Simão não ria como os fantasmas faziam. Era um sorriso triste, não dava gargalhadas. Estava sofrendo e não sabia como evitar. Zózimo e Manezinho não sabiam o que dizer. Pensando em sua promessa, onde diziam que ajudar o próximo sem esperar nada era a obrigação de um Escoteiro. Ajoelharam – Olharam para Simão – Manezinho se lembrou de uma passagem na bíblia que leu muitos vezes – “E aproximou-se (Jesus_ um leproso que, rogando-lhe e pondo-se de joelhos diante dele, lhe dizia: Se queres bem pode limpar-me).” – E completou – Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nos, e ajuda-nos. E Jesus disse-lhe? Se tu pode crer, tudo é possivel para os que crêem! Uma forte luz aconteceu. Manezinho e Zózimo ficaram estupefatos! – Uma criança sorria no ar, olhou para Simão, sorriu para ele. – Com uma voz doce e amiga disse – Simão, tudo na vida tem um começo e um fim. Sem o perdão você não vai conseguir ir para o céu! Um trovão se fez ribombar nos céus. Os três malfeitores se soltaram. Ajoelharam e chorando disseram – Perdoa Senhor!

                   A claridade em volta da curva do Demônio era um balsamo para aqueles vencidos e vencedores. Ouviram a voz do menino clara e em bom som: - Ide, procurem ajuda na seara do Senhor! – E você Simão, sei que choras se perdoou também será perdoado! – Um clarão enorme aconteceu. O céu voltou a ficar cheio de luzes das estrelas. Não havia mais ninguém ali. Simão e seus matadores se foram. Competia agora eles fazerem por merecer. Manezinho e Zózimo partiram para seu acampamento. Sabiam que agora a curva do Demônio acabou. Eles a chamariam a curva do Menino Jesus. Do alto da montanha viram o campo da patrulha. Iluminado, lá embaixo os patrulheiros em volta do fogo declamavam: -. Noite de Paz... Na noite mais linda encantada, um menino que de luz é revestido, vem trazendo a esperança desejada, mas nem sempre é por nós reconhecido!


- Sempre alerta patrulha! Ainda cabe mais um neste fogo! E todos sorriram e uma enorme estrela apareceu no céu. Os Escoteiros agora estavam protegidos pelo menino Jesus!

“Se alguém te ama, ame-o... É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida... Mas, com certeza, nada é impossível”...

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Contos de Natal O Tenente Dante da Marinha do Brasil teve sua noite de natal.


Contos de Natal
O Tenente Dante da Marinha do Brasil teve sua noite de natal.

¶ Qual cisne branco que em noite de lua Vai deslizando num lago azul.
O meu navio também flutua Nos verdes mares de Norte a Sul. ¶
               Fora seu sonho, desde criança sonhou em ser um marinheiro. Jurou que um dia seria. Resolveu ser Escoteiro do mar. Gostava de ficar na praia olhando o horizonte e vendo um ou outro barco passar. O seu chefe fora almirante, quantas histórias para contar. Quando eles acampavam ele ficava esperando a noite chegar só para sentar em volta de uma gostosa conversa ao pé do fogo e ouvir com a maior atenção as histórias do Chefe Mascarenhas. – Era uma vez... Ele assim começava as suas histórias. Era uma vez eu estava em uma pequena fragata. Navegamos em águas calmas proximo as “Águas da Morte”. Diziam ser uma versão do Triângulo das Bermudas. Sempre contavam ser um lugar amaldiçoado.

             -  Nosso Almirante era um homem calmo e não acreditava em maldições e nada o assustava. Foi então que percebermos que fragata começou a girar, a girar e todos a bordo se agarraram e se amarraram onde fosse possível. Os ventos começaram a soprar forte. Relâmpagos cruzavam o céu. Havia uma mística que mesmo com águas calmas e tempo ensolarado de um segundo ao outro surgia uma maré. Ela quase destruiu nossa fragata. Eu achei que não ia viver. Todos nós achamos. E de repente, e de repente o sol voltou a brilhar. O vento ficou calmo e os trovões desapareceram. Eu nunca acreditei em coisas do outro mundo, mas daquele dia em diante nunca mais duvidei. – Todos nós Escoteiros do mar em volta do nosso Chefe ali na praia em uma conversa ao pé do fogo ficamos sem folego. – E o Chefe Mascarenhas completou – Quando retornamos ficamos sabendo que todos os anos, embarcações dos mais diferentes tipos afundam nas “Águas da morte”. Os que se acreditaram que com um dia calmo e mar azul poderiam atravessar se foram para sempre. Não sabiam que era um local voluntarioso, onde tempestades demoníacas ocorrem do nada, em dias de sol e de mar calmo!

¶ Linda galera que em noite apagada Vai navegando num mar imenso
Nos traz saudades da terra amada Da Pátria minha em que tanto penso. ¶

                        Eu fazia de tudo para aprender com meus chefes a arte de um escoteiro do mar. Fazia tudo para conseguir conhecimentos práticos e teóricos para conseguir as especialidades de Arrais Amador, Mestre Amador e Capitão Amador.  Eu sonhava o dia que iria colocar meu uniforme de um Oficial da Marinha do Brasil. Meu Chefe me incentivava e me disse que se estudasse muito poderia entrar na escola especializada para formação de oficiais (EFOMM). Eu sabia que para entrar não era fácil e se conseguisse iria estudar em regime de internato por três anos. Se tudo desse certo poderia sair sendo um Oficial da Marinha. Não deu outra. Estudei e entre na escola de formação de oficiais. Sentia-me orgulhoso com o uniforme de cadete bem parecido com o meu de Escoteiro do mar. Era um cadete estudioso, prestativo e orgulhoso do que fazia. Em três anos me formei e após um treinamento como Fuzileiro Naval vesti meu uniforme de sub. tenente da marinha. Agora estava apto para começar meu treinamento naval. Valeu e muito. Adorava tudo. Era disciplinado e nunca disse não para as ordens dos meus superiores.

                        Eu amava o escotismo, mas nos primeiros meses não tive a menor condição de estar junto com meus irmãos Escoteiros. Dizem que a vida não é igual para todo mundo. Meu mundo era colorido e eu amava o que fazia. O que aconteceu então? Até hoje me pergunto por que caí naquele abismo sem fim. Conheci uma moça, linda, sabia tudo sobre escotismo e marinharia. Contava-me que seu pai foi um grande Almirante e faleceu sozinho em um quarto do hospital das forças armadas. Disse-me que seu pai morreu de AIDS. Isto irritou seus amigos. Eles não aceitavam. Eu me apaixonei por ela. Ela me vendia horrores da Marinha. O que eu amava eu passei a não acreditar mais. Não comparecia a ordem do dia e fui preso e expulso da marinha. Eu chorei como chorei. Mas Naldinha me consolava. Dizia que era melhor assim. Eu tentei voltar para os Escoteiros, mas meu próprio grupo não me aceitou. Ficaram sabendo do meu procedimento e diziam que um Escoteiro do mar não procede assim. Eu e Naldinha começar a naufragar. Não no mar, mas nas asas do vício maldito. Ela morreu dois anos depois de uma overdose.

¶ Qual linda garça que aí vai cruzando os ares Vai navegando
Sob um belo céu de anil Minha galera Também vai cruzando os mares
Os verdes mares, Os mares verdes do Brasil.¶.

              Um dia passei no portão do Grupo Escoteiro. A meninada do mar se divertia em um gostoso jogo e meu deu uma saudade enorme. Entrei na sede. Todos pararam o que estava fazendo. Era como um silêncio profundo e doído acontecesse na alma daqueles Escoteiros do mar. Tentei correr dali, minhas pernas falharam. Cai e bati a cabeça no cimento do pátio. Dois lobinhos e uma assistente correram para me ajudar. Chamaram uma ambulância e fui para um hospital comum. Recuperei minhas forças. Notei que Norma estava sempre lá a me visitar. Era uma assistente de lobinhos linda demais. Eu não esquecia Naldinha. Eu não esquecia nada. Eu só sabia chorar e afinal me perguntava: - Você é um homem ou um rato? Dizia isto em voz alta e Norma sorria. Não sei por que ela me deu forças. Hoje recuperei um pouco da minha coragem. Nunca mais fui o marinheiro que sonhava, mas agora era um Escoteiro do mar. Arrumei um emprego e hoje sou um Chefe de uma tropa que amo demais. O que aprendi ensino a eles com alegria. Eles me amam e eu amo todos eles.

                       Não adianta chorar e reclamar da vida. A luta é renhida e os fracos não tem vez. Não vou errar mais. Casei com Norma, somos felizes e mesmo lembrando de vez em quando da minha vida de cadete e quase oficial de marinha não me arrependo do que fiz. Aconteceu, não dá para mudar ao destino. Tudo para nós acontece uma só vez. E assim vamos aprendendo a cair e levantar. Hoje é um dia importante em minha vida. Carlinhos meu filho de sete anos como eu vai ser um Escoteiro do mar. Ele vai fazer sua promessa. Eu disse a ele que a vida era dele. Ele tinha de lutar sozinho por um lugar ao sol. Quando ele fez sua promessa de lobo Norma pegou na minha mão e apertou. Vi seus olhos cheios de lágrimas, lágrimas de orgulho. Ela sabia que eu faria tudo para que Carlinhos vencesse na profissão que escolhesse. Não direi a ele para ser um homem do mar. A vida é dele. Deixa-o crescer aprendendo a fazer fazendo. Neste natal eu quero agradecer a Deus o seu milagre. Poderia ter morrido, mas não morri. Se eu perdi não sei, mas ganhei uma família, uma não duas, Norma e Carlinhos e meu maravilhoso mundo dos Escoteiros do mar!    

¶ Qual linda garça que aí vai cruzando os ares Vai navegando
Sob um belo céu de anil Minha galera Também vai cruzando os mares
Os verdes mares, Os mares verdes do Brasil. ¶.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Contos de Natal. E Sofia fugiu de casa na noite de natal!


Contos de Natal.
E Sofia fugiu de casa na noite de natal!

Em algum lugar além do arco-íris bem lá no alto
Tem uma terra que eu ouvi falar Um dia numa canção de ninar

                - Sofia, hora de dormir, não fique emburrada. Amanhã Papai Noel vai deixar muitos presentes para você! – Não quero! Não quero o que pedi vocês não me deram. Diga a Papai Noel que leve tudo de volta! Eu só quero ser uma lobinha e vocês não deixaram. - Zenaide riu e apagou a luz. Sabia que ela ia dormir logo e amanhã com seus presentes seria só sorrisos. – Sofia sentou na cama quando sua mãe saiu. Ela tinha tomado uma decisão. Demorou mas para ela não tinha outra saída – Iria fugir de casa! – Afinal não era mais uma menininha, já ia fazer sete anos e se sentia dona de si. – Vou esperar todos dormirem e eles nunca mais me verão! – O dia estava amanhecendo, Sofia sorria. Ela estava em uma linda estrada cheia de flores, tinha rosas, jasmim, violetas e um perfume maravilhoso. O sol estava nascendo quando ao seu lado apareceu um Coelho, enorme, sorrindo. – Veja Sofia eu também sou um Escoteiro e vou levar você para a terra Maravilhosa onde moram todos os escoteiros!

¶ Em algum lugar além do arco-íris Os céus são azuis
E os sonhos que você ousa sonhar Realmente se realizam ¶.

               Sofia não cabia em si de contente. Ela conhecia os coelhos e sabia que todos eles são bondosos e não ia lhe fazer mal. – Quer um biscoito Sofia? Disse o Coelho. – Como você chama senhor Coelho? – Eu Sofia? Em me chamo Shere Khan, sou da Alcateia dos sonhos. – Sofia sorriu novamente. Começou a comer o biscoito, não estava com fome, mas não ia desapontador o Shere Khan. Na curava daquela linda estradinha ela avistou uma oncinha parda. Ela estava chorando. Sofia se aproximou: - Porque choras Oncinha? Sofia eu me chamo Hathi. Pois é Hathi, veja aqui tudo é lindo, as flores são belas e o céu de um azul sem igual! – Não precisa chorar em um lugar tão bonito! - Você não sabe? Respondeu Hathi. Choro pela sua mãe, pelo seu pai, pelo seu irmãozinho Nequinha, eles sentem falta de você! Estão tristes na casa que você os deixou! – Mas eu vou voltar Oncinha, eu vou voltar um dia, só quero ser lobinha por algum tempo! – O Coelho Shere Khan fingia tristeza, mas ele por dentro sorria. Ele nunca mais iria deixá-la voltar para casa. E os três continuaram na estrada até que avistaram um enorme castelo. Negro, nuvens cinza cobriam seu teto. De vez em quando uma chama de fogo subia aos céus.    


¶ Um dia vou fazer um pedido pra uma estrela E acordar bem além das nuvens
Onde problemas derretem como gotas de limão Acima das chaminés
É lá que você vai me encontrar Em algum lugar além do arco-íris Pássaros azuis voam
Pássaros voam por cima do arco-íris Então por que, por que eu também não posso? ¶

                 Sofia parou assustada. O Coelho  Shere Khan gritou – Não pare, naquele castelo tem chocolate, tem sorvete, tem tudo que gostas e não tem agora! Hathi segurou com a pata o seu ombro. Não vá Sofia, vais encontrar uma feiticeira má, ela vai te prender na masmorra e nunca mais vai sair. O Coelho  Shere Khan respondeu? Não acredita em mim Sofia, afinal sou um protetor dos lobinhos. - Ele mente Sofia, ele não é seu amigo, nunca foi – Disse Hathi. – Sofia viu o castelo mudar, ficou branco como a neve, uma fumacinha com cheiro gostoso de almoço da mamãe saia da chaminé. Sofia foi. – Entrou no castelo. Quis voltar e não pode. Uma mulher magra, com um chapéu cônico na cabeça dava gargalhadas. Obrigado Shere Khan, vamos ter um lauto almoço. – Um clarão se fez. Um enorme leão apareceu. Juba enorme, todos sabiam da sua força. – Nela ninguém tasca! Berrou o leão. Venha comigo Sofia, sou o leão da montanha e amigo do lobo Akelá. Vou te proteger!

 

¶ Um dia vou fazer um pedido pra uma estrela E acordar bem além das nuvens
Onde problemas derretem como gotas de limão Acima das chaminés
É lá que você vai me encontrar Em algum lugar além do arco-íris Pássaros azuis voam
Pássaros voam por cima do arco-íris Então por que, por que eu também não posso? ¶

 

                 O Leão da Montanha pegou Sofia pela mão, deu um enorme urro e saiu do castelo levando Sofia e a Oncinha Hathi. Estava escurecendo, ela não viu mais o Leão da montanha. Ele tinha partido e não avisou. Hathi a oncinha também não estava ali, agora sozinha na estrada Sofia teve medo. Não havia lua, não havia estrelas, estava tudo escuro. Sofia começou a chorar. Não se sabe de onde milhares de vagalumes começaram a voar em volta de Sofia. Tudo ficou claro. Uma enorme Coruja pousou em seu ombro. – Não chore menininha. Vou levar você para a casa do Duende Cor de Rosa. Lá você poderá dormir e descansar. Tenho certeza que o Duende que se chamava Balu recebeu Sofia com um sorriso. – Vamos comer mocinha, amanhã vou levar você de volta para casa. Não sentes saudades? – Sinto Senhor Balu, mas ando muito triste minha mãe e meu pai não fazem nada do que peço. – Balu olhou nos olhos de Sofia. – Quantos anos tem mocinha? – Sou dona de mim Senhor Balu, já vou fazer sete anos! – Hummm! Pensou o Balu. E seu pai e sua mãe quantos anos têm? Minha mãe tem vinte e oito e meu pai trinta e dois.

¶ Se felizes passarinhos azuis voam Para além do arco-íris Por que, oh por que eu também não posso? E andaremos horas inteiras, sob o sol quente de verão! E pisaremos sobre a poeira que se eleva fina do chão! Longo é o caminho, longo, longo, Mas andaremos sem parar! Duro é o caminho, duro, duro, Cantemos para não cansar! ¶

              - É Sofia, você está ficando velha, veja no espelho e me diga, não está velha demais? – Sofia olhou em um enorme espelho da sala. Ela estava velha, cabelos brancos. – Esta aí não sou eu respondeu Sofia. – É sim disse o Balu. É você mesmo, afinal você não disse que sabe tudo? Não disse que já é dona da sua vida? Não fugiu de casa pensando que não precisava de ninguém? – Sofia começou a chorar. Chorou tanto que acordou no colo da sua mãe que a beijava. – Não chores meu amor. Sua mãe está aqui! Venha, já amanheceu o dia, vá ver seus presentes e não esqueça o envelope na árvore de natal!- Sofia desceu as escadas correndo. No envelope estava seu maior presente. A autorização para ela ser lobinha. Todos queriam que ela fosse no proximo sábado. – Sofia correu e pulou no colo do seu pai que sorria, sua mãe veio e os três ficaram abraçados e Sofia agradecendo seus sonhos. No alto da escada ela viu com muito amor o Balu, a Bagheera e Hathi. Todos sorriam para ela!

¶ E se os espinhos cortam a estrada E se o cansaço nos ferir, Que nossa voz se eleve mais forte, Pra mais alegria sentir! Longo é o caminho, longo, longo, Mas andaremos sem parar! Duro é o caminho, duro, duro, Cantemos para não cansar! 
E se a estrada é longa, imensa, Não poderemos esquecer, Que ela nos leva à luz, alegria, Verdade e ideal de viver! Longo é o caminho, longo, longo, Mas andaremos sem parar! Duro é o caminho, duro, duro, Cantemos para não cansar! ¶

 


Toda letra aqui descrita é  da canção  - 'Over the Rainbow' do filme O Mágico de Oz!