Histórias e contos escoteiros.

Histórias e contos escoteiros.
Feitas para você se divertir!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Um fantástico dia do Escoteiro. 23 de abril, um dia que nunca mais esqueci!


Um fantástico dia do Escoteiro.
23 de abril, um dia que nunca mais esqueci!

Foram tantos dias do Escoteiro que vivi... Tantos demais.  Hora de fazer a mente voltar no tempo... Quanto tempo! Quer saber? Tempo demais. Eu não sabia que era meu dia, nem deduzia que tínhamos o dia do Escoteiro. Podem acreditar era verdade, só fui saber naquele acampamento da Patrulha na Serra da Garça Branca. Acho que é por isto que nunca mais esqueci aquele dia. Ficou marcado para sempre em meu coração. Eu acreditava que sabia tudo com meus onze anos vividos. Não me chamem de menino, nem de noviço, já me considerava homem feito, pois caminhava para a segunda classe, assim já era um experiente Escoteiro. Bem não foi aquele o meu melhor acampamento, nada disto apenas um fim de semana gostoso. Mas o que aconteceu nele foi demais. Demais mesmo. Lembro-me de tudo, nunca esqueci, ora, ora, esquecer como? Não posso esquecer aquela tarde, um vento sul soprando, um friozinho chegando, uma deliciosa brisa do alvorecer...

Fomos até o mirante do Canta Galo, não mais que duzentos metros do campo. Era linda a vista e sempre quando acampávamos ali era normal e rotineiro ficarmos lá até o anoitecer. Um pôr do sol sem igual em todas as tardes sem muitas nuvens. A tarde chegava e o céu ficava cor de ouro, um amarelo vivo encantando as poucas nuvens no céu. Aos poucos um pedaço do sol ia desaparecendo atrás da montanha do Sabiá, nós de olhos firmes encantados com tão linda vista e de supetão Mauricio o Monitor diz – Hoje é o dia do Escoteiro, nosso dia! Tirei a vista daquele céu celestial e olhei para ele com o cenho franzido: – Temos um dia Monitor? – Temos sim é hoje, 23 de abril. Surpresa! Enorme surpresa! Fiquei encantado. – Então temos um dia? Incrível! Olhei para os outros patrulheiros. Nem ligaram. Não sei por quê. Para mim foi demais. Olhei de novo o céu. O amarelo ouro no meio de poucas nuvens se transformava em vermelho vivo e aos poucos ia escurecendo. O sol se foi. Um bando de andorinhas passou voando sobre nós. Confesso que não dormi direito. - Temos um dia repicava em meu pensamento. Lá pelas duas da manhã, já no dia 24 de abril levantei e sai da barraca. Um frio gelado me esperava.

Sentei em um toco em frente à barraca, as brasas do pequeno fogo não existiam mais. Olhei para o céu cheio de estrelas. Eu o conhecia de cor. Sempre acampávamos ali. – Meu pensamento era o mesmo. Não esquecia o que o Monitor contou. Temos um dia 23 de abril. Era demais. Ficou gravado em meu coração para sempre. Meia hora depois me deu sono, voltei à barraca e dormi. Se sonhei não lembro, mas nosso dia ficou marcado. Todos os anos eu me lembrava dele estivesse onde estivesse. Agora eu tinha um dia que o considerava meu e de todos os meus irmãos Escoteiros. Neste dia elevo meu pensando a Deus para que ele mantenha viva a chama escoteira no coração dos nossos irmãos que participam desta grande fraternidade. Cada um tem um dia especial para lembrar. O meu é como fosse gravado para sempre naquele final de tarde de um abril do passado, um céu cor de ouro, poucas nuvens e o sol se escondendo atrás da montanha do Sabiá. Será que é por isto que amo demais o por do sol?
23 de abril, me junto a todos meus irmãos Escoteiros do mundo para dizer – Sempre Alerta! Como é lindo e fantástico ser um Escoteiro!

UM LINDO DIA DO ESCOTEIRO PARA TODOS!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Os heróis não tem idade.


Me descubro um pouco mais a cada dia, minhas ânsias e desejos... isso é fundamental para dizer quem eu sou, porque às vezes eu mesma me surpreendo...

Lendas escoteiras.
Os heróis não tem idade.

          Mariel não sabia mais o que fazer. Tentou de tudo e nunca foi sequer ouvida pelos seus pais. Mariel tinha um sonho, dizem que meninas de sete anos não sonham, mas não é verdade. Podia até ser um sonho novo que substituiu a boneca ModelMuse 2013. Seus pais diziam que era muito cara e ela estava crescendo muito depressa. – O que você quer de Papai Noel perguntou seu pai. Ela abaixou a cabeça e disse – Quero ser escoteira! Ela já sabia a resposta. Desde o dia que pediu para participar que seu pai foi contra. Sua mãe também. – Nem pensar, diziam. – Não vou deixar você ir para o mato, dormir na barraca, pode aparecer uma cobra ou um bicho qualquer. E se forem para longe? Não sabe que sumiu um Escoteiro no Pico do Roncador e até hoje ele não apareceu? – Agora eles perguntavam o que ela queria de natal pensando que mudou de ideia. Nunca há deixariam entrar naquela turma. Eles eram esquisitos, vestiam um uniforme e se achavam os tais. Ninguém sabia, mas o Pai de Mariel quando jovem queria ser um e não foi. Motivos? Ele nunca contou.

         Mariel em seu pequeno computador leu sobre tudo o que era os Escoteiros, o que eles faziam, leu as histórias dos acampamentos, aprendeu as provas e se ela entrasse hoje já sabia de tudo. Havia meses que ela insistia com seus pais e eles sempre negando. Chegaram ao ponto de dizer que se ela falasse mais no assunto eles a poriam de castigo. Sua mãe foi mais amiga, explicou para ela que ela era nova, eles não conheciam os responsáveis e se alguém a raptasse? Afinal eles moravam em um bairro nobre, seu pai era Presidente de uma Grande Empresa e ela seria presa fácil para sequestradores. Dizer para sua mãe que havia outras crianças iguais a ela não adiantava. Ela sempre dizia que os pais delas eram irresponsáveis.

        Uma tarde de sábado sua mãe foi com seu pai ao Mercado fazer compras. Dona Nana a cozinheira ficou responsável por ela. Mariel não perdeu tempo. Que seja o que Deus quiser pensou. Sei que é errado e estou desobedecendo meus pais, mas tenho que ir - pensou. Se pelo menos eu pudesse ver o que eles estavam fazendo já seria uma alegria para mim. Pé ante pé abriu a porta da Mansão e passou sorrateiramente pela portaria do Condomínio. Sabia que não era perto. Ficava a duas quadras do seu colégio. Foram mais de uma hora a pé. Ela não sabia pegar ônibus. Não foi fácil. Com seus sete anos ela era uma menina frágil. Seus pais não deixavam nem ela participar de atividades recreativas mais pesadas no colégio. Chegou ao Grupo Escoteiro bem na hora que estavam hasteando a bandeira. Ela ficou de longe olhando. Que belo espetáculo! Seus olhos se encheram de lagrimas. Era bonito demais. E os lobinhos e lobinhas correndo para formar? Que ordem, que disciplina. Ela já sabia que iriam fazer do Grande Uivo. Quem dera eu fosse uma delas. Sei tudo de cor! Disse.

         Esqueceu-se das horas. Quando viu estava escurecendo. Ficou olhando para eles até o final. Correu rua fora e quase foi atropelada. Chegou a sua casa já noite escura. Na porta carros de policia e de parentes. Entrou pelos fundos. – Quem foi papai? Ela perguntou. – Meu Deus! Você está aqui. A mãe e o pai correram para abraçá-la. Eles choravam de emoção. Pensavam que tinha sido raptada. Mariel sabia que o lobinho diz sempre a verdade e contou tudo para eles. Contou com lágrimas nos olhos. Sabia que o castigo viria. E veio mesmo. Mais de dois meses sem computador e sem TV. Mariel não se incomodou. Sim ficou chateada por ter feito tudo sem avisar, mas sabia que nunca eles deixariam ir. Todos os meses do castigo ela não parava de lembrar-se do que viu e sentiu. Ah! Se fosse verdade e eu fosse um deles sonhava.

          Paolo, Billy e Eddy Mário iam para a reunião dos seniores. Todos eles antigos no grupo. Foram lobinhos e agora estavam se preparando para conseguir o Escoteiro da Pátria. Eram amigos desde a Tropa Escoteira. Uma amizade que perdurou por anos. Pararam no farol na esquina da Rua dos Tamoios com a Avenida Campos Gerais. Esperou o farol abrir. Era um local perigoso e já ouve muitas batidas. Da avenida viram quando um Audi em disparada não obedeceu ao sinal e avançou a toda velocidade. Da Rua dos Tamoios um Utilitário azul da Toyota em velocidade normal viu o farol aberto e entrou. A batida foi forte. Uma verdadeira explosão. O Audi ficou completamente destruído. O Toyota rodopiou sobre si mesmo e quando parou uma pequena explosão no motor. O fogo começou. Não havia o que discutir e nem pensar. Os três correram para o Toyota que pegava fogo. O Audi não estava em chamas. Paolo com se bastão quebrou o vidro da porta do motorista e tentou tirá-lo. Não conseguiu.

            Nada é impossível para escoteiros. Eles não deixariam o homem morrer. Alguém gritou da calçada que o Toyota ia explodir. Corram daí se querem viver! Gritaram. Billy pegou o bastão e foi para a outra porta. Quebrou o vidro e passou por ele, pois a porta estava emperrada. Cortou o cinto que estava preso com sua faca. Paolo e Eddy do outro lado arrastaram o homem para fora. O fogo aumentou. Billy sentiu seu uniforme pegando fogo. Pulou para fora do carro e se jogou ao chão rolando de um lado para outro. Conseguiu apagar, mas seu corpo teve diversas queimaduras. Graças a Deus ninguém morreu. O socorro chegou em seguida. O homem da Toyota estava desmaiado. No hospital Billy ficou internado por três semanas e saiu direto para a reunião de tropa. Sentia uma falta tremenda. Nunca faltou. Que chovesse canivete, mas ele estava lá na sua Patrulha Pico da Neblina.

          Quando Billy chegou uma salva de palmas e todos correram para abraçá-lo e ele dizendo que não. As queimaduras não haviam sarado ainda. Aceitou aperto de mão, mas fez questão de dizer que ele e os amigos fizeram o que era certo. Todos eles a sua maneira agiram como Escoteiros. A formatura estava em andamento. Billy tomou seu lugar na patrulha. Notou que chegaram um homem, uma mulher e uma menina pequena e frágil. Eles tomaram lugar na bandeira. Após a cerimonia o homem pediu a palavra. Ele era a vitima do Toyota. Ele chorava. Quase não conseguia falar. Ainda não conseguia andar direito, pois sofrera uma fratura no braço e na perna. Foi até onde Billy, Paolo e Eddy estavam e lhes deu um grande abraço. – Nunca vou me esquecer de vocês! Ele disse chorando. Eu pensava que Escoteiros eram uma turma de arruaceiros, de jovens sem ter uma forma de vida e me enganei. Por anos neguei que minha filha fosse uma, pois ela sempre o desejou.

          Mariel mudou. Agora era um lobinha alegre e cheia de vida. Como era bom saber que seus pais também ajudavam o Grupo Escoteiro. Mariel no final do primeiro dia de reunião se ajoelhou quando os lobinhos e lobinhas faziam o Grande Uivo e mesmo sabendo que ela só iria participar depois da promessa, Mariel rezou. – Obrigado meu Deus! Consegui! Meu sonho se concretizou. – Todos olharam para ela espantados. Ela levantou, sorriu e gritou bem alto – “Melhor Possível”! Agora sou uma lobinha, e prometo a mim mesma que serei escoteira por toda a vida.

Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: "Que tamanho tem o universo?". Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: "O universo tem o tamanho do seu mundo". Perturbada, ela novamente indagou: "Que tamanho tem meu mundo?". O pensador respondeu: "Tem o tamanho dos seus sonhos". Augusto Cury.



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Nunca mais vou te esquecer A história de Audrey, um Pioneiro.


A recordação é o perfume da alma. É a parte mais delicada e mais suave do coração, que se desprende para abraçar outro coração e segui-lo por toda a parte.

Nunca mais vou te esquecer
A história de Audrey, um Pioneiro.


                     Não gosto de contar histórias como esta. A tristeza existe, mas não devemos ficar presa a ela. Quem conheceu Andrey nunca pensou que ele fosse chegar aquele ponto. Um jovem cheio de alegrias, um sorriso que conquistava a todos, e uma vontade de ajudar e ser irmão fraterno deixou perplexo a todos que o conheceram. Nas sessões escoteiras que ele passou deixou saudades. Lembro quando ele entrou já com nove anos como lobinho. Parecia que estava sempre sorrindo. Na matilha azul todos o adoravam. A Akelá e os demais assistentes quando ele não ia às reuniões ficavam preocupados. Era amado por todos.
          
                    Na tropa foi a mesma coisa. Não podia ver alguém precisando de ajuda que lá ia ele para ajudar. O Chefe Nando no inicio não se incomodou, mas via que muitos estavam aproveitando de sua bondade. Nada que uma Corte de Honra não resolvesse. Audrey não só era bom Escoteiro como também um excelente aluno. Suas notas o deixavam sempre em primeiro ou segundo lugar na classe. Os professores diziam que ele iria longe. Quando fez quinze anos passou para os seniores. Nunca foi Monitor. Audrey tinha o escotismo no coração, mas não era líder. Sua maneira de liderar era com amor. Sua voz era baixa e nunca em tempo algum alguém o viu perder a paciência.
                  
                    Sua família não era rica, mas eram remediados. Seu pai trabalhava na Petrobrás e ficava em uma plataforma marítima por quase vinte dias. Depois retornava e ficava com a família mais quinze dias. Eram os dias de maior alegria para Audrey. Ele sua mãe e seu pai passeavam muito. Cinema, parques e várias vezes iam para o litoral nos fins de semana. Seu pai voltava para o trabalho e a casa ficava vazia. Os dias passavam as semanas, os meses e em pouco tempo Audrey fez dezoito anos. Pensou em dar um tempo na sua vida Escoteira, mas estavam formando um Clã Pioneiro e insistiram com ele para participar. Não eram muitos. Ele e mais seis. Destes tinham duas moças. Audrey já conhecia ambas dos seniores.

                     Devido aos afazeres profissionais e também a maioria dos pioneiros se preparando para os vestibular do fim de ano, faziam as reuniões aos sábados, entre sete da noite as nove. Muitos faltavam. Teve dias de apenas dois estarem presentes. Foi então que Lucio um pioneiro que fora escoteiro e só voltou após adulto chegou com seis novos pioneiros. Foi um dia que o Mestre Pioneiro Senhor Antônio não estava presente. Audrey não concordou muito com a entrada de vários assim. Nenhum deles tinha sido Escoteiro e sem o Mestre não deviam participar. Uma garota morena, cabelos curtos linda de nome Patrícia olhava insistente para Audrey. Isto até o deixou meio sem jeito. Não que nunca tivesse namorado, já namorou sim, mas por pouco tempo e não deu certo.

                     Audrey soube depois que participavam de um clube em um bairro bem visto pela sociedade e resolveram todos eles entrarem nos pioneiros, pois queriam fazer coisas diferentes. Que coisas diferentes? Audrey ficou cismado. Mas como tinha bom coração os recebeu de braços abertos. Patricia não saia de perto dele. Mesmo se mantendo respeitoso, pois Audrey tinha a Lei Escoteira como filosofia de vida, Patricia era totalmente diferente. Risonha, piadista, abraçava todo mundo e até o Mestre Pioneiro Senhor Antônio conversou com ele uma noite o alertando. Sabia que estavam todos preocupados com ele. No entanto os seis novatos não perdiam uma reunião. Um dia sem estarem devidamente preparados para a investidura lá estavam eles uniformizados. Ninguém contestou.

                     O pior aconteceu em uma viagem que fizeram a Monte Sião. Um novo Clã estava sendo formado e fizeram o convite ao Clã. Uma surpresa. Mais de quarenta pioneiros e pioneiras. Ninguém que tinha sido Escoteiro. Antes pertenciam a uma comunidade de jovens da igreja local e resolveram formar um Clã. Interessante, o Grupo foi fundado para eles, ainda não havia nenhum pedido para uma Alcatéia e uma tropa. Depois da cerimonia de Investidura uma surpresa. Os quarenta novos pioneiros tinham organizado uma Balada no clube da cidade. Uma tremenda festa. Muitos comes e bebes e o chope correu célere. Ninguém reclamou, pois se consideravam adultos e uma festa como aquela não era para se jogar fora. Patricia não largava Audrey e sempre com um copo de vinho ou outra bebida a mão fazia com que Audrey também bebesse. Um conjunto da cidade por sinal excelente abrilhantou com musicas atuais.

                     Lá pelas duas da manhã Audrey não se sentia bem. Não estava acostumado com bebida. Sentia-se zonzo, o estomago revirando, e Patricia dizendo para ele beber mais e mais. Já madrugada ela o arrastou até um local ermo e insistia em fazer amor ali com ele. Forçava Audrey a aceitar, ele insistia que não e ela insistia que sim. Beijos e abraços e ela dizendo que o amava que era sua paixão, que ele era homem ela mulher e tinham direitos. A bebida fez efeito em Audrey. A beijou e ela tirou suas roupas. Audrey mesmo tonto estava atônito. Nunca em tempo algum isto aconteceu com ele. Foi então que onde estavam foi iluminado por flashes. Vários dos amigos dela do clube tiravam foto e filmavam. Que vergonha! Mesmo bêbado Audrey não sabia o que fazer. Estava praticamente nu. Nunca pensou que isto fosse acontecer. Seus irmãos pioneiros do Grupo não o ajudaram e junto aos outros davam risadas de escarnio. Em tempo algum deram proteção e sim sorrisos maliciosos.

                    Audrey descobriu que tudo foi planejado por Patrícia. Uma aposta entre ela e seus amigos do clube. Ela apostou que em menos de dois meses ia colocá-lo em situação vexatória para provar que pioneiros não são diferentes. São iguais a todos os homens. Audrey não tinha e nunca teve ódio de ninguém, tentava odiá-la e não conseguia. Suas fotos foram parar na internet. Em sua cidade seus amigos não foram solidários. O grupo Escoteiro não escondeu sua decepção e resolveram lhe dar uma suspensão de um ano. Uma vergonha! Audrey não sabia onde se esconder na cidade. Sua vida foi virada ao avesso. E o pior ele amava realmente Patricia. Nunca pensou que ela fosse fazer isso.

                     Sua mãe e seu pai ficaram sabendo do acontecido. Acharam que ele nunca mais devia voltar ao grupo. Eles lhe viraram as costas. Quase onze anos participando e uma armadilha odiosa, agora do conhecimento de todos ele não devia nunca mais vestir o uniforme de Escoteiro. O que adiantou a promessa? O que adiantou a palavra fraternidade? Ele sabia que o assunto virou fofoca na cidade e alem disto ser suspenso? Audrey não sabia o que fazer. Deixou a barba crescer. Usava um chapéu esquisito achando que com isto escondia sua vergonha. Não conversava com ninguém. Uma dor tremenda por dentro. Traído por quem nutria um amor sincero, sem malicias, e ele mesmo com seu coração de ouro pensou em perdoá-la. Mas ela nunca mais o procurou. Um mês depois o Mestre Pioneiro o Senhor Antônio o procurou em sua casa. Junto com O Diretor Técnico e todos os pioneiros do Clã. A conversa foi franca e sem pieguice. O Clã tinha dado um ultimato ao Grupo Escoteiro. Audrey devia voltar. Sempre fora um Escoteiro padrão e hostilizá-lo daquela maneira era um absurdo. Se o Grupo não o aceitasse de volta todos do Clã pediriam demissão.

                       Seu pai foi contra. Achava que ele não tinha motivos para voltar. Foram contra ele. O ridicularizaram. Viraram as costas quando ele mais precisava. Sua mãe foi a favor, devia voltar cabeça erguida, quem não deve não teme. Não foi fácil para Audrey tomar uma decisão. Mas ele tomou. Voltou ao grupo. Olhava seu distintivo de promessa. Lembrava-se de tudo. Prometera ter honra, cumprir seu dever e ao seu modo tinha ajudado a todos que o procuravam ou não. O que diziam não era verdade. Ele tinha a consciência tranquila. Amava o escotismo. Com todo seu coração. Tinha de voltar.

                      Seis meses depois voltavam de uma atividade na Fazenda da Fortuna. Um ótimo local para acampamento e gentilmente cedida pelo seu proprietário aos escoteiros. Era um domingo. Quatro quilômetros a pé até o entroncamento onde pegariam o ônibus para a cidade. Ao chegarem ao trevo um automóvel em alta velocidade se desgovernou e bateu a toda em um caminhão tanque. Um estrondo se fez notar. Audrey correu até o automóvel. Tinha duas pessoas dentro. O motorista estava morto, a cabeça esmagada pela lataria do caminhão. Ao seu lado uma moça. Gemia de dor. Incrível, era Patricia. Desacordada. Todos gritaram para ele que se afastasse. O caminhão tanque começara a pegar fogo e a explosão era eminente. Audrey tirou sua faca. Com o cabo quebrou o vidro. Sozinho arrastou patrícia até um lugar seguro.

                        O socorro dos bombeiros não demorou. A explosão aconteceu. Parecia uma bomba de alto teor explodindo. Eles estavam em lugar seguro. Patricia foi socorrida. Levada ao hospital. Dois dias depois ele foi visita-la. Estava inconsciente. Seus pais o abraçaram e agradeceram pelo gesto. Pediram perdão pelo que ela lhe fizera. Ficou sabendo que ela poderia ficar paralitica. Talvez perdesse a voz e a memória. Audrey deu a mão aos seus pais. Vamos rezar só Deus sabe o que deve ser. Que seja feita sua vontade.

                       Cinco meses depois estavam em reunião de sede. Era o dia que Audrey ia receber a Insígnia de BP. Ele se sentia outro homem. Alem desta comenda tão importante sua alegria era maior. Passara no vestibular de medicina. Seu sonho. Sempre querendo ajudar. Uma surpresa – Patrícia adentrou na sala em uma cadeira de rodas. Levantou com tremenda dificuldade. Caminhou até ele. Ajoelhou e pediu perdão. Uma cena comovente. Inolvidável. Todos ficaram com lágrimas nos olhos. Audrey a abraçou. A beijou ternamente no rosto. Uma palma Escoteira explodiu. Os pais de Patricia também estavam lá. Os pais de Audrey também. Ninguém poderia esconder a alegria que sentiam.

                        Audrey passou a visitar patrícia. Ela andava com dificuldade. Não era mais aquela moça arrogante do passado. Precisava ainda de ajuda em quase tudo que fazia. Pediu a Audrey para aceita-la de novo nos pioneiros. Sabia que não poderia fazer tudo que eles faziam, mas um dia ela iria conseguir acompanhar. O Clã ficou em duvida. Audrey insistiu. Foi aceita. Passaram a sair juntos. Audrey voltou a sentir o amor e a paixão de antes. Cinco anos depois Audrey foi fazer residência em um hospital da capital. Ia sempre a sua cidade visitar Patricia. Ela aos poucos já andava sem ajuda.

                       Casaram-se logo após Audrey abrir seu consultório médico na periferia da cidade. Pretendia se dedicar aos pobres. Patricia o apoiou. E sempre estava lá. Como enfermeira ajudava. Não era mais Pioneiro. Agora era um Chefe de Tropa Sênior. Patricia ria com seu novo uniforme, pois foi convidada a ser Assistente dos Lobinhos. O Doutor Audrey foi feliz para sempre com patrícia. Tiveram dois filhos. Rita e Lovegildo. Sua bondade foi reconhecida em toda a cidade. Quando se falava em escoteiros todos se lembravam dele. Ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião. Um lema de escoteiros para ser lembrando para sempre!                       

“Só nos recordamos verdadeiramente daquilo que nos era destinado. A memória não lê as cartas alheias”.
Ekelund Vilhelm