quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

OS FANTASMAS SE DIVERTEM


OS FANTASMAS SE DIVERTEM!

Recordações do fantasma do acampamento de verão!
(Só para jovens sem medo de fantasmas, se tiverem medo não leiam este conto)

Vampiro que toma sangue é Conto de Fadas.
Terror, é Vampiro que te suga energia e qualquer possibilidade de sucesso. Ele esta do seu lado, e você perde tempo acreditando em fantasma.

    A lua pequenina despontava no firmamento. As estrelas salpicavam o céu. Não havia nuvens, aqui e ali pirilampos varriam a noite assim como centenas de vagalumes querendo mostrar para a natureza, os encantos que eram possuídos com sua dança cintilante. Uma cigarra varreu os sons noturnos com sua linda cantiga. Minha casa era afastada da cidade. Eu podia ver as sombras e os encantos da noite, a natureza viva ali presente ao vivo e a cores.
     Era rotina, quando uma atividade escoteira marcante acontecia, eu ficava nos dias que a antecediam nervosa, ansiosa e gostava nesses dias sentar na cadeira de meu pai, ali na varanda da minha casa. Permanecia horas e horas pensando, imaginando e sonhando. Se agora com 13 anos estava assim, será que mudaria no futuro? Esqueci de dizer meu nome. Chamo-me Laura Melissa Antunes. Leidynha como me chamam carinhosamente meus amigos e minhas amigas do escotismo. 

    Aquela espera me deixava irrequieta e pensativa. Não mudava, era sempre assim. No meu primeiro dia de lobinha a expectativa não me deixou dormir. O mesmo aconteceu com minha promessa e o primeiro acantonamento. Quando passei para a tropa, agora na cidade dos homens, foi outra espera angustiante.

    Lembro do meu primeiro acampamento, do segundo, do terceiro. Lembro de todos. Tenho-os anotado em meu livro que chamo de minhas memórias escoteiras. É como fosse meu diário particular. Ali anotava as horas, os dias, minhas companheiras de patrulha, fatos marcantes, o local e olhe até desenhava o meu campo de patrulha. Péssimo desenho, mas era só meu. Meu livro secreto não mostrava ninguém.

    Mamãe costumava vir me chamar quando a noite ficava mais longa e muitas vezes me encontrava dormindo. Carinhosamente me pegava no colo e me punha para dormir. Éramos três naquela casa. Eu mamãe e papai. Uma família feliz. Adoro-os. Amo eles muito. Meu pai é um grande amigo. Incentiva-me, não mede esforços para que eu consiga realizar todos os meus desejos no escotismo. Grande pai! E minha mãe! Outra formidável. Ela trabalha fora, caixa em um banco, mas estava sempre presente em todas as horas que precisei dela. E eu ajudava muito com os afazeres da casa.
   
      Eu procurava ser boa filha. Minhas notas não eram as melhores, mas sempre estava em terceiro ou quarto na classe. Era amiga de todos, não brigava e depois que aprendi a lei do lobinho e a lei do escoteiro, fazia questão de cumpri-las ao pé da letra.

    Lembro o dia que meu pai me perguntou se queria ser escoteira. Tinha oito anos. Perguntei o que era. No sábado seguinte fomos conhecer. Amei logo de cara. Imagine! Jovens da minha idade, correndo, rindo, brincando eu não iria participar? Claro que sim. Com o tempo, os sábados eram uma doce espera de uma semana longa e extensa.

    A Aquelá Lilian era bondosa, enérgica e amiga de todas nós lobinhas.  O Balu, a Kaá e a Baguira que diziam ser uma esperta e valente pantera tinham um lugar especial em meu coração. Marcaram-me para sempre. Na minha passagem para escoteira choraram. Lágrimas de alegria, pois sabiam que estava logo ali, bem próximo da jângal na cidade dos homens.

     Na tropa a Chefe Dalva era outra grande amiga. A patrulha Gavião agora era o meu novo lar. Eu e a monitora ficamos mais que irmãs. Uma verdadeira amiga. Éramos todas muito unidas. A patrulha tinha um só pensamento e uma só ação. Sempre saímos juntos aos domingos, íamos ao cinema, ao shopping, mesmo fora das reuniões éramos amigas inseparáveis. Em dois anos, já tinha terminado a segunda classe e caminha para a primeira. O cordão verde amarelo usava com orgulho. 

    Olhe, acho que minha entrada no escotismo foi à parte mais linda da minha vida. Sei que ainda vou crescer pensar de maneira diferente, mas não mudo de opinião. Sou escoteira e serei escoteira ate morrer. Agora estava ali, na varanda da minha casa, esperando o sábado, onde partiríamos para a Serra do Esquilo. Seriam cinco dias. A monitora disse-me que lá era perfeito para um acampamento. Ainda não conhecia, mas a chefe na Corte de Honra colocou todas a par do que sabia.

    Iríamos em três patrulhas, também muito amigas uma da outra. Não seria a primeira vez. Acampamos juntas muitas outras vezes. Minha mãe interrompeu minhas recordações dizendo ser tarde. Hora de dormir. Claro, sabia que iria deitar e sono não viria tão cedo.

    A semana passou, mas o relógio nesse tempo parecia ter parado. O sábado amanheceu brilhante. Céu azul, o sol ainda não havia surgido. Eu nesses dias sempre era a primeiro a chegar. Na sede, as patrulhas à medida que chegavam uma e outra já se movimentavam, pegando os sacos de patrulhas com os materiais lá no almoxarifado do grupo. Barracas, toldos, sapa, intendência, tudo bem acondicionado. O saco tinha quatro alças, que com dois bastão poderíamos em quatro transportar em qualquer distancia sem dificuldade. Eu já estava acostumada. Os Búfalos já estavam com a maleta de primeiros socorros, apesar de que cada patrulha também tinha sua pequena maleta que ficava com a socorrista da patrulha.

       Todos nós estávamos preparados para a partida. Um Ônibus da prefeitura iria nos levar. Não muito longe, apenas 150 quilômetros e quatro a pé. Nossa viagem teve um imprevisto. Uma peça do motor quebrou. Estávamos bem próximo do campo. Uns quinze quilômetros. O motorista, seu Joaquim já nosso conhecido, disse que o conserto levaria o dia inteiro.

      Uma Corte de Honra foi improvisada. Calcularam a distancia final. Andando a cinco km por hora, em três horas e meia (com parada) chegaríamos. Dava para levar o principal. Acertamos tudo e ao partir, um caminhão basculante buzinou e parou mais a frente. O motorista desceu e logo gritou – Sempre Alerta! – Sem problemas, uma nova carona. Partimos e quase chegamos no horário.

      O local era excelente. Uma aguada linda, riacho e pequena queda d’água. Uma grande lagoa de águas cinzentas era tudo que esperávamos para grandes jogos náuticos. Bambus sem conta. Próximo uma mata enorme. Tudo plano. Ficava a mais de dois quilômetros da estrada carroçável. Nova reunião de monitoras, escolha de campo, a monitora nos levou até o nosso. Uma bandeira do Brasil foi arvorada e após a oração e avisos iniciamos nossa labuta de campo.

      Inicio de acampamento. Sempre aquele burburinho das patrulhas, o corre- corre, depois era viver tudo com emoção e muito amor. Nada de mais aconteceu no primeiro dia, tudo corria perfeitamente bem. Até que uma das chefes se sentiu mal. Estavam em três, nossa chefe, uma assistente e seu marido que era assistente sênior. Ele foi levá-la ao pronto socorro mais próximo. Em seguida a nossa assistente que estava sozinha no campo também se sentiu mal. A preocupação foi geral, mas logo vimos seu marido chegando.

      Explicou que deviam ter se intoxicado com alguma coisa que comeram. Achamos que foram umas amoras que nasciam próximo ao lago. Mesmo com dores a assistente chamou primeiro as monitoras, explicou tudo, e disse que o marido dela voltaria logo. Confiava em nós naquele pequeno período que não havia adultos. Dissemos para ficarem tranqüilos. Passavam das seis da tarde. Elegemos uma monitora responsável. Três de nós separamos a intendência para o jantar. Na barraca da chefia havia um cardápio com as quantidades para cada patrulha.

      Olhe, eu sinceramente estava preocupada e muito. Sabia que o local era um sitio, com portão trancado na entrada e bem afastado dele. Mais de 500 metros. Mas assustava ficarmos ali todas nós sozinhas sem um adulto. Achamos que o assistente sênior voltaria logo. As patrulhas fizeram o jantar, limpamos o vasilhame, recolhemos nosso material de dormir e deixamos tudo preparado para a noite.

      Passava das nove da noite e nada do assistente sênior. Reunimos todas em volta de uma fogueira no campo da chefia. Conversamos, uma patrulha se prontificou a fazer um café, na intendência biscoitos e ali cantamos, trocamos idéias e ouve até alguém que fez uma apresentação espontânea de balé clássico ao som de samba. Rimos a valer, pois o som era nosso cantado ao vivo. Quase onze da noite e nada do assistente. Comecei a ficar preocupada. Sem celular, sem saber como comunicar, agora nesse horário para buscar ajuda não dava. Ainda confiávamos que o assistente chegaria.

    O fogo diminuiu. O sono chegava. Fizemos uma reunião de tropa e decidimos ir dormir. No dia seguinte se não chegasse ninguém então tomaríamos uma providencia. Mas o pior estava por vir. A noite ficou mais escura. As estrelas e a lua desapareceram. Um relâmpago cruzou o céu e caiu a nossa frente. O som do trovão foi ensurdecedor. Como se fosse um fantasma apareceu a nossa frente um enorme jacaré do papo amarelo, com mais de 5 metros de comprimento, com olhos em fogo e uma cruz na testa. Achei que estávamos tendo uma visão, não podia ser alguém fantasiado assim. O jacaré movia a boca para cima e para baixo com uma facilidade incrível. Em sua volta tudo escuro. Não se enxergava um palmo alem dele.

     Arrastava-se e desaparecia. Logo em seguida aparecia nas nossas costas. Depois começou a ficar coberto de uma gosma horrível, fétida. Seus olhos de fogo soltavam chispas. Algumas de nós começaram a gritar. A pedir ajuda a Deus. Abraçamos-nos fizemos uma bola de escoteiras, mas ninguém queria ficar do lado de fora. Sem avisar sumiu. Nada. A lua apareceu de novo, as estrelas estavam no céu. As lanternas voltaram a funcionar. Éramos vinte e uma escoteiras. Ninguém queria ir para seu campo e nem ficar ali.

           Resolvemos dormir nas duas barracas da chefia. Embolaríamos dez em uma e onze em outra. Não tinha jeito, alguém se lembrou da higiene pessoal. Ir até a bica? Nem pensar. Fora de cogitação. Eu mesmo não iria nunca agora. Já aproximávamos das barracas e de novo Apareceu um homem peludo, enorme, cabeça de demônio, pulando feito um macaco e ao seu lado outro de cabelo e barbas avermelhadas, unhas enormes, coberto de lodo que exalava um mau cheiro incrível. Esse ficou parado, estático nos olhando enquanto o outro passava em volta de nós gargarejando e dando urros ensurdecedor. De novo nos embolamos aos gritos.

    Olhe, era um medo geral. Terror mesmo. Acho que agora nenhuma de minhas amigas iria assistir mais filmes de horror. Assim como chegaram sumiram. Corremos para as barracas. Embolamos uma com as outras. Na minha éramos onze. Em poucos minutos não vimos mais nenhum barulho lá fora. Olhava para a monitora da minha patrulha como a perguntar, o que houve? Nunca tínhamos visto algum assim. Porque isso estava acontecendo? Será que ali seria algum cemitério abandonado e alguém queria nos espantar dali?

     Passou dez minutos, uma hora, duas. Todas dormiam. Menos eu e a monitora. Estávamos deitadas, mas de olhos bem abertos. Não queríamos dormir, o medo era tanto que pensava se dormíssemos eles entrariam na barraca e nos levariam. O que fazer? Deu-me uma vontade louca de fazer uma necessidade. Tinha de fazer. Sair lá fora? Deus do céu! Falei com a monitora ela disse que também precisava. Abri a porta da barraca, céu azul, muitas estrelas, minha lanterna varreu em volta, nada. Saímos devagar, pé-ante-pé e atrás da barraca uma cobra gigantesca apareceu.
  
     Era enorme, soltava fogo pela boca. Toda vermelha, mudava de cor para azul, amarelo e voltava a ser vermelha. Encarava-nos, mas não se mexia. Ficamos estáticas. Ela estava bem próximo da barraca. Agarrei-me a monitora, ela se agarrou em mim. A cobra começou a caminhar em direção a bica. Ficamos ali paradas quase aliviadas. Já íamos voltar sem sequer fazer o que queríamos quando vimos um macaco, descomunal, com mais de cinco metros de altura, também peludo, como um porco-espinho, e com um olho só no meio da testa. Gesticulava e tentava pegar alguma de nós.  Infelizmente não deu mais. Comecei a gritar. Um grito histérico, alto, berrava a plenos pulmões. Um medo terrível, meus dentes batiam um no outro, achei que iriam espatifar.

    Correr para onde? Para a mata? Para a lagoa? Voltar à barraca? Histericamente pulava como uma doida. Medo incrível. Nunca em minha vida pensei que isso iria acontecer comigo. Gritava. Um pavor horrível corremos para a barraca e fechamos a porta. Abraçadas olhamos uma para a outra com os olhos esbugalhados de pavor. Não, não tinha parado. Sentado em um canto da barraca, um indiozinho de pele escura, como um curupira horrendo, com os olhos esbugalhados, peludo, montado num porco do mato estava ali, com uma perna só, cabeça enorme e um só olho onde deveria ser seu nariz e ria desbragadamente. Suas gargalhas eram medonhas!

     Era demais. Impossível. O que tinha acontecido? Meu Deus implorava, me ajude a sair dessa. Não temos para onde ir. Os gritos meu e da monitora se transformaram em berros. Estava rouca. Minha voz estava sumindo. Um medo terrível. Gritava, gritava e me dei conta de alguém me pegando nas costas. Aí gritei mais alto, começaram a me balançar, acorde! Acorde! Então abri os olhos. Vi minha mãe e meu pai me abraçando. Pare, chega acorde! É somente um sonho. Um pesadelo. Tudo acabou. Eu ainda chorava soluços enormes. Abraçava-a com sofreguidão. Ainda tremia. Contei para ela o pesadelo. Ela me explicou que jantei muito tarde e isso poderia ter sido o motivo.

     E o acampamento, perguntei? Já foram? – Não querida, hoje é segunda, só irão na sábado. Ufa! Graças a Deus. Fiquei três dias com aquele pesadelo na mente. Depois comecei a esquecê-lo. Mas a sexta chegou e com ela meu acampamento de sonhos se aproximava. Não comentei com ninguém da patrulha e da tropa. Não queria assustá-las. Agora era esperar o sábado, esquecer de vez meu pesadelo e partir para mais um lindo acampamento. O que mais adorava no escotismo.
  
       O sábado amanheceu brilhante. Céu azul, o sol ainda não havia surgido.  Na sede as patrulhas à medida que chegava uma e outra já se movimentavam, pegando os sacos de patrulhas com os materiais do almoxarifado. Barracas, toldos, sapa, intendência, tudo bem acondicionado. Eu já estava acostumada. Os Búfalos já estavam com a maleta de primeiros socorros, apesar de que cada patrulha também tinha sua pequena maleta que ficava com a socorrista da patrulha.

       Todos nós estávamos preparados para a partida. Um Ônibus da prefeitura iria nos levar. Não muito longe, apenas 150 quilômetros e quatro a pé. Nossa viagem teve um imprevisto. Uma peça do motor quebrou. Estávamos bem próximo do campo. Uns quinze quilômetros. O motorista, seu Joaquim já nosso conhecido, disse que o conserto levaria o dia inteiro. Fiquei pensativa. Parecia que tinha visto essa historia antes.

      Pegamos uma carona e chegamos sem atrasos. O local era excelente. Uma aguada linda, riacho e pequena queda d’água. Bambus sem conta. Próximo uma mata enorme. Tudo plano. Ficava a mais de dois quilômetros da estrada carroçável. Nova reunião de monitoras, escolha de campo, a monitora nos levou até o nosso. Uma bandeira do Brasil foi arvorada e após a oração e avisos iniciamos nossa labuta de campo.

      Inicio de acampamento. Sempre aquele burburinho das patrulhas, o corre- corre, depois era viver tudo aquilo com emoção e muito amor. Nada de mais aconteceu no primeiro dia, tudo corria perfeitamente bem. Até que uma das chefes se sentiu mal. Não posso acreditar. Não vai acontecer de novo! Exatamente como no meu sonho. Mas agora não estou dormindo. Meu Deus! Não deixe acontecer de novo. Não iria agüentar!

    Levaram a chefe para o pronto socorro. Impossível concatenar qualquer idéia. De novo a mesma historia. Estava se repetindo.  O horror se apossou de mim. Vi no rosto da minha patrulha o mesmo olhar de incredulidade. Não era possível. Parecia que elas também tinham tido o mesmo pesadelo! Todas nós começamos a gritar, a chorar, a pedir que não saíssem ninguém do campo. Não adiantou e de novo ali estávamos sozinhas, em volta do fogo, grudadas uma a outra a espera do demônio, do lúcifer, do capeta ou do coisa ruim, sei lá.

    E então a noite ficou escura. As estrelas sumiram do céu. Um raio ensurdecedor caiu bem a nossa frente. Um trovão assustador.  Uma gargalhada horrenda retumbou das águas escuras da lagoa. Surgindo aos poucos Um monstro horrível, grande, cheio de escamas, era uma figura fantasmagórica surgindo das águas. Mancando, com os braços abertos se dirigia em nossa direção. Da sua boca saia uma gosma preta e seu nariz fumaça. Era o fim do mundo! Não iria suportar, cai no chão desfalecida...

       Fim da historia. Nada aconteceu com elas e nunca vai acontecer. Foi um conto de terror. Somente um conto. Não é e nem nunca será realidade. É como se fosse um daqueles contos que Xerazade narrava para o Rei Xariar, no século IX e que não passavam de historias das mil e uma noites. São narrativas sem fundamento, que nunca irão assustar as valentes escoteiras.

      Os acampamentos são maravilhosos, quem teve a oportunidade de experimentar e vive ali juntos com seus amigos e amigas sabem disso. Não existem almas do outro mundo, não existe fantasma, o tinhoso o pé-de-pato o satã. Isso são coisas que só existem na nossa mente e claro irreais. Cá prá nós, dificilmente uma escoteira tem medo. Ela é forte, alegre, corajosa. Sua mente é limpa de corpo e alma. Sabe o que faz.

    E claro, aquele acampamento foi maravilhoso. Quem já fez um sabe. Dormiram em barracas, sob as estrelas, viram o nascer do sol, o por do sol. Sentiram o orvalho da manhã no rosto, seus olfatos puderam saborear o cheiro da terra molhada, das flores silvestres. Os sons maravilhosos do cantar da passarada pela manha e a noite. O piar da coruja no carvalho. Aqueceram-se no Fogo de Conselho e viram o lenho crepitando, as fagulhas subindo aos céus, languidas e serenas e desaparecendo com a brisa leve e intermitente. Todos cantaram maravilhosas canções escoteiras. Tomaram um café quente, deram um grito de patrulha e falaram para todos com orgulho: Somos escoteiras! E nos orgulhamos disso.

    Gostariam que outros jovens, assim como elas pudessem viver o que estão vivendo. O companheirismo, a confiança nos amigos, amar uns aos outros. Iriam saber o esplendor de um acampamento. Ser uma acampadora, uma mateira. Dormir em uma cama mateira. Ver a chuva caindo na floresta, um som maravilhoso e imperdível. Impossível descrever. É um privilégio de poucos. O que mais é ser escoteira? Olhem, ela vive o que os outros não viveram. Quem não foi não sabem o que é isso. Quem sabe um dia terão essa possibilidade? Claro se forem aceitos nessa grande Fraternidade Mundial dos Escoteiros.

    Não sei se terão a oportunidade que estamos tendo. Uma ternura imensa pela natureza. Saber onde fica o norte e o sul. Andar a sotavento. Caminhar olhando para as estrelas. Aprender que o medo não é próprio dos escoteiros. Fazer fazendo. Descobrindo as flores, o seu desabrochar. Não existe maior felicidade. Vou convidar meus amigos e minhas amigas, mas não sei se terão coragem de ser como eu. Um dia, nosso fundador disse que somente os valentes entre os valentes se saúdam com a mão esquerda. E eu sei que qualquer um pode entrar em um Grupo Escoteiro, mas, no entanto, também sei que ser escoteiro não é para qualquer um!

E quem quiser que conte outra

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

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Era uma vez... Em uma montanha bem perto do céu...

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